Hellboy – Caçada Selvagem

Por Liber Paz
Data: 2 março, 2012

Hellboy - Caçada SelvagemEditora: Mythos – Edição especial

Autores: Mike Mignola (roteiro), Duncan Fegredo (arte) e Dave Stewart (cores).

Preço: R$ 46,90

Número de páginas: 192

Data de lançamentoDezembro de 2011

Sinopse

Meses após os eventos apresentados no volume anterior, Hellboy é procurado pelo Clube Osíris para participar de uma caçada a gigantes na Inglaterra.

Entretanto, a caçada serve de disfarce para as verdadeiras intenções do Clube.

Ao mesmo tempo, Gruagach consegue ressuscitar uma antiga e lendária criatura que se consagra como a nova Rainha das Bruxas. A partir desse ponto, os acontecimentos marcham vertiginosamente para uma guerra entre seres fantásticos e o mundo mortal.

E Hellboy tem uma surpreendente revelação a respeito de sua própria natureza.

Positivo/Negativo

O leitor que conhece Hellboy dos cinemas vai perceber algumas diferenças gritantes entre o personagem que aparece nos filmes de Guillermo del Toro e o protagonista das histórias de Mike Mignola.

Para começar, nos quadrinhos não há nenhum relacionamento amoroso entre Hellboy e Liz Sherman. Ela aparece nas primeiras histórias e há uma amizade entre os dois, mas nada que lembre o romance das telas.

Após Hellboy abandonar o BPDP – Birô de Pesquisa e Defesa Paranormal, em O verme vencedor, Liz simplesmente desaparece das aventuras.

Aliás, a partir desse momento, o personagem mergulha numa sucessão de aventuras em que a solidão se faz perceber de modo quase doloroso.

Basta ver histórias como Paragens exóticas.

Essa solidão é outra diferença entre o Hellboy de Mignola e o de del Toro.

No filme, o personagem John Myers funciona como um “Grilo falante”, dando conselhos a Hellboy e o ajudando a escolher pelo “caminho do bem” no momento mais crucial da trama.

Nos quadrinhos, Hellboy sempre fez suas próprias escolhas sozinho. Apesar de tudo o que lhe é repetido constantemente a respeito de sua natureza e seu destino, ele teima em se agarrar a uma humanidade que nem sabe ao certo se possui.

A comparação com os filmes é pertinente, pois nesta Caçada selvagem ocorrem eventos que lembram muito a trama do segundo filme de del Toro, Hellboy – O exército dourado.

A semelhança está no iminente confronto entre o povo das fadas, ameaçado de extinção, e o nosso mundo.

Quanto às diferenças, além das já mencionadas, Mignola mistura à trama do povo das fadas elementos do folclore britânico e apresenta um novo e surpreendente aspecto do herói vermelho.

Trata-se do tipo de revelação que pode maravilhar ou desagradar aos fãs. E falar mais sobre isso seria estragar a surpresa.

Caçada selvagem não é apenas uma continuação direta do volume anterior, O clamor das trevas, mas também um ponto de convergência de diversas histórias curtas muito populares do personagem.

A solidão de Hellboy é cortada pelo reencontro com Alice, que foi o bebê sequestrado no episódio O cadáver. Já o Clube Osíris tinha aparecido em A natureza da fera, respectivamente publicados em Hellboy – O caixão acorrentado e Hellboy – A mão direita da perdição.

De fato, Caçada selvagem traz diversas referências a outras histórias do personagem, mas, se você não teve a oportunidade de lê-las, isso não atrapalhará de modo algum o prazer da leitura.

Todas as menções a aventuras anteriormente publicadas estão devidamente explicadas no glossário que abre a edição. Também são citados episódios do passado de Hellboy que nunca foram vistos nos quadrinhos; e tudo é feito de maneira tão integrada na narrativa que o leitor não se sente perdido.

Ao revisar a mitologia de Hellboy e lhe dar um novo rumo, Caçada selvagem confere à cronologia do personagem um aspecto de literatura fantástica épica.

O surgimento de novos aliados e adversários, a abordagem e desenvolvimento adequado dos personagens e o suspense e a ação bem conduzidos caracterizam Mike Mignola como um ótimo contador de histórias.

O combate de Hellboy com os gigantes e suas consequências vão sendo revelados ao longo da história, de forma instigante.

Gruagach, que tinha começado como um personagem menor, ganha dimensão e um passado. A revelação de quem estava na caixa que ele resgatara em O clamor das trevas também é feita sem pressa, prendendo o interesse do leitor.

Quanto à arte, Duncan Fegredo dá continuidade à parceria com Mignola, sem deixar a qualidade cair. Os méritos do álbum anterior prosseguem neste.

Para os fãs do personagem, trata-se de um material excelente, que deixa um provocante final em aberto e a ansiedade pela continuação. E isso pode ser um problema.

Mignola escreve a saga de seu personagem com cuidado e isso implica em um tempo lento de publicação. O autor não tem pressa.

Por isso, seus leitores precisam ser pacientes.

Classificação

4,5

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