Mais uma comic shop tradicional fecha as portas nos EUA

Por Marcus Ramone
Data: 21 janeiro, 2016

Ainda não há dados em maior escala, mas, pontualmente, continuam  os registros de comic shops dos Estados Unidos encerrando suas atividades.

Nesta semana, a nova-iorquina The Den Comics, que estava no mercado havia 25 anos, fechou as portas.

Os proprietários Luis e Janet Vargas atribuíram a derrocada de sua empresa ao crescente número de leitores online, em detrimento dos colecionadores de revistas de papel. “Não temos mais leitores ‘físicos’. É triste, mas os jovens estão crescendo usando todas essas tecnologias. É como um hobby morrendo.”

Na página de Facebook da gibiteria, os Vargas também não pouparam a Diamond, alegando uma série de problemas com a distribuidora, uma reclamação comum entre as comic shops no mercado direto dos EUA.

O editor e vice-presidente de publicidade da Archie Comics, Alex Segura, manifestou-se nas redes sociais sobre o fim da Den: “Vai ser uma grande perda para a comunidade. Foi um ponto de encontro muito importante para os fãs de quadrinhos no Queens.”

Há poucos anos, a MacGuffin, uma das maiores e mais antigas comic shops dos Estados Unidos, também sucumbiu à queda das vendas.

The Den Comics

• Outros artigos escritos por

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  • Sarah Oliveira

    Triste.

  • Carlos EJT Vázquez

    É complicado… com a possibilidade de ler os quadrinhos em um tablet, as revistas mensais perdem um pouco o sentido para quem só quer ler e não necessariamente colecionar as revistas físicas.

  • Hayla Silva

    Trágico =(

  • Nightwing

    Mesmo com um mundo hqs online e scans, eu prefiro o físico. Ler no pc me incomoda e cansa a vista. Até uns 10 anos atrás isso não acontecia e mesmo assim,sempre quis o físico. Mas agora ocorre,tanto que precisei usar óculos. Essa juventude hoje não liga pra isso agora. Lá na frente vão sentir. E nada supera a sensação de ter e folhear uma hq, o cheirinho de papel.Principalmente um clássico.

    • Lukas Adams

      é bem isso cara, eu consigo no máximo ler 3 ou 4 revistas no tablet já fico com dor nos olhos, enquanto papel eu leio um encadernado quase inteiro de boa, e o cheiro de uma hq nova é tão bom, é realmente uma pena que o mercado já não seja como antes

    • .Jøãø Mär¢øs

      Nada supera a HQ física mesmo! Tenho medo de um dia nós fircamos sem elas ainda ..

  • Stephan

    Se lá está assim, imaginem aqui…
    O constante declínio nas vendas de livros e gibis deve-se também ao estímulo exagerado a favor das mídias visuais. Por outro lado, muito do que é produzido atualmente no mundo quadrinhístico/literário deixa a desejar em termos de roteiro e/ou enredo, com fórmulas batidas usadas a exaustão e intermináveis reboots, afastando os leitores veteranos e enjoando rapidamente os novos.
    Não deixa de ser irônico que as próprias editoras contribuíram para tal quadro, ao privilegiarem a venda de direitos cinematográficos em detrimento do que, em tese, seria seu foco principal, ou seja, a publicação de livros e revistas; os subprodutos que surgiam, tais como games e filmes, eram um adicional bem vindo, e não a atual razão de ser da Marvel e DC.

    • rafael

      Concordo com vc amigo. Na minha opinião que mostra meu gosto pessoal, os enredos das histórias em quadrinhos dos anos 80 e 90 eram ótimos. Reboots faz exatamente isso que vc falou, afasta os mais veteranos. Fora a distribuição de quadrinhos que tá uma vergonha, em fevereiro acho que consigo ler os títulos de dezembro. Não me surpreende se no Brasil as livrarias e bancas começarem a dar um ponto final nos quadrinhos.

