Raphael Fernandes fala sobre nova HQ Apagão: Cidade sem lei/luz

Por Marcelo Naranjo
Data: 15 abril, 2015

Apagão - Cidade sem lei/luzRaphael Fernandes (Ditadura no ar, MAD) é mais um dos “loucos” que decidiram viver dos quadrinhos. Alguns de seus trabalhos incluem editar a revista MAD, a série Imaginários em Quadrinhos e roteirizar a HQ Ditadura no ar.

O novo trabalho de Raphael é a HQ Apagão: Cidade sem lei/luz, com arte do artista Camaleão. O título foi viabilizado a partir de uma campanha bem-sucedida na plataforma colaborativa Catarse e publicado em conjunto com a Editora Draco.

Na trama, depois de um blecaute que parece não ter fim, as ruas de São Paulo viram um verdadeiro campo de batalha, em que gangues de arruaceiros se enfrentam por território e recursos.

Nessa cidade dominada pela lei do mais forte, o mestre de capoeira Apoema e seus Macacos Urbanos buscam reconstruir a sociedade e oferecer resistência à loucura que domina as ruínas da megalopóle.

No final do ano passado, a Editora Draco lançou o oneshot Apagão Extra: Ligação Direta e agora vai investir na expansão desse universo com produtos licenciados, como RPG, trilha sonora, miniaturas e mais – é possível conferir a trilha sonora neste link e ler a HQ em conjunto com a música.

Apagão: Cidade sem lei/luz tem formato 17 x 24 cm, 96 páginas e será colocado à venda nas versões digital (R$ 19,90) e álbum (R$ 39,90). A obra terá tarde de autógrafos no próximo 25 de abril, na Geek.etc.br (Conjunto Nacional, Avenida Paulista, São Paulo/SP), e no dia 2 de maio, na Comix Book Shop (Alameda Jaú, 1998, São Paulo/SP).

Raphael conversou com o Universo HQ sobre o novo livro.

Universo HQ: Qual o tema e o contexto da nova HQ?

Raphael Fernandes: Após três meses sem eletricidade, São Paulo se torna uma verdadeira terra sem lei, onde quem sobrevive é sempre o mais forte. Dominada por gangues de delinquentes, o centro da cidade é um verdadeiro campo de guerra, em que território e recursos são disputados na porrada. Em meio a tudo isso, um grupo chamado Macacos Urbanos busca reconstruir a cidade e ajudar as pessoas a sobreviverem a esse verdadeiro mundo apocalíptico.

Universo HQ: Quando você escreveu o roteiro, chegou a pensar no momento pelo qual o País passa, com problemas de água e energia?

Raphael: Na verdade, o Brasil sempre sofreu com a situação precária no abastecimento de água e luz. A história começou no blecaute de 2009, quando mais da metade do País ficou sem energia elétrica por horas. Existe uma cidade mais dependente de eletricidade do que São Paulo? Apagão é como acompanhar os dias em que esse poderoso centro urbano sofre pela abstinência de seu maior vício.

Universo HQ: Você não acha que os leitores vão fazer essa relação?

Raphael: O álbum levanta uma série de questões que eu gostaria de ver as pessoas refletindo e discutindo mais. Discursos de ódio, religião, política, revolução sexual, gênero, amizade, espiritualidade, capoeira etc. Reuni uma porção de coisas que considero relevantes e construí um mundo onde tudo isso é discutido na porrada. Tudo desenhado pelo sensacional Camaleão!

Universo HQ: A HQ tem trama fechada ou terá continuação?

Raphael: Meu planejamento é que cada álbum tenha quatro histórias fechadas que formam um arco maior, que em conjunto com os outros dois álbuns que fecham a trilogia formam a grande narrativa de Apagão. No entanto, o álbum pode ser lido de forma independente. Além dessa trilogia, nós vamos manter um título de histórias curtas chamado Apagão Extra, em que histórias fechadas serão narradas dentro do universo de Apagão. A ideia é que seja um universo expandido que possa ser acompanhado de forma independente, mas que seja um entretenimento bem mais interessante como um todo. Vamos até expandir para outras mídias, como RPG e trilha sonora (que está disponível no Youtube).

Universo HQ: O título foi viabilizado pelo site de financiamento coletivo Catarse. Como foi trabalhar dessa forma?

Raphael: Foi muito bom ter a exposição e começar com a verba mínima para a produção. No entanto, a forma como o público vê esse tipo de iniciativa ainda é muito ligada às políticas de pré-venda. Um financiamento coletivo deveria ser o pontapé inicial para a criação e produção de alguma coisa. Da forma como somos cobrados, mais parece que eu fiz uma pré-venda ou estou trabalhando para quem colaborou. Fico feliz de ver que a maioria dos colaboradores acompanhou com carinho cada uma das nossas atualizações e percebeu que o projeto tomou muito mais tempo, dinheiro e esforço do que havíamos planejado. Porém, Camaleão, toda a equipe e eu buscamos sempre o melhor resultado possível! Nunca me envolvi em um projeto tão bom quanto esse. Eu faria outro financiamento coletivo, mas já estaria com tudo pronto.

Universo HQ: Será possível encontrar a HQ à venda ou apenas quem colaborou terá acesso à obra?

Raphael: Apagão estará à venda nas principais livrarias, comic shops e lojas especializadas. Também pode ser adquirido pelo site da Editora Draco.

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