Felipe Cagno inova e faz pré-venda de material financiado pelo ProAC no Catarse

Por Sidney Gusman
Data: 10 fevereiro, 2017

No dia 8 de fevereiro, o roteirista Felipe Cagno surpreendeu ao colocar no Catarse o projeto Bom Demais, que tem desenhos de Bruno Oliveira, cores de Ivan Nunes e letras de Deyvison Manes. Isso porque o álbum foi um dos ganhadores do ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo em 2015, e já está impresso. Ou seja, ele não está buscando um financiamento, como geralmente acontece.

Autor de seis projetos de quadrinhos bem-sucedidos no Catarse, Cagno usou a plataforma para fazer uma pré-venda de seu trabalho mais recente, aproveitando a base de fãs que já tem ali. Por isso, a campanha durará apenas uma semana (termina dia 15 de fevereiro), só tem um valor de apoio (R$ 35,00)  e não traz recompensas a não ser a própria edição, com frete gratuito.

Depois haverá ainda um segundo lote de pré-venda, mas o valor subirá para R$ 40,00, para cobrir as despesas com frete. Nos dois casos, contudo, o Catarse receberá 13% do valor arrecadado, como em qualquer outro projeto.

Vale dizer que não é primeira vez que um material que já tem a garantia de lançamento utiliza o Catarse. Em 2016, Ivan Freitas da Costa realizou a campanha do anuário da Chiaroscuro Studios, que seria (e foi) lançado na CCXP – Comic Con Experience. A diferença é que havia diversos pacotes de apoio e recompensas.

Bom Demais, no entanto, gerou uma saudável discussão nas redes sociais. A maioria apoiou a iniciativa, mas muitos leitores e autores acharam que o Catarse estaria servindo como uma loja online.

“O Catarse pode ter múltiplos usos. Muitas vezes, esses usos são diferentes do que pensamos a princípio, e acho isso muito rico. Inicialmente, a plataforma foi pensada para projetos criativos, mas descobrimos que muitos projetos sociais também se beneficiariam da ferramenta e a adaptamos pra melhora atender a todos”, disse Diego Borin Reeberg, diretor do Catarse, ao Universo HQ.

É importante esclarecer que, nos Estados Unidos, editoras como a Fantagraphics e a Top Cow já usaram o Kickstarter (que inspirou a criação do Catarse no Brasil) para seus produtos.

“Uma grande força do financiamento coletivo é aproximar criadores e público, e se isso for feito de uma maneira transparente e legal, tem muito a ver com o Catarse. Porque, no fim, o público é que decide se um projeto deve ou não ser financiado. Essa é uma das belezas de ser um modelo democrático”, explica Reeberg. “Eu entendo a preocupação de tudo virar pré-venda, mas não acho que vá acontecer. Continuaremos tendo um monte de gente incrível, com projetos maravilhosos, que vai continuar fazendo com que a plataforma seja, pra muitos, esse espaço onde as ideias saem do papel. Então, que cada vez mais pessoas usem o Catarse de jeitos diferentes!”

Também foi levantada a questão de o projeto ter recebido os 40 mil reais do ProAC. Em sua página no Facebook, Cagno ponderou que a quantia recebida para a produção não prevê a distribuição, que é um problema bastante conhecido de quem produz quadrinhos de forma independente. “Esse foi meu pensamento quando decidi fazer a campanha dessa forma. Tenho uma lojinha virtual que a maioria do meu público desconhece, e como todo mundo já fica na expectativa de ver meus projetos no Catarse, tentei juntar o útil ao agradável”, explicou.

Na trama de Bom Demais, Rafael Mantovani trabalha em uma loja de quadrinhos e sonha um dia se tornar um autor de sucesso. Camille Bittencourt é uma das jovens atrizes mais cobiçadas de Hollywood. Ele sonha com ela, ela nem sabe que ele existe.

Mas quando o melhor amigo de Rafael, Marcelo, marca seu casamento, o aspirante a quadrinhista é obrigado a deixar o apartamento onde morava e voltar a morar para a casa dos pais. É então que algo improvável acontece: ele conhece Camille.

Após as campanhas no Catarse, Felipe Cagno venderá o álbum em gibiterias e nos eventos de que participa, como faz com seus outros projetos.

 

.

Bom Demais

• Outros artigos escritos por

.

  • Henrique Brum

    sempre vi catarse como uma pré venda…independente de como os autores chamam. Fãs pagam o produto adiantado para custear a impressão do mesmo. É uma ótima plataforma pra esse uso. Nesse caso é um assunto mais delicado por ser projeto com dinheiro de governo. Valeria lembrar na matéria que esses projetos tem regras de exemplares devem ser doados gratuitamente e exigências do tipo. Ainda mais em tempos que ministério da cultura esta exigindo que Claudia Leite devolva o dinheiro Rouanet que coletou para show e depois cobrou por ingressos…

    • brunoalves65

      O Felipe falou em sua página no face que cumpriu as exigências do edital no caso da distribuição gratuita para escolas, bibliotecas, o próprio PROAC, etc.

      • Henrique Brum

        é eu sei…só comentei que valeria lembrar na matéria já que o texto diz que o assunto estava tendo polemica…

  • Canoa Furada

    Situação curiosa, mas achei legal o tom positivo da notícia.