Celebrated summer

Por Vitor Mazon
Data: 20 dezembro, 2019

Celebrated summerEditora: Fantagraphics – Edição especial

Autor: Charles Forsman (roteiro e arte).

Preço: US$ 16,99

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Setembro de 2013

Sinopse

Dois adolescentes, Mike e Wolf, recém-formados no colégio, tomam ácido e decidem aproveitar o dia de verão fazendo uma trilha. Depois, embarcam em uma viagem espontânea para a praia.

Positivo/Negativo

Logo na primeira página de Celebrated summer, Charles Forsman cria um cenário que já conta muito sobre a história que se segue e seus protagonistas. A graphic novel começa em um quarto bagunçado, com roupas, livros, papéis, um violão e uma caixa de pizza vazia no chão. O carpete está cheio de manchas e a cama, que é apenas um colchão, está desfeita. A única decoração é um pôster colado na parede, com um desenho logo abaixo e o nome da banda Hüsker Dü rabiscado ao lado.

Dois adolescentes estão olhando o ácido que estão prestes a tomar. Mike e Wolf estão um em frente ao outro, com a droga entre eles, como algo sagrado, como se aquele pedaço de papel fosse capaz de tirá-los de seu cotidiano.

Mas Celebrated summer não é uma história de escapismo, o que fica claro no traço minimalista e preto e branco de Forsman, que contrasta com a psicodelia e as cores saturadas esperadas de uma trama que começa com os protagonistas tomando ácido.

Em vez da fuga de realidade, os personagens acabam mergulhando em si próprios, afundando em seus medos, dúvidas e ansiedades sobre a chegada da vida adulta.

A menção à banda de rock alternativo Hüsker Dü, na primeira página, não foi uma escolha aleatória do autor. O título da obra é o mesmo de uma música da banda, lançada em 1985, o que reflete o período em que a história se passa, no auge das fitas cassetes e fliperamas.

A música também compartilha o tom e o tema do livro, lançando um olhar nostálgico, mas cínico sobre os longos verões da juventude. E, assim como a HQ, busca romper com a imagem idealizada dessa época do ano para os adolescentes.

Todas as páginas de Celebrated summer são permeadas por um senso de medo, dúvida e tristeza, enquanto os dois percebem que a infância e a própria amizade entre eles está ficando para trás. Ambos não sabem como a vida será daqui para frente.

O roteiro mostra a capacidade de Forsman em explorar nuances, especialmente na relação entre os garotos. Mesmo sendo uma história curta, ele consegue transmitir ao leitor as personalidades deles, especialmente de Wolf, que é o narrador.

Embora tenha sido lançada meses após The end of the fucking world, que virou série na Netflix,Charles Forsman escreveu Celebrated summer antes de se dedicar à história de James e Alyssa, que foi a forma que o autor encontrou para superar um bloqueio criativo após finalizar a história de Mike e Wolf.

Natural, então, que as duas HQs tenham similaridades, como protagonistas adolescentes que estão perdidos – até as histórias familiares de James e Wolf se parecem. Mas enquanto um busca experiências extremas para se fazer sentir qualquer coisa, o outro anseia por voltar ao tempo em que não tinha medo.

Forsman tem uma grande sensibilidade para colocar no papel as turbulências emocionais de um adolescente. Seus personagens têm um traço simples, mas os cenários são mais carregados de informações do que em The end of the fucking world.

Celebrated Summer é uma exploração intimista dos medos e desejos de dois jovens que estão à beira da vida adulta. Com temáticas semelhante a The End of The Fucking World, mas com uma trama mais simples e menos dramática, Forsman oferece ao leitor outro excelente relato de adolescentes estagnados.

Classificação:

4,0

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