Cerebus – Book 1

Por Delfin
Data: 18 fevereiro, 2011

Cerebus - Book 1Editora: Aardvark-Vanaheim – Edição especial

Autor: Dave Sim (texto e arte).

Preço: US$ 25.00

Número de páginas: 536

Data de lançamento: Agosto de 1987

Sinopse

As origens do guerreiro Cerebus, o aardvark, desde o momento em que é permitido ao leitor conhecer a sua misteriosa história.

Positivo/Negativo

Na edição # 49 de Cerebus, the aardvark, Dave Sim comunicou aos leitores e ao mercado que decidiu publicar sua obra em volumes colecionáveis, iniciando com os primeiros 25 números da revista num livro chamado Cerebus, o bárbaro, lançado após a compilação da grande saga High Society (Alta Sociedade), que terminaria na edição seguinte.

Dentre os motivos, Sim lista quatro principais: a dificuldade de manter cada edição em estoque à medida que o tempo passava; a conveniência de introduzir o material a novos leitores em dois volumes com, pelo menos, duas dúzias de histórias cada; ser um jeito manuseável de possuir os 300 números planejados da saga (em 12 grandes álbuns); e ampliar a visibilidade da obra nas lojas.

Desse modo, Dave Sim criou o que viria a ser conhecido no mercado de quadrinhos como trade paperback. O conceito dos TPs (ou encadernados, no Brasil) é exatamente o mesmo até hoje, 30 anos depois.

Mas o rapaz da pequena Kitchener, no Canadá, pensou nisso bem antes – ainda que só tenha conseguido executar seu plano alguns anos depois. Mesmo assim, os encadernados do mercado norte-americano são fininhos se comparados às mais de 500 páginas dos de Cerebus (e a preço justo). Por isso, ganharam o carinhoso apelido de phonebooks (literalmente, listas telefônicas).

Ainda assim, o metódico autor canadense pensou melhor e, apenas após o lançamento dos encadernados de High Society e do primeiro tomo de Church & State (Igreja & Estado), foi lançada a compilação dos 25 números iniciais de Cerebus. E isso é fácil de explicar.

Como já mencionado nesta resenha, o traço e o estilo narrativo de Dave Sim estavam ainda se consolidando. Então, logo na primeira página da história de abertura, não é difícil tomar um susto ao ver aquele ser esquisito de nariz e rabo compridos, parecendo sair de uma aventura ruim do Conan.

É um traço ruim mesmo, comparando com o que Sim faria poucos meses depois. Uma evolução sólida e marcante de seu potencial criativo. Ler esta primeira aventura é, talvez, um dos principais desafios para quem deseja enfrentar a série completa.

Quem faz isso, no entanto, percebe que é uma boa aventura, que define bem o caráter e o pensamento de Cerebus, um porco-da-terra amoral, arruaceiro e beberrão, que mete medo e inspira respeito por onde passa.

As histórias seguintes são aventuras soltas ou pequenos arcos de poucas edições, que vão introduzindo aos poucos grande parte dos elementos e personagens que serão importantes para os volumes seguintes da saga.

Com o tempo, os desenhos foram melhorando, as letras diminuíram, a diagramação das páginas ganhou requinte e a complexidade estrutural da narrativa foi se acentuando. Suas histórias começavam, aos poucos, a se distanciar do clima medieval.

Foi quando o leitor passou a conhecer novos povos, cidades-estado, seitas, heróis, jogos mentais e (por que não?) um grande amor no meio do caminho.

Sexo, religião e política se misturam com perfeição às lutas, artimanhas e armações típicas dos quadrinhos de aventura do final dos anos 70 e início da década seguinte. E há ainda uma boa dose de humor: a quantidade de sátiras inclusas (não são perdoados heróis da Marvel, Groucho Marx, o mago Elric e até o próprio protagonista, que é uma paródia de Conan).

Raramente isso é lembrado, mas os roteiros iniciais da série possuem uma espirituosidade que faz a consolidação do traço do autor, que ocorre por volta da 20ª história, passar quase batida pelo leitor mais crítico.

Não custa lembrar, Cerebus foi um quadrinho mensal de 1977 a 2004, publicado ininterruptamente. E todo feito apenas por Dave Sim, dos esboços ao envio para a gráfica.

Mas foi na mesma 20ª edição que o quadrinho começou a tomar as dimensões grandiosas hoje conhecidas: era notório que algo grande, com anos de duração, estava para acontecer. Podia-se não saber o que era, mas, afinal, não é essa a graça de ler uma boa história?

O primeiro volume de Cerebus contém, nos seus bastidores, a história de como o autor quase morreu, após uma overdose de alucinógenos que, como resultado, o inspirou a fazer de sua revista a mais longeva sob o comando de um criador independente.

Dono dos destinos de seus personagens, Sim constatou que tinha uma grande responsabilidade com seu público, com o mercado (seu título era vendido apenas para pontos especializados em quadrinhos) e com os autores – o que fez dele um dos principais defensores dos direitos dos criadores de quadrinhos na América do Norte.

Toda história tem um começo. Se você quer iniciar como os leitores originais, sem pegar atalhos, este é o caminho, enfrentado apenas pelos mais ousados.

Mas, se tomar o caminho dos fracos (e da maioria), então sua porta de entrada é High Society. Mas não espere nenhum respeito de Cerebus depois disso. Pois nunca duvide de uma coisa sobre o aardvark: ele sabe.

Classificação

4,5

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