Os Simpsons: 30 anos

Por Marcus Ramone
Data: 19 abril, 2017

Foram apenas algumas vinhetas de 30 segundos de duração estreladas por eles na série de TV The Tracey Ullman Show, nos Estados Unidos, no dia 19 de abril de 1987, com um visual bem diferente daquele que os consagraria. Mas foi tempo suficiente para que os Simpsons – criados pelo cartunista, roteirista e animador Matt Groening – ganhassem a simpatia do público e, dois anos depois, estrelassem um especial solo.

Em 1990, estrearam seu próprio seriado, dessa vez com meia hora dos mais puros nonsense e críticas ácidas à sociedade americana – e mais ainda a certa instituição milenar chamada família. De lá para cá, já são mais de 600 episódios exibidos até hoje em vários países, um longa-metragem para o cinema – em 2007 -, diversos prêmios e uma versão para as revistas em quadrinhos que continua a trajetória de sucesso da TV.

Centrado no dia a dia de Homer, o pai lerdo, preguiçoso, comilão, incapaz e, resumindo tudo, inútil; Margie, a mãe esquisita, mas sábia e equilibrada; os filhos Bart (malandro e traquina), Lisa (astuta e sagaz) e a bebê Maggie; além de em muitos outros de uma vasta galeria de personagens secundários e não menos marcantes, Os Simpsons foi apontado em algumas pesquisas nos Estados Unidos como a melhor série de desenhos animados na história dessa arte.

Em uma dessas pesquisas, realizada pela revista Time, o irrequieto garoto Bart Simpson figurou entre as 20 personalidades mais influentes da década de 1990, à frente de muitos nomes da vida real.

Mas esse é apenas um dentre tantos outros fatos que, nestes 30 anos de existência da família menos exemplar do mundo pop, virou notícia mundo afora. A maioria desses destaques é fruto das polêmicas comumente geradas em cada aventura televisiva dos Simpsons, sempre às voltas com alfinetadas sobre o modo de vida norte-americano, o governo dos Estados Unidos, as convenções estabelecidas, as religiões e tudo mais que possa despertar a ira dos mais conservadores e uma crise de risos nos que amam vê-los desdenhar do que é chato ou complicado de entender.

Até o Brasil virou alvo das piadas infames dessa família, quando foi retratado no episódio O Feitiço de Lisa (13ª temporada, 2002) como um país onde onças andavam à solta pelas ruas e as pessoas só pensavam em sexo, além de outras particularidades que levaram autoridades brasileiras a se manifestar publicamente com arroubos patrióticos. Na Copa do Mundo de 2014, Homer e companhia também estiveram aqui para fazer piadas sobre esse tal soccer.

E assim caminham os Simpsons, com as baterias do humor e das críticas tão carregadas que ainda seguirão em frente por muito mais décadas, mostrando o que há de ridículo e engraçado na difícil tarefa de levar o mundo a sério.

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  • The Tarakian

    Para mim, as sete primeiras temporadas são as melhores porque tem as mãos de Brad Bird.

  • Henrique Brum

    serie foi ótima por muuitos anos….talvez a melhor de todos os tempos. Mas ficou inacreditavelmente ruim la pela 20º…a diferença é gritante, o tipo do humor é outro, a personalidade dos personagens são outras, não tem mais historias ou ritmo, o humor é burro. Não é nostalgia ou memorias falsas, passa até hoje episódios antigos na fox, intercalados com novos para comparação…os novos são insuportáveis…é como ver o que a marvel fez com o homem aranha de 2000 pra cá …elevado a decima potencia. chega a ser triste.

    • Rony Barbosa

      Exato

    • [Better Call Harvey]

      Cara concordo com você em tudo, só que pra mim a série começou a perder a graça na 14ª temporada

      • Henrique Brum

        é..pode ser por ai..não sei exatamente quando saiu dos trilhos…mas teve uma época que foi nítida a mudança…uma pena…

    • Tiago Salviatti

      Não acho que esse argumento seja de todo correto (sim, É nostalgia e SÃO memórias falsas). Os Simpsons não mudou tanto assim, o que mudou foi a televisão.
      Quando a série começou não tinha South Park, Archer ou Family Guy… Mesmo na tv com atores em carne e osso, a série começou nos tempos de sitcoms com risadas gravadas no estúdio e elencos presos a jargões e rotinas previsíveis… Afinal, é a década de “Cheers”, “Quem é o Chefe?” e “Full House”, todos estes seriados que HOJE parecem ultrapassados, cafonas e ruins (e soariam ainda piores se estivessem no ar por todo esse tempo).
      E não me leve a mal, sem sombra de dúvidas existe uma enormidade de pérolas mais antigas (mas não se engane que são todos incontestáveis, mesmo nas melhores temporadas), mas os episódios mais novos ainda conseguem acertar a veia de vez em quando (como o excelente episódio com Neil Gaiman ou o retorno da família amarela ao Brasil em que Homer apita a final da Copa)…