Mágico Vento: 20 anos

Por Marcus Ramone
Data: 10 julho, 2017

No Velho Oeste norte-americano, na década de 1870, o soldado Ned Ellis escapa milagrosamente da explosão criminosa do trem no qual viajava a serviço do exército dos Estados Unidos, perdendo os sentidos e acordando sem memória.

Uma farpa de metal que se alojou em seu cérebro, entretanto, concedeu-lhe dons mediúnicos especiais e garantiram a ele a posição de xamã dos índios Sioux, que o acolheram depois do acidente e o rebatizaram como Mágico Vento.

De lá para cá, foram centenas de aventuras de faroeste, com pitadas clássicas e doses cavalares de terror, fantasia e mistério, em tramas que iam do detetivesco ao bizarro, passando pelo humor e até romance, nas quais Mágico Vento estava sempre ao lado de seu fiel amigo jornalista Willy Richards – mais conhecido como Poe, graças a sua semelhança com o famoso poeta e romancista norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849).

Apresentando fatos históricos e personagens reais que se entrelaçavam com um dos mais cativantes universos das HQs, esse caldo de estilos era temperado com histórias inteligentes e bem construídas, que tornaram Mágico Vento um sucesso não apenas na Itália, onde foi criado pelo roteirista Gianfranco Manfredi para a Sergio Bonelli Editore, mas em outros países (dentre eles o Brasil, no qual foi publicado de 2002 a 2013, pela Mythos Editora), culminando com prêmios recebidos em alguns deles.

Desde sua estreia, em junho de 1997, Mágico Vento tem angariado fãs dentre os apreciadores de variados gêneros de quadrinhos, alguns dos quais garantem ter se rendido aos gibis de western graças a esse personagem.

E não seria para menos, levando-se em conta as histórias envolventes e os desenhos produzidos por artistas primorosos, como Goran Parlov, Ivo Milazzo e José Ortiz, apenas para citar os mais consagrados que já empregaram seu talento nas aventuras de Mágico Vento. As ilustrações das capas das edições, sempre uma atração à parte, tiveram a assinatura de Andrea Venturi, Pasquale Frisenda e Corrado Mastantuono (que tem um carreira consolidada nos quadrinhos Disney).

Nessa trajetória editorial, muitos personagens fixos marcantes, reais ou fictícios, foram sendo acrescentados. Os agentes federais Dick Carr e Little Boy, o índio Cavalo Louco, o polêmico General Custer e a geniosa Calamity Jane, dentre muitos outros, tiveram seus momentos de destaque no universo de Mágico Vento e permitiam aos leitores acompanhar outras tramas além daquelas que eram os fios condutores dessa longa história: a busca pelo passado perdido do xamã branco e sua luta contra o milionário Howard Hogan, seu mais ferrenho inimigo e, possivelmente, pai biológico.

Em 2010, a revista Mágico Vento foi descontinuada na Itália, depois de 131 edições, porque seu autor entendeu que a história do personagem deveria chegar ao fim. Cinco anos depois, Gianfranco Manfredi informou que estava escrevendo uma graphic novel em quatro partes estrelada pelo xamã branco, que ainda não foi lançada.

Para saber um pouco mais sobre Mágico Vento, basta procurar na grande rede e milhares de referências surgirão sobre ele. Mas, para entender por que razão a HQ do personagem é considerada uma das melhores já publicadas no Brasil, a melhor dica é: procure em sebos ou gibiterias virtuais e tenha uma ótima leitura.

Mitakuye Oyasin!

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  • Sensacional o artigo. Vou procurar para ler.

  • Josival Fonseca

    A todos, Mágico Vento vale muito a pena mesmo! É um jogo de intrigas envolvendo política, magia, ocultismo e mistério. Sem contar o contexto histórico com que envolve as histórias.
    Ouvi dizer numa seção de cartas do Tex que iria haver uma republicação de alguns números de MV. Se for mesmo, será a cores e em formato maior?! O problema da Mythos é o preço, e isso pode espantar os leitores. De qualquer forma, torço muito pra que dê certo!

  • Jackson Good

    Disparado o melhor quadrinho seriado que já li. Além de todos os pontos muito bem citados pelo arquivo, vale destacar a condução primorosa de um universo, de uma trama maior, com cada história agregando uma peça a mais e ao mesmo tempo podendo ser lida isoladamente. Após alguns anos, dava gosto ver o quanto aquilo havia rendido, e o melhor, em progressão, sem reboots, e afins.

    Uma republicação em formato maior e com mais páginas (como foi sugerido pela Mythos, cerca de 4 volumes originais por edição) sem dúvida seria um sonho, pois mesmo tendo a série completa, esta nova versão seria muito melhor pra colecionar/reler. Só acho que não precisa nem deveria ser colorido, os materiais da Bonelli coloridos sempre parecem algo saído dos anos 70, um esquema de cores muito defasado. Ainda mais em relação a algo pensado em preto e branco, sendo colorido posteriormente, pra mim chega a ser um crime “estragar” artes tão magníficas quanto, por exemplo, as do Pasquale Frisenda, o melhor de todos pra mim.

  • José Aparecido Ramos

    Realmente MV é uma ótima série e seria interessante uma republicação de alguns álbuns num formato maior como já comentado.Pena que a republicação integral nem passa pela cabeça dos editores…

  • Leonardo Campos

    Poderiam fazer uma republicação no formato atual de Julia. 6 edições de 200 páginas por ano viabilizaria os custos de distribuição (os mais caros) e traria novamente às bancas este fumetti primoroso.

  • Leonardo Campos

    Por falar no autor de MV, Manfredi, alguém sabe se a Panini vai lançar o vol.2 de Face Oculta em parceria com a Comix?

  • Francis Grazy

    Fiquei curioso. Na próxima visita aos sebos vou trazer alguns pra casa pra dar uma conferida.

  • Ok, eles confirmaram semana passada pelo Face q não há planos. Se lançassem, seria apenas algumas edições com histórias fechadas. Como edição especial.