Resenha: Thor é diversão garantida em sua estreia no cinema

Por Zé Oliboni
Data: 2 maio, 2011

ThorNem a DC (uma das empresas do grupo Warner) tem como negar que a Marvel (que agora é parte da Disney) está trabalhando muito bem os seus personagens no cinema.

Thor não é apenas a franquia mais recente levada ao cinema, mas sim o penúltimo passo de uma jornada que levará ao apoteótico filme dos Vingadores – ainda resta o longa-metragem do Capitão América para fechar o ciclo preparatório da história.

Visto como parte de um todo maior, Thor é o filme que aponta mais claramente para os Vingadores. Tem uma presença marcante da S.H.I.E.L.D., deixando claro o seu poderio, conta com uma breve aparição do Gavião Arqueiro, já como operativo da organização comandada por Nick Fury, além de indicar (na cena final após os créditos) que Loki e o Cubo Cósmico farão parte da aventura por vir.

Claro que isso, junto com as diversas brincadeiras no decorrer da trama (como Donald Blake ser o nome do ex-namorado da personagem de Nathalie Portman, a já tradicional ponta de Stan Lee e outras), é um detalhe para fãs mais atentos e não vai arrastar multidões aos cinemas.

O que realmente faz a diferença é que Thor é um filme muito divertido.

O roteiro, que teve participação de J. Michael Straczynski, velho conhecido dos fãs de quadrinhos, tem todos os elementos que caracterizam as HQs clássicas do gênero: aventura, muita pancadaria e um tanto de melodrama. Afinal, as sacadinhas românticas, os ciúmes, traição e outros sentimentalismos são tão inerentes aos super-heróis americanos quanto seus poderes e grande parte desses personagens vive um novelão interminável há mais de meio século.

Vale dizer que a história obviamente deve muito aos quadrinhos: os personagens, em sua essência, são bem representados e há, espalhados pelo filme, momentos dignos das tramas clássicas das HQs. Os fãs facilmente reconhecerão pedaços pinçados de diversas aventuras de Thor – até um pouco da versãoUltimate do herói está presente. Mas a amarração de tudo isso é bem diferente dos gibis e funciona perfeitamente com uma (nova) origem bem enxuta do Deus do Trovão.

Nos quadrinhos, Thor já teve várias versões e fases. Teve uma contraparte mortal, foi separado em dois personagens (o humano e o deus), morreu junto com toda Asgard, retornou (como é comum quando se trata de super-heróis), além de diversos outros acontecimentos mais ou menos interessantes. No cinema, haveria dezenas de caminhos e abordagens para seguir, mas, pensando numa forma de cristalizar o essencial do personagem e seu elenco de apoio mais próximo, a trama está excelente.

Sim, é possível apontar alguns furos de roteiro, além dos absurdos inerentes a essas adaptações, mas é preciso lembrar que trata-se de um filme de super-heróis e sua principal função é ser divertido.

O que é mais legal: ver Thor invadindo uma base da S.H.I.E.L.D. e derrubando, no braço, todos os agentes treinados da agência ou um deles fazer o óbvio, sacar sua arma e acabar com uma divertida cena de ação em cinco segundos?

Thor Thor

Não é realista, pode-se considerar um baita furo de roteiro, mas, de novo, é um longa-metragem sobre um deus asgardiano caído na Terra…

Muitas pessoas também reclamaram do fato de Heimdall ser um negro no meio de deuses nórdicos. Longe de defender algo que parece uma política de cotas raciais no filme (há ainda um oriental no grupo principal de Asgard), mas é difícil criar qualquer argumento que levante a bandeira de uma mitologia nórdica em um personagem que se veste como um soldado romano. Ou alguém acha que o visual dos quadrinhos, com o capacete com asas, a capa vermelha e a armadura são 100% nórdicos?

A liberdade de mexer no personagem muito além do que sua mitologia original já foi tomada quando ele foi transportado para os quadrinhos. O filme nem tem a pretensão de ser uma tradução da mitologia, e sim uma adaptação das HQs e, com um pouco de sorte, algo novo.

Nisso, chega-se também ao visual futurista de Asgard. Há coisas que funcionam bem nos desenhos impressos, porém ficariam extremamente bregas no cinema. Uma cidade dourada com uma ponte do arco-íris não é algo que cairia bem na telona 3D. Afinal, no cinema, é mais difícil deixar atraente o excesso de brilho e cores do que a estética mais escura e menos metálica que muitas adaptações de super-heróis têm seguido.

Sobre o elenco, novamente a Marvel acerta. O grandalhão Chris Hemsworth caiu como uma luva para o personagem. Não só o visual combina, mas a forma de ele falar parece com algo que se esperaria do Thor – a fala dele se destaca das outras da mesma forma que nos quadrinhos, nos quais seus textos são escritos com uma fonte mais rebuscada que a dos mortais.

Natalie Portman, mais uma vez, está ótima. Clark Gregg, o Agente Coulson, que já tinha se destacado em Homem de Ferro, continua se mostrando um ator bem versátil – ele é conhecido por seu papel no seriado New Adventures of Old Cristine. E a grande surpresa é Ray Stevenson – o Justiceiro do fracassado filme Justiceiro – Zona de Guerra -, que encarnou muito bem o volumoso Volstagg.

Enfim, Thor é um filme divertido, bem juvenil e super-heroico. Deixa o espectador, inclusive, com muita vontade de ler quadrinhos e é relativamente honesto com o que se encontra nas HQs do gênero: um entretenimento sem grandes requintes e pretensões, que não deve ser levado a sério.

Sobre a preparação para o filme dos Vingadores, resta saber se a Marvel conseguirá juntar, no imaginário do público geral, essa trama que os fãs de quadrinhos têm acompanhado com bastante atenção.

Não que isso seja algum indicativo, mas pode-se notar nos cinemas que pouquíssimas pessoas permanecem até o final do filme para ver a cena que amarra a história por vir. E algumas das que ficam não entendem direito o que quer dizer aquilo.

Mas como, individualmente, os filmes têm sido grandes sucessos comerciais, fica a torcida para que o mesmo aconteça com a reunião de tudo, em Os Vingadores.

Thor
Duração: 115 minutos
Estúdio: Marvel Studios e Paramount Pictures
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz e Don Payne
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Fiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Kat Dennings, Clark Gregg, Idris Elba, Jamie Alexander e Rene Russo.

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