DC – A Nova Fronteira # 2

Por Mário César
Data: 29 setembro, 2006

DC – A Nova Fronteira # 2Editora: Panini Comics – Minissérie em duas partes

Autores: Darwyn Cooke (roteiro e desenhos) e Dave Stewart (cores).

Preço: R$ 25,90

Número de 9áginas: 208

Data de lançamento: Setembro de 2006

Sinopse: Acabou a Segunda Grande Guerra. O nazismo e o fascismo foram derrubados. Duas potências emergem no novo cenário: de um lado o capitalismo norte-americano, do outro o socialismo soviético. Começam a Guerra Fria e a Corrida Espacial.

A intolerância e uma onda de moralismo tomam conta da sociedade. O governo dos Estados Unidos chega a determinar a todos os vigilantes que revelem suas identidades ou serão considerados fora-da-lei. Neste cenário de paranóia, que caminhos os super-heróis devem trilhar?

Positivo/Negativo: A Nova Fronteira é basicamente um épico sobre o surgimento da Liga da Justiça durante a transição da Era de Ouro para a Era de Prata. A premissa é simples (um grande perigo se aproxima, obrigando os heróis a unir forças contra algo que sozinho nenhum deles seria capaz de dar conta), mas na execução e nas entrelinhas se encontra uma riqueza rara. Trata-se de um dos materiais mais soberbos no gênero desde O Reino do Amanhã.

A arte, de uma forma ou de outra, reflete a situação da época no mundo (leia aqui o review da primeira edição). Durante a Era de Ouro, que compreende o período da Segunda Guerra, surgiram personagens como Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha entre tantos outros. Suas histórias se baseavam na crença de um ser superior que viria salvar a humanidade, uma espécie de escapismo diante do holocausto. Passada o conflito, esses heróis perderam seu principal propósito e, conseqüentemente, o apelo junto ao público.

Nos anos seguintes, a economia retrocedeu, pois não havia mais guerra para impulsioná-la e houve uma profusão de quadrinhos de terror. Na primeira metade da década de 1950, conhecida como “Terror Vermelho”, uma onda de paranóia e moralismo assolou a América. Inevitavelmente, ela atingiu os quadrinhos, tornando-os cada vez mais “politicamente corretos” e influenciando até na criação do famigerado Comics Code Authority.

É nesse contexto de transição e perseguição política que Cooke amarra de forma brilhante a cronologia de uma infinidade de personagens a fatos históricos que soam tristemente atuais.

Na trama, o governo obriga os vigilantes a revelar suas identidades em nome de uma “caça às bruxas” do comunismo. Qualquer semelhança com a política anti-terrorista e manipulação de opinião pública do governo George W. Bush não é mera coincidência. Essa idéia, inclusive, foi usada como base para a megassaga Civil War, da concorrente Marvel.

Aos que estranharam a participação do Super-Homem como mero lacaio do governo no primeiro volume, a intenção do autor fica mais clara e o diálogo do Homem de Aço com o Batman é um dos pontos altos da história. Ele é o maior super-herói de todos e justamente o que melhor reflete essa transição dos anos 50 para os anos 60.

Foi no final de década de 1950 que surgiram a Supergirl, o Bizarro, a kryptonita vermelha, a Fortaleza da Solidão e a clássica O Retorno do Super Homem a Krypton. O personagem deixou de ser apenas uma metáfora da liberdade, do impossível e ganhou novos contornos trágicos em sintonia maior com o mundo ao seu redor. Em outras palavras: tornou-se menos super e mais homem.

Curiosamente, as mudanças no personagem ocorreram justamente após o retorno de um de seus criadores, Jerry Siegel, como roteirista. Ele foi afastado de seu “filho” depois de perder a briga judicial pelos direitos autorais no final da década de 1940 e passava um momento ruim de sua vida, o drama do criador ecoou em sua criatura.

A presença de John Wilson como Aço parecia um pouco fora de lugar no primeiro volume, mas é bem justificada e rende um dos momentos mais tocantes da trama, com direito até à participação de Edward Murrow (o apresentador de televisão retratado no ótimo filme Boa noite e boa sorte, de George Clooney).

Quem também dá as caras é o até então ausente Aquaman, um dos integrantes originais da Liga da Justiça. Sua participação é um pouco curta, mas efetiva. A Mulher-Maravilha, os Desafiadores do Desconhecido, o Coronel Richard Flagg, o Flash e o impagável Caçador de Marte também merecem destaque. Todos são trabalhados com profundidade e têm ótimas cenas, algo difícil de ser alcançado em uma história com tantos personagens.

Contudo, o grande destaque mesmo fica por conta de Hal Jordan como Lanterna Verde, que se tornou o eixo central da trama tanto pelo amor declarado de Cooke pelo personagem, como por sua ligação direta com a corrida espacial.

Como todo bom épico, há seqüências de ação de tirar o fôlego, especialmente a luta final e o lançamento da Nuvem Voadora. Tudo ilustrado com o traço nostálgico de Cooke e as competentes cores de Dave Stewart.

A Nova Fronteira é uma história que funciona em vários níveis, dependendo do leitor. Como o próprio autor assina no ótimo posfácio da edição: “(…) pode ser uma declaração de amor a uma era passada ou uma reflexão alegórica sobre inquietações contemporâneas. Grandes embates com monstros gigantes ou dramas complexos centralizados em personagens históricos.”. De uma forma ou de outra, fica a certeza de ter sido apresentado a algo grandioso e empolgante.

Nesse texto, aliás, Darwin Cooke dá uma das melhores definições de todos os tempos sobre o que significa o super-herói. Vale conferir.

Uma adaptação da minissérie em animação para DVD já foi anunciada pela Warner e o próprio Darwyn Cooke está envolvido no projeto. Se mantiver o padrão de qualidade de séries animadas como Liga da Justiça Sem Limites, promete ser imperdível.

Classificação

5,0

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