Resenha: Creed – Nascido para lutar é o Rocky da nova geração

Por Samir Naliato
Data: 15 janeiro, 2016

Alguns defendem a teoria da história cíclica. Ela diz que acontecimentos atuais já ocorreram antes de alguma maneira ou forma, espelha fatos do passado e tem seu período e relevância antes do declínio, apenas para voltar a se repetir no futuro.

Sem querer entrar no mérito da discussão, é curioso notar o que aconteceu na indústria do cinema norte-americano em 2015. Todos estamos familiarizados com continuações e até mesmo remakes, mas alguns dos maiores sucessos foram filmes que se prenderam fortemente nas estruturas narrativas das obras originais, evocando um grande sentimento de nostalgia.

Foi isso o que aconteceu, por exemplo, com as duas maiores bilheterias do ano passado: Jurassic World – O mundo dos dinossauros e Star Wars – Episódio VII – O despertar da Força.

O mesmo acontece com Creed – Nascido para lutar, um spin-off que procura reinventar a franquia Rocky.

Creed - Nascido para lutarCreed - Nascido para lutar

Rocky Balboa, o lutador de boxe que supera todas as adversidades, foi criado por Sylvester Stallone em 1976 para Rocky, filme no qual ele escreveu e atuou. O trabalho rendeu dois troféus do Oscar (Melhor Filme e Melhor Diretor) e ainda duas indicações ao mesmo prêmio para Sly: Melhor Ator e Melhor Roteiro Original.

O sucesso gerou cinco continuações e alguns altos e baixos de público e crítica. A última delas, Rocky Balboa (2006) foi elogiada e parecia ter colocado um bonito ponto final na longa trajetória do personagem.

Parecia.

A força para enfrentar obstáculos e voltar mais forte parece ser também uma característica da franquia, que agora foca em Adonis Creed para se revigorar e ter uma novo início e, consequentemente, mais chances de longevidade.

Adonis é filho de uma relação extraconjugal de Apollo Creed, o primeiro e maior adversário de Rocky, que com o tempo também virou seu grande amigo.

Ele tem emprego, mas não se sente feliz. Gosta de lutar e quer seguir a carreira de boxeador. É quando decide abrir mão de tudo para perseguir esse sonho, escondendo de todos seu sobrenome famoso para ser merecedor do sucesso por méritos próprios. Então, ele se muda para Filadélfia e procura Rocky para treiná-lo.

Creed - Nascido para lutarCreed - Nascido para lutar

Não é a primeira vez que Rocky Balboa é mostrado nos filmes como treinador. Essa tentativa foi feita em Rocky V, um dos mais fracos da série. Aqui, entretanto, é tratado de maneira mais séria, remetendo ao longa-metragem original.

Além disso, ele terá seus próprios desafios para vencer nesta história, dando a Stallone muito material com que trabalhar, realizando uma atuação admirável e comprovando que este é mesmo o principal papel da vida do ator.

Não é por acaso que venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante, o primeiro de sua carreira, e concorre novamente ao Oscar em 2016, na mesma categoria. A atuação de Sylvester Stallone o fez entrar em um seleto grupo que inclui apenas outras cinco pessoas: o de ser indicado duas vezes ao maior prêmio do cinema por interpretar um mesmo personagem (as outras foram Bing Crosby, Paul Newman, Peter O’Toole, Al Pacino e Cate Blanchett).

Outro ponto positivo do elenco é Michael B. Jordan e sua incrível transformação física. Ele dá a volta por cima, comprova seu talento e deve respirar aliviado após sofrer tanta pressão pela recente polêmica envolvendo a mudança de etnia do herói Tocha Humana no filme Quarteto Fantástico e o fracassado desempenho de público e crítica que a produção teve.

Creed - Nascido para lutar

Tudo isso sob o comando do diretor Ryan Coogler, de apenas 29 anos, que até então tinha apenas um longa-metragem no currículo (Fruitvale Station – A Última Parada, 2013).

Ele retorna às origens, filmando o pobre bairro da Filadélfia de maneira crua e realista, sem se render a estilos modernos e estilizados de fotografia. Nas cenas de ação, arriscou e conseguiu bons resultados, como em uma das lutas, filmada de maneira a dar impressão que toda cena é um plano-sequência (sem cortes). Este, obviamente, não é o caso, mas foi uma maneira original levar o esporte para as telonas.

Além disso, Coogler é o autor da história e coescreveu o roteiro.

O trabalho de destaque em Creed já lhe rendeu o comando de Pantera Negra para a Marvel Studios.

Creed - Nascido para lutar

Com tantos atrativos, o elo mais fraco fica com o antagonista Ricky Conlan (vivo por Tony Bellew, boxeador profissional e três vezes campeão na categoria peso-pesado). O desenvolvimento do personagem é limitado e sem o carisma de outrora de Apollo, servindo apenas como o obstáculo do protagonista.

A trama também exclui o filho do Rocky e sua ausência é explicada em uma passagem rápida. É compreensível, uma vez que o protagonista aqui é Adonis e essa é a história dele. Mas explorar a dinâmica entre os três personagens pode ser interessante. Quem sabe numa continuação?

Mas isso em nada enfraquece o resultado final. Creed é o Rocky da nova geração, mostrando que a força da história contada há 40 anos continua atual e relevante.

Creed – Nascido para lutar
Duração: 133 minutos
Estúdio: MGM e Warner Bros.
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler e Aaron Covington
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Tony Bellew, Ritchie Coster e Graham McTavish.

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  • Cláudio Corrêa

    Parece ser um filme forte em bem filmado, o bom e velho Rocky em toda a sua glória e drama.

  • Gabriel D Martins

    Minhas expectativas para este filme eram baixíssimas, mas com as críticas unânimes dizendo que ele é ótimo vou conferir.

  • Bom, filme. Mas não é tudo isso nao. As lutas não empolgam.

  • elaine

    filme MARAVILHOSO, muito bom mesmo. Minhas expectativas em relação a ele eram bem baixas, mas depois de assistir vi que ele é muito bom mesmo.