100 Balas – Volume 13 – Condenados

Por Liber Paz
Data: 8 março, 2013

100 Balas - Volume 13 - CondenadosEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Brian Azzarello (roteiro), Eduardo Risso (arte) e Patricia Mulvihill (cores) – Histórias originalmente publicadas nas edições # 84 a # 88 da série 100 Bullets.

Preço: R$ 18,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Fevereiro de 2013

Sinopse

A dama esta noite – Sigmar Rhone é chefe de uma das famílias do Cartel. Influente, controla tudo ao seu redor. Ou quase tudo.

Dia da caça – Lono se reencontra com uma pessoa de quem nem se lembrava mais. Mas ela se recorda muito bem dele.

Chove chuva – Victor Ray realiza mais uma missão contra o Cartel e também resolve uma pendência extra.

Bico – Will Slaughter é procurado por Joan D’Arcy, chefe de uma das cada vez mais raras famílias do Cartel. Mas quem é Will Slaughter?

Meu amigo solitário – Cole Burns decide fazer uma “retribuição” a um colega Minuteman, mas descobre que “retribuições” podem vir de diversas direções, quando menos se espera.

Positivo/Negativo

A presente resenha apresenta informações que podem estragar surpresas das tramas citadas. Enfim, se o leitor quer evitar spoilers, leia primeiro a história em quadrinhos aqui analisada.

Este volume reúne cinco histórias não diretamente relacionadas entre si, que podem ser consideradas como cenas de bastidores no avanço para a conclusão da série 100 Balas.

Nesses episódios são feitas alianças, reflexões, preparativos e assassinatos. Tudo se encaminhando para o grande final, que acontecerá, no Brasil, daqui a dois volumes.

Além da trama e do destino dos personagens, existem muitas coisas que fascinam em 100 Balas. Uma delas são os pequenos significados e reflexões que se escondem em cada conjunto de histórias.

Assim, as desta edição, embora pareçam independentes, têm em comum uma ideia: qual é a diferença entre algozes e vítimas? A resposta: uma questão de momento.

Sigmar Rhone é um chefe do Cartel que demonstra seu poder logo nas primeiras páginas de A dama esta noite. Mostra que pode facilmente conceder ou tirar o sucesso de uma banda musical de renome. Mais ainda: pode transformar ídolos em indigentes com poucas ligações.

Todo esse poder não adianta nada diante da investida dos Minutemen Victor Ray e Remi Rome, que culmina em uma brutal sequência de extermínio. Em poucos e impactantes painéis, Azzarello e Risso mostram como a autoridade é facilmente transformada em impotência.

A ideia se repete de forma ainda mais surpreendente em Dia da caça, na qual Lono reencontra Sophie. No terceiro volume da série, Laços de Sangue, ele a manteve horas amarrada a uma cama, onde a estuprou repetidas vezes. Diante da moça, assassinou seu namorado e a aterrorizou para que não contasse a verdade à polícia.

Agora, Sophie trabalha em uma academia, onde ensina autodefesa para mulheres. E, numa tarde qualquer, Lono simplesmente entra pela porta da frente. Ele não a reconhece. Ela jamais poderia esquecê-lo.

O desenvolvimento da história, a maneira como Sophie em poucos minutos arquiteta sua vingança e a facilidade com que ela poderia ter assassinado Lono enfatizam a ideia de que “poder” é uma ilusão e qualquer um pode se tornar vítima ou algoz.

Na mesma história, a trama paralela mostra um jantar de Megan Dietrich, Augustus e Benito Medici. Seguindo a associação de ideias, com uma sutileza incisiva, constrói-se a ideia de que Benito não é o garoto inofensivo que seu pai e Megan acreditam.

Victor Ray é o Minutemen que atende pelo codinome “Chuva”. Daí o título do episódio que protagoniza, Chove chuva, em que as questões são: como é para uma pessoa promover tanta matança? O que se passa pela cabeça dela? Com o que ela ainda se importa?

A trama deixa algumas pontas em aberto. Fica-se sem saber qual era a relação de Victor Ray com o garotinho. Ela existia ou foi mero acaso? E o que foi feito do menino depois?

Mesmo com essas dúvidas, o último painel da página 78 parece indicar que, sob toda brutalidade, ainda há um possível ser humano.

Em Bico, um novo personagem é introduzido à série: Will Slaughter. Aparentemente, ele poderá interferir nos planos de Graves e Medici.

Finalmente, em Meu amigo solitário, Cole Burns também mostra sinais de empatia. Incomodado pelo modo como Wylie Times foi assassinado por Remi Rome em Era uma vez um crime, ele decide “retribuir” matando Ronnie Rome.

“Eu conheço o seu irmão”, diz Cole, “e tenho uma diferença com ele. Ele matou um amigo meu, um que eu não gostava muito, mas respeitava”. Novamente, sinais de amizade e solidariedade entre os impiedosos.

Mas Cole, assim como os garotos da trama paralela, acaba tendo que aceitar que a morte por violência é muitas vezes imprevisível e sem sentido. Ao retornar, encontra o seu amigo “Cotoco” assassinado. E o Sr. Branch sai de cena para sempre.

Assim segue 100 Balas, mesclando tramas paralelas que se refletem e intensificam seus significados, construindo quase uma ópera sobre perdas, destruição e autodestruição.

Enriquece também a edição o texto de introdução por Eduardo Risso. O desenhista fala do seu começo de carreira e da importância de cada elemento de uma história em quadrinhos, elogiando e agradecendo a seus colegas de equipe.

Faltam 12 episódios para 100 Balas terminar. O texto de Risso e as histórias de Condenados já têm um jeito de despedida, que fica implícito sob o desenrolar dos eventos.

Eventos que deixam o leitor ansioso pela conclusão de uma das melhores séries mensais norte-americanas dos últimos tempos.

Classificação

4,5

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