      • Stephan

        Na verdade, são pouquíssimas as livrarias e bancas que ainda vendem gibis por aqui. Particularmente, prefiro os enredos dos anos 70 e 80, pois na década de 90, salvo as exceções de praxe, as histórias foram contaminadas pelo estilo Image de ser.
        De uns tempos para cá, há uma certa falácia – especialmente em festivais bancados por dinheiro público – de que agora pode-se viver exclusivamente de quadrinhos no Brasil, mas eis que a realidade diz o contrário, pois se assim fosse, não haveria a decadência do mercado nacional, que, ano após ano, só se acentua!
        Se por um lado há o cenário independente que nos proporciona excelentes obras feitas por profissionais que de fato amam os Quadrinhos, por outro há a saudade de um tempo em que aqui já existiram mais de 40 editoras estabelecidas que, juntas, lançavam, literalmente, CENTENAS de títulos mensais – inclusive de autores brasileiros – tudo isso sem leis de Incentivo à Cultura e outros estímulos governamentais que, em geral, são “cartas marcadas”, por assim dizer…

        • Etnos De Jesus Santos

          Muito bem colocado Stephan as duas resposta que vc deu Exemplifica muito o atual momento.

          • Stephan

            Outro detalhe que chama a atenção é que, não obstante os diversos eventos voltados à Nona Arte que pululam pelo Brasil afora, praticamente não tem surgido novas editoras que, porventura, pudessem absorver os profissionais da área. Não deixa de ser irônico que, no passado, ocorria o contrário, ou seja, quase não havia eventos desse tipo mas, por outro lado, os desenhistas encontravam trabalho (ainda que na Publicidade) o que deveria ser objeto de debate, mas é provável que a politicagem que tomou conta do meio impeça que se questione isso muito a fundo.
            Acaba que, para muitos, não resta outra alternativa senão migrarem para outras profissões ou conciliar a atividade artística à outra fonte distinta de renda, o que é o caso da maioria dos quadrinhistas independentes.

    • Robson Anjos

      Produções como o recente Quarteto Fantástico e a reformulação da Marvel pós ” a mais recente ” Guerras Secretas são a prova disto. Sinto saudades de meados dos anos 80 quando iniciei minha coleção de gibis. O ” cheiro de uma hq nova ? ” E a expectativa pela próxima edição então ? A Primeira Guerras Secretas, Crise nas Infinitas Terras, Odisseia Cósmica, O Superalmanaque Marvel nos finais de ano, as edições gigantes de Conan o bárbaro,putz é tanta coisa pra lembrar. Bons tempos.

      • Stephan

        Felizmente conhecemos uma época bem melhor do que a atual. Enquanto as editoras fingirem que essa crise criativa, a qual, por sua vez, impacta diretamente seu setor financeiro, continuaremos a presenciar os quadrinhos sofrerem uma morte lenta e dolorosa.

        • Stephan

          Correção: “fingirem que essa crise criativa não existe”.

    • Carlos

      Cara, aqui o mercado inexiste. São gibis com altos preços em livrarias, lançamentos online que poucos lêem e o que sai em banca quase não é comprado. Talvez um dia o online funcione aqui, mas acho brabo, já que a gente não gosta de pagar nem um real por qualquer coisa na internet. Sei lá. A única coisa que meio que funciona são os lançamentos do catarse, e mesmo assim quem observar vai ver todos os problemas que os caras tão tendo para entregar as publicações. Tudo aqui é muito complicado, desde o leitor até o mercado pífio que temos.

      • Stephan

        O que, de certa forma, põe por terra o argumento dos que dizem que, “agora sim, dá pra viver só de quadrinhos no Brasil”.
        Ressalta-se, contudo, que outrora existiu um mercado por aqui, ainda que ele tenha estado longe do ideal; basta ver a quantidade de títulos – inclusive os do gênero erótico – que já passaram pelas bancas de revistas! Havia editoras não só nas capitais de SP e RJ, mas também no interior desses Estados. E a maior parte dos títulos tinham preços acessíveis, ao contrário de hoje, em que dificilmente há títulos que prestem abaixo dos R$ 25,00/ R$ 30,00.

  • Alessandro Souza

    As coisas mudam. Quando eu era guri além dos gibis tinha uma outra leitura que eu adorava: livros de faroeste. “Paulada na moleira”, “cunhada safada”, “A filha do diabo”…. Eram varios titulos. Hoje isso acabou. E as revistas policiais como x-9 da Rge? Tudo acabou.

