Recentes teorias científicas antevistas por HQs clássicas

Por Marcus Ramone
Data: 5 outubro, 2015

Nos últimos anos, a imprensa tem divulgado descobertas e postulados científicos que excitam a imaginação dos aficionados por quadrinhos de super-heróis. Desde a “kryptonita” sérvia à “Fortaleza da Solidão”, passando por dispositivos que podem gerar invisibilidade, diversos e incríveis elementos vistos apenas nos gibis vêm ganhando similares na vida real.

Talvez a mais fantástica das teorias transferidas para o campo da possibilidade e que tem uma grande relação com os quadrinhos foi divulgada em 2007 pelo físico teórico Martin Bojowald, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos. “É possível vislumbrar brevemente o começo do tempo antes do Big Bang”, afirmou o cientista ao jornal Nature Physics, referindo-se à explosão primordial que teria gerado o Universo.

Bojowald explica que tal vislumbre pode ser feito por intermédio de observações astronômicas (certamente auxiliadas por telescópios exponencialmente mais potentes que o Hubble) ou de supercomputadores programados para esse fim.

Para chegar a essa teoria, o cientista recorreu a cálculos baseados em “laçadas gravitacionais quânticas”.

Multiverso

Difícil de entender? Sem dúvida, mas basta tentar compreender a comparação entre o que se acreditava até há pouco tempo e o que Bojowald reformulou: o Big Bang, diz a teoria recorrente, foi precedido por infinitas energias e deformidades espaçotemporais que impossibilitam observações de quaisquer eventos anteriores a isso. Entretanto, agora, o físico teórico da Pensilvânia afirma que, apesar de muito poderosas, essas energias e deformidades eram finitas e que por isso mesmo é possível observar uma espécie de “pedaço da realidade” pré-Grande Explosão.

Agora vem a parte mais prazerosa para os fãs de HQs de super-heróis: no gibi Green Lantern #40 (volume 1), publicado nos Estados Unidos em outubro de 1965, o imortal Krona constrói uma supermáquina que permite perscrutar (e exibir em uma tela) imagens dos momentos que precederam o Big Bang, da mesma forma que o cientista da vida real Martin Bojowald parece crer possível existir.

Na trama da antiga HQ, quando Krona calibra o computador para seguir ainda mais no passado da pré-existência, repentinamente um feixe de luz destrói a máquina e transforma o personagem em um ser de energia que, a partir dali, vagou por bilhões de anos até ser libertado, acidentalmente, durante o “passeio” dos Lanternas Verdes Hal Jordan e Alan Scott entre seus mundos, respectivamente a Terra-1 e a Terra-2.

Vale lembrar que Krona acabou sendo o responsável pela criação do universo de antimatéria, de onde o Anti-Monitor deflagraria a Crise nas Infinitas Terras. O personagem voltaria a aparecer no crossover Liga da Justiça e Vingadores.

Nesse ponto, não há como escapar de outro fato curioso sobre ideias há muito tempo existentes nos gibis e que só agora são discutidas como possibilidades do mundo real: as realidades paralelas, ou, como devem preferir dizer os fãs das histórias em quadrinhos da DC Comics, infinitas Terras.

Crise nas Infinitas Terras

Isso porque o cosmólogo Paul Steinhardt e o físico Neil Turok, respectivamente de Princeton e Cambridge, nos Estados Unidos, partilham a ideia de que não aconteceu apenas um Big Bang, mas uma série infinita de grandes explosões que deram origem a incontáveis realidades perpetuamente colidindo-se entre si.

Aceitando tal hipótese, não haveria como descartar a existência de outras Terras semelhantes a esta que todos neste planeta conhecem bem.

Ou seria melhor deixar essas cogitações para os roteiristas de histórias em quadrinhos?

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