Máquina de Goldberg: a engenharia inspirada nos quadrinhos de humor

Por Marcus Ramone
Data: 17 abril, 2015

Existem várias maneiras de contar uma história de super-heróis. Mas nenhuma tão esquisita e, por que não dizer, divertida quanto a que foi realizada por grupos de estudantes secundaristas nos Estados Unidos.

Anualmente, alunos das escolas de Bonita, na Califórnia, participam de um programa de integração que utiliza a famosa (pelo menos nos EUA) Máquina de Rube Goldberg numa competição para transformar tarefas simples em algo complexo.

Em 2006, o desafio foi diferente. Durante várias semanas, dezoito grupos de estudantes trabalharam sob o desafio de criar uma história de super-heróis. Assim, Homem Aranha, Batman, X-Men, Superman e outros personagens foram estrelas de aventuras narradas por algumas inusitadas máquinas contadoras de histórias.

Máquina de Rube Goldberg

Mas o que é essa estranha Máquina de Rube Goldberg, tão conhecida e cultuada nos Estados Unidos, que já foi imortalizada em selos, virou título de livros, tem centenas de páginas temáticas na internet, há anos é tema de competições de grande porte com direito a transmissão pela TV em cadeia nacional e ainda ganhou um longa-metragem e um documentário sobre seu criador?

Na verdade, o nome é apenas um conceito – pois qualquer um pode criar a sua própria e singular máquina – inspirado numa divertida série do cartunista Reuben Lucius Goldberg (1883-1970), que mostrava as mais estapafúrdias e trabalhosas maneiras de realizar tarefas básicas como descascar uma maçã, apontar um lápis ou colocar pasta numa escova de dente.

As ilustrações mostravam a utilização de vários objetos secundários unidos pelas mais complexas maquinações, num resultado para lá de engraçado e, de certa forma, bastante engenhoso.

Baseado nisso, há muito tempo um impressionante número de escolas e universidades dos Estados Unidos vem realizando competições regionais em que os estudantes têm que alterar a normalidade das coisas e transformar uma ação fácil em algo o mais complicado possível. Aos vencedores desses desafios locais, uma vaga garantida em campeonatos nacionais, como o realizado na Purdue University, em Indiana.

Máquina de Goldberg

O que impressionava nas excêntricas “invenções” de Goldberg (um diplomado em Engenharia) era a progressão lógica dos mecanismos, por mais engraçados e malucos que eles pudessem ser.

Por isso, esses “aparelhos” que satirizam as novas tecnologias são considerados pelos educadores norte-americanos como um meio nada convencional, mas muito eficiente, de levar os estudantes aos infinitos caminhos da imaginação e do pensamento intuitivo.

E nesse que é um dos mais significativos casos de manifestação de educação e cultura a mobilizar um país, o fato de a nona arte ter o seu lugar de destaque não é mero detalhe, mas o começo de tudo. Que outros bons exemplos continuem a aflorar, inclusive no Brasil.

Reube Goldberg

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