    • Stephan

      Os pulps tipo X-9, Policial em Revista, Contos Magazine, Meia-Noite, Coyote, os livros de bolso da Bruguera e Cedibra, enfim, tudo isso era a literatura de consumo de massa voltada ao público adulto da época, que, em grande parte, ainda via os gibis como revistas apenas para crianças.
      Com o advento da TV, eles foram perdendo espaço e, tal qual ocorreu nos Estados Unidos décadas antes, sumiram de vez das bancas.
      Mesmo antes da atual crise econômica, o brasileiro perdeu o gosto pela leitura – inclusive aquela considerada mais popular – o que, de certa maneira, explica o sumiço de vários gêneros antes considerados fortes no cenário editorial, como o Terror, por exemplo.

      • Não sei se vocês sabem, mas esses livros de bolso ainda circulam por aí. Em muitas bancas e sebos, eles podem ser comprados, vendidos ou trocados. Geralmente ficam perto daqueles romances tipo “Sabrina”, as bancas que negociam esses romances quase sempre negociam também livros de bolso, de aventura, espionagem, terror, policial, ficção, faroeste, etc. Claro que não se pode exigir um estado de conservação muito bom já que a maioria deles já passou por muitas mãos, e não sei se ainda tem editoras publicando novos, mas eles estão ali, ainda existem e ainda tem público.

        • Stephan

          Sim, é possível adquiri-los usados, mas acho que, salvo Estefânia, os demais não são publicados há muito tempo.
          A questão é que o mercado editorial se encolheu muito em relação à diversidade, e gibis já deixaram de ser itens populares não só devido aos preços mas também às eternas reformulações.
          Para piorar a situação, a leitura em papel não está entre as prioridades na era dos Ipods e afins, mas eu não troco o meu material físico por nenhuma versão digital.

        • Stephan

          Os livros de bolso de terror e de ficção científica já não são mais publicados pela Cedibra e pela Bruguera desde os anos 80; em sua maioria, eram de autores espanhóis, que escreviam sob pseudônimos americanos.

    • Dimas Mützenberg

      Eu também curtia muito esses pulps de faroeste. Meu pai e meu tio sempre chegavam em casa com alguns “Estefania”. Como você falou, isso não existe mais. Espero que os gibis como conhecemos não entrem nesse caminho.

  • Caras, eu prefiro mil vezes os quadrinhos físicos aos digitais. Mesmo os scans gratuitos (escaneados por fãs) q costumo baixar, eu raramente leio, mas hoje estou com uma grande preocupação: não estou tendo mais espaço em casa para guardar as novas HQs físicas (e essa onda de HQs capa dura, apesar de bonitas, ocupam muito espaço desnecessário). Tenho quase 2.300 HQs!

  • Heberton Arduini

    Não tenho nada contra quadrinhos digitais. Mas leio-os pouco pois adoro as revistas fisicas, de tê-las na estante. Se não fosse esse fetiche de colecionar não teria dificuldade em ler dogital, desde que seja no tablet pois no desktop ninguem merece.

  • Emir J. S. Bezerra

    Acredito que isso se deve ao fato dessas lojas também não diversificarem na hora de vender. Ficam batendo em cima de grandes editoras por que é lucro certo e perdem um publico mais leal, que curte temas novos, linguagem narrativas mais cativantes e tal. Esse lance de toda semana só o vilão, arcos se repetindo, e saga sendo relançada, acabou com com a qualidade de enredo de historias ligadas a Marvel e DC. Fora que os colecionaveis nessas lojas duplicam de valor, então juntando isso ao formato online, as lojas de varejo que vendem também artigos para colecionar e livraria, quem perde é o leitor que curte aquele espaço mais tranquilo e com pessoas que pensem como eles para trocar ideia. Mas não fico com dó não, vivemos em pleno 21, e lojas como essas apenas ignoram isso, e seguem achando que consumidor bom é aquele que gasta só com as tradicionais editoras.

  • Guilherme Baruch

    Aqui no Brasil me preocupa muito o monopólio da Panini. O fracasso da X-O Manowar da HQM e o fim da Juiz Dread Magazine, que eram ótimas publicações, me deixou muito desanimado. Só compro da Panini hoje em dia Star Wars, o resto é digital e numa pegada mais alternativa.