José Aguiar conversa com o Universo HQ sobre Folheteen – Direto ao ponto

Por Marcelo Naranjo
Data: 26 junho, 2013

Folheteen - Direto ao PontoO quadrinhista José Aguiar não para.

No começo de junho, ele lançou o livro Folheteen – Direto ao ponto, trazendo uma HQ completa com a personagem Malu. Foi quando abriu uma exposição no Museu da Gravura, em Curitiba, com originais, rascunhos e impressões desta história. Antes disso, lançou Reisetagebuch – Uma viagem ilustrada pela Alemanha, que é exatamente isso – um relato ilustrado da viagem que fez para aquele país.

Responsável pelo site Quadrinhofilia, que apresenta o seu trabalho, ele também é um dos criadores do projeto Cena HQ Brasil, que levou ao teatro a leitura de diversas obras em quadrinhos. Curitibano, foi convidado pela Fundação Cultural de Curitiba a ser um dos artistas que ilustraram a logomarca comemorativa dos 320 anos da cidade.

Também é cocriador da Gibicon – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba e publica as tiras Folheteen e Nada Com Coisa Alguma no jornal Gazeta do Povo.

Folheteen – Direto ao ponto (formato 21 x 28 cm, capa dura, 64 páginas, R$ 49,00) tem distribuição da editora Zarabatana Books. Na trama, o leitor conhece um estranho mundo habitado por irmãos chatos, pais separados, amigos tapados e subempregos, que mais atrapalham do que ajudam.

É nele que vive Malu – um estranho e deslocado ser diante dos desafios do dia a dia. Essa adolescente, que se sente sempre fora de contexto, busca a si mesma numa Curitiba imaginária, que poderia ser qualquer cidade do planeta. O livro narra uma nova história sobre como pode ser dura ou adorável a vida de alguém que não sabe ir direto ao ponto.

A personagem Malu foi vencedora do I Concurso Internacional de Quadrinhos do Senac-SP, que lhe rendeu a publicação do seu primeiro livro Folheteen (Devir, 2007). Posteriormente, foi lançada a coletânea Folheteen – Tiras pra todo lado (Quadrinhofilia, 2012), antologia das melhores tiras publicadas no jornal Gazeta do Povo.

O Universo HQ conversou com José Aguiar sobre Folheteen e também seus futuros projetos. Confira.

Folheteen - Tiras pra todo lado

Universo HQ: Como surgiu a ideia da trama de Folheteen – Direto ao ponto?

José Aguiar: Esse livro é uma continuação indireta do primeiro livro, que lancei em 2007 pela Devir. Não é necessário ler a obra anterior, mas há muitas ideias e situações que vieram de lá e foram amadurecidas. Considero este livro o “recomeço” da série, cujos personagens foram amadurecidos nos últimos anos nas tiras de jornal.

UHQ: Você prefere trabalhar com as tiras ou HQs fechadas? Quais as principais diferenças?

Aguiar: Gosto de ambas as “metragens”. A tira é desafiadora pelo poder de síntese que me obriga a ter. Já as narrativas longas me dão mais liberdade até mesmo esteticamente. Sem falar que posso explorar muito mais do cotidiano dos personagens e suas interações com o universo que habitam. Na tira, isso acontece muito mais lentamente…

UHQ: Como é a recepção do público, especialmente os jovens, com a Malu?

Aguiar: Folheteen tem sido muito bem recebida em especial pelas leitoras, devido aos questionamentos da Malu, que tento construir como uma personagem realmente feminina. Mas, para minha surpresa, tanto as tiras como os livros têm agradado muitos leitores e leitoras na casa dos 30 anos. Creio que ha muita identificação com situações vividas. Infelizmente, os adolescentes não são muito de manifestar o que pensam sobre a série. Mas já recebi relatos de meninas que nem liam HQs e que adoraram Folheteen. Acho que é com elas que Malu fala mais forte.

Folheteen Tira

UHQ: Além de Reisetagebuch e Folheteen – Direto ao ponto, teremos mais algum lançamento seu este ano?

Aguiar: De imediato, estou preparando a primeira coletânea da minha tira Nada com coisa alguma, que pretendo colocar no Catarse (Nota do UHQ: plataforma colaborativa de financiamento) para ser meu lançamento exclusivo do próximo FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Como coordenador do projeto, lançarei o livro Osmose pela editora Libretos, que é o resultado de um intercâmbio de quadrinhistas brasileiros e alemães realizado no ano passado.

Meus próximos projetos em andamento, para serem lançados pela Quadrinhofilia entre 2014 e 2015, são Vigor Mortis Comics 2 – Sangue, suor e nanquim; Coisas de Adornar Paredes, uma narrativa cotidiana permeada de histórias de realismo fantástico; Infância do Brasil, uma viagem ao longo da história de nosso país sob uma ótica infantil. Além desses, claro, pretendo lançar novas graphic novels de Folheteen, e manter as tiras dessa série e de Nada com coisa alguma.

Tenho também outro projeto ainda sem editora, mas já iniciado, que é minha adaptação de 20 mil léguas submarinas, de Julio Verne, esperando o editor certo, que possa, quem sabe, estar nos lendo agora.

Isso é o que há de concreto no momento. Mas sempre pode surgir um convite irrecusável e inesperado (risos). Acho que é o suficiente por ora, não?

Folheteen - Direto ao Ponto, página 12

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