100 Balas – Volume 8 – Samurai

Por Liber Paz
Data: 16 março, 2012

100 Balas - Volume 8 - SamuraiEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Brian Azzarello (roteiro), Eduardo Risso (arte) e Patricia Mulvihill (cores) – Histórias originalmente publicadas nas edições # 43 a # 49 da série 100 Bullets, entre junho de 2003 e maio de 2004.

Preço: R$ 20,90

Número de páginas: 168

Data de lançamentoFevereiro de 2012

Sinopse

Esfriando no forno – Cumprindo pena por um assassinato, Loop está numa encrenca: é jurado de morte pelo gigantesco Trem Nove e está na lista negra do sargento Dirtz. Quando as coisas parecem que não podem ficar pior, um velho e assustador conhecido surge como novo detento: Lono.

Jaula fedida – Jack Daw conhece Garvey Metcalf, primo de seu amigo Mikey. Metcalf é dono de um zoológico diferente. Além de estarem expostos para visitas, os perigosos felinos também são as mercadorias de um brutal negócio.

Positivo/Negativo

Ler qualquer um dos volumes de 100 balas dá vontade de “devorar” todos os outros.

Com Samurai não é diferente.

Entretanto, a leitura dos volumes anteriores não é obrigatória para o entendimento da trama. Há um texto explicativo que fornece ao leitor todas as informações necessárias.

Aliás, o texto é de fato muito elucidativo, pois expõe de maneira clara e sucinta diversas informações da história até aqui: as relações entre o agente Graves, o Cartel, os Minutemen, os acontecimentos em Atlantic City, a maleta e suas 100 balas…

Realmente, não é necessário ter lido as aventuras anteriores para compreender as duas tramas apresentadas em Samurai.

Mas o leitor veterano vai se deliciar muito mais ao reencontrar os velhos conhecidos Loop, Lono e Jack Daw.

Loop, aliás, Louis Hughes, está cumprindo pena por ter assassinado Tommi Yi. Ele era filho de Curtis Hughes, que no passado trabalhou com o agente Graves. A história de pai e filho foi contada em Laços de Sangue.

Lono era um Minuteman e fez aparições em diversos episódios de 100 balas. Pode se dizer que o sujeito é um casca-grossa dos infernos, pra dizer o mínimo.

Extremamente violento, forte e hábil em matar, Lono foi vítima de uma traição e agora encontra-se preso. Ver o personagem entrando no presídio é garantia de uma história eletrizante.

A trama de Esfriando no forno gira em torno de Loop e de como ele fará para sobreviver às três ameaças à sua vida: Trem Nove, o sargento Dirtz e o recém-chegado Lono.

Azzarello e Risso recriam a tensão e a claustrofobia do presídio, por meio de arte, diálogos e situações arquitetadas com mestria.

Jaula fedida traz de volta Jack Daw, visto em Inevitável amanhã.

Daw é uma prova do quão surpreendente 100 balas pode ser. Em sua primeira aparição, o personagem deu a entender que não daria mais as caras na série.

Mas ele volta e parece que terá papel importante no desenrolar da guerra entre Graves e o Cartel. Daw também é uma amostra do nível de planejamento que Azzarello tem com a elaboração da intrincada trama de 100 balas. Pequenos personagens, detalhes de fundo, histórias e dramas que se entrecruzam e têm repercussões em episódios posteriores.

Vista de longe, 100 balas é uma impressionante e complexa tapeçaria. Chegando mais perto, pode-se apreciar a beleza dos detalhes que compõem o conjunto.

Por exemplo, em Jaula fedida. Jack, possuidor de um espírito perturbado e selvagem, fascina-se com os tigres enjaulados.

As palavras de Garvey Metcalf mostram respeito e temor pelos felinos. Ressaltam com assombro sua natureza de predador, sua constante espera pelo melhor momento de abater sua presa.

Jack, um sociopata violento, acaba se identificando justamente com os animais enjaulados.

Com Jaula fedida, Azzarello cria uma fascinante trama sobre selvageria, brutalidade e dignidade. A melhor história da edição.

Contudo, existem alguns problemas. Certos diálogos e sequências são um pouco confusos. As conversas de Loop sobre “portas” são enroladas e o leitor pode se perder sobre o que ele está falando.

O mesmo vale para a explicação da solução final de Jaula fedida, em que muitas lacunas ficam para serem preenchidas.

Azzarello parece não querer entregar nada de bandeja, mas às vezes o seu estilo de criar diálogos obscuros de personagens falando sobre “você sabe quem” que fez “você sabe o quê” acaba dando mais trabalho para o leitor do que seria necessário.

Por isso, o texto de apresentação acaba sendo bastante útil ao situar o leitor dentro do labirinto de 100 balas.

Outro texto que enriquece ainda mais Samurai é a introdução assinada por Carlos Trillo. O grande roteirista argentino, falecido em 2011, escreve uma verdadeira aula sobre a literatura policial, citando obras e autores fundamentais.

Simplesmente imperdível.

Classificação

4,5

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