Guardiões do Louvre

Por Isa Oliveira
Data: 22 dezembro, 2018

Guardiões do LouvreEditora: Pipoca & Nanquim – Edição especial

Autor: Jiro Taniguchi (roteiro e arte), com tradução de Drik Sada.

Preço: R$ 59,99

Número de páginas: 136

Data de lançamento: Abril de 2018

Sinopse

Em plena Segunda Guerra Mundial, a França está sob ameaça da invasão nazista, e os diretores de um dos mais importantes museus do mundo tentam salvar as obras de arte que estão sob a sua guarda, para que não se tornem destroços de um possível bombardeio.

Um artista japonês passeando por Paris resolve visitar os museus da cidade. Sofrendo sozinho e doente, ele tem alguns momentos de melhora intercaladas com alucinações, nas quais se perde em meio ao labirinto de histórias que o fazem viver uma regressão.

O homem conversa com famosos pintores da História da arte mundial, como Van Gogh, e adentra no cenário mais famoso de suas obras. Essa jornada é feita na companhia dos guardiões do Louvre, espíritos que guardam a memória de cada peça do museu.

Positivo/Negativo  

Uma mistura de delírio, sonho e realidade, a belíssima arte de Taniguchi conduz o leitor a um mundo das artes tão encantador quanto mergulhar na História. A obra revive o período mais sombrio da humanidade, a Segunda Guerra, e a importância da arte como registro desses momentos, e o fundamental papel dos museus na guarda desse acervo que representa vários episódios da História cultural e social do mundo.

O japonês Jiro Taniguchi (1947 – 2017) se tornou um importante mangaká, com um diferencial: a inspiração dos quadrinhos franceses. Autor de obras como O homem que passeia e The summit of the gods, é premiadíssimo no Japão e em outros países – no Festival de Angoulême, na França, foi laureado como melhor roteiro pela obra Quartier lointain (Um bairro distante, em tradução livre).

Neste álbum, o autor cria uma narrativa toda onírica, desde os delírios febris do personagem até os passeios pelos museus, tudo parece tornar as situações fantasiosas ou fruto da imaginação dele. As cenas são reflexos de sua contemplação pela história e sua compreensão dos fatos decorridos em uma representação artística.

Os diálogos estabelecem uma conexão com a linha do tempo traçada pelo protagonista dentro do museu. O mangaká explora bem o elemento recordatório em toda a narrativa, assim como flashbacks emocionais, o que leva a um desfecho surpreendente.
Boa parte da ação se passa no Museu do Louvre, palco da história e premissa da narrativa. Além de percorrer o local, o personagem caminha pela cidade.

Os coadjuvantes, chamados de guardiões, representam a memória viva e são os verdadeiros mensageiros e protetores do patrimônio cultural e artístico da humanidade.

No desfecho da obra, o protagonista (que nunca tem seu nome citado) tem um encontro espiritual com sua noiva, o que corrobora a ideia de Taniguchi narrar a história por meio de um processo psicológico como a regressão.

O autor explora com talento esse conflito pessoal e catalisa os sentimentos do personagem por meio de um processo de imersão na sua experiência estética com o ambiente a que é exposto.

A arte é quase uma pintura, uma obra a ser contemplada. Taniguchi explora cada detalhe das cenas, com cores suaves que contribuem muito para a imersão do leitor.
Este é o primeiro mangá da editora Pipoca & Nanquim. Uma edição muito bem cuidada, de capa dura e papel de luxo, cujo tamanho parece até exagerado: 23 x 31 cm. Isso dificulta, por exemplo, se algum leitor for à França e quiser usar a obra como mapa de seu percurso por Paris. Mas a intenção, claro, nunca foi esta. Afinal, o álbum é, em si, uma obra de arte, uma mimese de uma das pinturas gigantes do Louvre.

O roteiro, o desenho e as cores de Jiro Taniguchi são um convite ao leitor para um olhar amplo, de vários ângulos. A obra tem tudo para agradar leitores dos mais variados estilos, especialmente os apaixonados por História da arte, do mundo e das guerras.

Importante dizer que Guardiões do Louvre foi lançada originalmente no mercado franco-belga pela Futuropolis, em coedição com o Museu do Louvre. Ou seja, corria o risco de ser uma HQ “institucional”, mas felizmente Taniguchi não permitiu.

Classificação:

5,0

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• Outros artigos escritos por

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  • Eduardo Ishikawa Pedro

    Fantástico como Jiro Taniguchi conseque transformar a historia da arte em algo tá facilmente “digerível” para o publico em geral de uma forma tá fluida e linda! Obra fantástica!!!

  • sergio reis

    Meu Deus,que HQ…uma Graphic Novel sofisticada,sensível e de uma beleza onírica,divina até!e é realmente incrível como um trabalho sobre encomenda não se tornou um mero panfleto institucional!talvez nas mãos de um quadrinista qualquer!não nas mãos de GÊNIO da nona arte!infelizmente,só conheci sua obra após sua morte!Taí um artista que gostaria de apertar a mão e agradecer!num ano de grandes leituras como Xerife da Babilônia,Shangri-la,Blacksad, Guardiões do Louvre conquistou o meu coração!difícil esquecer as imagens e a contemplação da beleza de sua páginas!se alguém aí tiver o Homem que passeia ou Gourmet pra vender,deixo meu contato sergio.marcos17@yahoo.com!

  • Chefe O’Hara

    Ainda não li, mas soube que teve uma certa comoção entre o público pela falta deliberada do aviso de “sentido de leitura” tradicionalmente presente nos mangás impressos em sentido oriental. Gente que nunca tinha lido um quadrinho japonês e comprou pelo tema ficou perdidaça.

    Quer dizer, a comoção veio mais por causa do tuíte de um dos editores sobre esquecer de fazer o álbum “à prova de idiotas” e à demora para mandar um pedido de desculpas pelo tuíte e uma satisfação adequada ao público.

    De resto, me parece uma obra sensacional que um dia quero ter pra mim.