André Diniz comenta o lançamento de Duas Luas no Festival de Amadora

Por Marcelo Naranjo
Data: 23 outubro, 2013

O quadrinhista André Diniz participará da 24ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada 2013, em Amadora, Portugal, entre os dias 25 de outubro e 10 de novembro.

Na ocasião, ele vai anunciar o seu mais novo trabalho, a HQ Duas Luas,  ilustrada por Pablo Mayer e lançada no mercado português pela editora Polvo.

Roteirizada por Diniz, a obra mistura drama e humor para contar a história de Nilo, um boa-praça que toca o bar que herdou de seu pai. Porém, com muitos problemas, ele não consegue mais dormir. O sono não vem, mas os sonhos sim; e saem do controle. Aos poucos, realidade e sonhos se misturam e Nilo precisa enfrentar seus problemas em meio aos delírios e fantasias do mundo onírico e aos fantasmas de seu inconsciente.

Durante o evento, o autor também promoverá outras HQs já editadas no Brasil, além de participar da exposição coletiva Seis esquinas de inquietação, que reúne trabalhos de seis autores brasileiros contemporâneos: André Diniz, Marcelo D’Salete, Pedro Franz, Diego Gerlach, André Kitagawa e Rafael Sica.

O Universo HQ conversou com Diniz, autor, dentre outros, de O Quilombo Orum Aiê, O Negrinho do Pastoreio e Morro da Favela.

Universo HQ: André, o que o motivou a lançar uma HQ inédita primeiramente em Portugal?

André Diniz: Desde o Morro da Favela, criei um vínculo muito bom com Portugal e com a editora Polvo e posso dizer que já tenho Rui Brito, o editor, como um amigo. Comentei sobre o Duas Luas quando o roteiro já estava pronto e os primeiros desenhos já eram feitos pelo Pablo Mayer e ele se empolgou tanto que já agendou o lançamento para o festival de Amadora, o maior festival de HQs (ou BDs, como eles chamam por lá) de Portugal. O Pablo Mayer fez o último traço e o livro já estava pra entrar na gráfica! Daí, Portugal saiu na frente…

UHQ: O que você espera do Festival de Amadora?

Diniz: Estive pela primeira vez em Portugal em janeiro deste ano e fiquei impressionado pela acolhida e simpatia do povo de lá. Acho que nunca fiz tantos amigos em tão pouco tempo, eles são simplesmente encantadores e, por si só, isso já seria motivo suficiente para voltar pra lá. Embora o mercado, lá, esteja encolhido pela crise que acertou Portugal em cheio, o festival de Amadora é um dos mais importantes do mundo e, pra mim, é só motivo de orgulho estar lá como convidado e expondo meus trabalhos. Devo muito do que sei de quadrinhos aos portugueses, pois nos anos 1990 eram as edições portuguesas que traziam para cá HQs mais autorais, diferentes do que saía na banca de jornal.

UHQ: Em quais países você publicou suas obras na Europa? Como é a recepção ao seu trabalho nesse mercado?

Diniz: Publiquei Morro da Favela na França, Inglaterra e Portugal. Em termos de vendas, a HQ cumpriu bem o seu papel. A surpresa foi na repercussão, muito positiva, com resenhas em diversos veículos de mídia, incluindo publicações conhecidas mundialmente, como Paris Match, L’Express e Le Figaro.

UHQ: Fale um pouco sobre Duas Luas. No que difere de seus trabalhos anteriores?

Diniz: Duas Luas tem um pouquinho de drama e de suspense, mas é a dose de humor que a diferencia dos meus últimos trabalhos. Acho que eu estava devendo isso aos meus leitores. É uma história fictícia passada nos dias de hoje, algo também que havia muito eu não fazia. Fora a parceria com outro desenhista, experiência que não fiz desde 7 Vidas, que saiu em 2009 com os desenhos do Antonio Eder.

UHQ: Como foi a parceria com Pablo Mayer neste álbum?

Diniz: Sou fã há muito tempo do traço do Pablo e até abri a ele uma exceção: foi a primeira vez que convidei no escuro um desenhista pra desenhar um roteiro meu. Gosto de fazer parcerias com amigos, com gente de quem eu conheço o temperamento e que sei que se alinha bem com o meu. Tem dado certo até agora: nunca tive estresse com um desenhista sequer. Com o Pablo, corri o risco, pois não o conhecia quando fiz a ele a proposta. Bom, devo ter algum tipo de intuição, afinal, pois tudo correu às mil maravilhas e ainda ganhei um amigo, de quebra.

Duas Luas

 

 

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