MSP + 50 – Mauricio de Sousa por mais 50 artistas

Por Eduardo Nasi
Data: 27 agosto, 2010

MSP + 50 - Mauricio de Sousa por mais 50 artistasEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Adriana Melo, Allan Sieber, André Diniz, André Ducci, André Kitagawa, André Vazzios, Beto Nicácio, Biratan, Caco Galhardo, Chico Zullo, Clara Gomes, Danilo Beyruth, Denilson Albano, Diogo Saito, Duke, Eduardo Medeiros, Emerson Lopes, Fabio Ciccone, Fernanda Chiella, Gian Danton, Hector Salas, Iotti, JJ Marreiro, João Lin, J. Márcio Nicolosi, Jota A, Kako, Lucas Lima, Luis Augusto, Marcatti, Marcelo Braga, Mario Cau, Marlon Tenório, Mateus Santolouco, Mozart Couto, Odyr, Pablo Mayer, Rafael Albuquerque, Rafael Coutinho, Rafael Grampá, Ric Milk, Ricardo Manhães, Roger Cruz, Romahs, Rogério Vilela, S. Lobo, Tiago Hoisel, Wellington Srbek, Will e Williandi.

Preço: R$ 98,00, a versão em capa dura; e R$ 59,00, a em capa cartonada

Número de páginas: 216

Data de lançamento: Agosto de 2010

Sinopse

Sequência de MSP 50, este é mais um álbum em que 50 artistas brasileiros criam histórias com personagens de Mauricio de Sousa – mas usando o seu próprio estilo.

Positivo/Negativo

Aí está: mais 50 artistas criando histórias com os personagens de Mauricio de Sousa com seus estilos próprios, sem a obrigação de desenhar a Mônica de acordo com o manual de instrução do estúdio. E, de novo, o resultado é um álbum fabuloso.

E agora a coisa vai pegar.

Porque o primeiro MSP 50, se tivesse ficado só nele, poderia estar cercado de desculpas. Mauricio poderia dizer que estava abrindo uma exceção. Que era uma oportunidade única. Que estava fazendo a gentileza de emprestar seus brinquedos para outros moleques se divertirem por uma tarde. Que faria de novo quando completasse um século de carreira.

Mas não. Mauricio abriu espaço para um segundo livro. E Sidney Gusman, editor do álbum (e, verdade seja dita, editor-chefe deste site, então vale lembrar o que foi dito no começo da resenha do volume anterior) já deu indícios de que há um terceiro a caminho.

Mesmo que Mauricio não quisesse continuar, do lado de fora da Mauricio de Sousa Produções, outros artistas acabariam fazendo suas versões e postando em sites, blogs e fóruns.

O que está por trás desse movimento é nítido: Mauricio virou um artista influente nos quadrinhos brasileiros. Não só porque empregou criadores em seu estúdio, dirigiu e doutrinou talentos, mas também porque as novas gerações cresceram lendo seus gibis.

Mauricio inspira. Porque seus personagens até podem pertencer a ele segundo seus advogados. Mas, na prática, pertencem a todos nós. Fazem parte da cultura brasileira.

Nos tribunais, Mauricio pode impedir que uma empresa pirateie a Mônica na embalagem de seus biscoitos. Mas não pode tirar a dentuça da cabeça demente de cada um de seus leitores, nem dos blocos de desenho espalhados por aí (aliás: basta ver a HQ de Caco Galhardo para sacar isso).

Pelo contrário: Mauricio tem mais é que se aproveitar disso e não ficar só nos MSP 50.

Por exemplo: por que a revista da Tina, voltada a um público adolescente, não traz mais histórias desenhadas por Adriana Melo e Fernanda Chiella? E por que Lobo e Odyr, no fim dessa mesma publicação, não apresentam às leitoras uma visão masculina do mundo a partir de seu Rolo?

Que tal criar uma revista para garotos mais velhos estrelada por Piteco, esse super-herói pré-histórico meio Wolverine, meio Herculoides? Beto Nicácio, Emerson Lopes e Fábio Ciccone fizeram as primeiras histórias.

E, assim como os Herculoides dividiam o espaço com o Space Ghost na TV, Piteco poderia dividir as páginas da revista com Astronauta – o de Gian Danton e JJ Marreiro e o de Will e Wellington Srbek.

Por que não ter um álbum inteiro produzido por Ricardo Manhães, que fez uma HQ “brazuco-belga” brilhante – e aumentar não só a presença internacional da Turma da Mônica, mas também a injustamente baixa popularidade desse artista catarinense em seu próprio país?

Por que, então, não aproveitar que o Brasil está em alta lá fora e apresentar o País por meio dos brasileiríssimos Jotalhão de André Ducci, Jeremias de André Diniz e Papa-Capim de João Lin?

Também é preciso levar em conta que os MSP 50 cumprem um importante papel de apresentar alguns artistas a públicos que eles não têm. Como é o caso de Mário Cau e Danilo Beyruth, que circulam bem entre os quadrinhistas independentes. Ou de Iotti, que é um sucesso no sul do Brasil. Ou de Pablo Meyer, que tem um espaço em jornais também no sul. Ou até Roger Cruz, que começa a trilhar um caminho totalmente diferente dos super-heróis que o tornaram mais famoso (e, paradoxalmente, pouco conhecido).

Por que não fazer séries de crossovers com outros personagens? Mauricio já está planejando uma série com as criações do mestre japonês Osamu Tezuka. Poderia continuar com Radicci, com Fala, Menino.

Na Turma da Mônica Jovem, Kako poderia contribuir mensalmente com algumas páginas – foi o único que sacou a ligação oriental de Mauricio!

A Turminha clássica precisa continuar existindo, claro. Ela é o começo de tudo. Mas a versão de Mateus Santolouco, Rafael Albuquerque e Edu Medeiros, na história espetacular que abre o álbum, não atrapalha em nada. Nem a de André Kitagawa. Nem a de Diogo Saito. Nem mesmo a versão obsessiva de Allan Sieber. Nem a versão futurista, adulta, quase niilista de Rafael Coutinho.

Visões diferentes só enriquecem a criação de Mauricio. Se havia dúvidas, os dois álbuns as fulminaram.

E, se há dúvidas de que os MSP 50 devem ser mais do que um projeto temporário, é bom que sejam revistas. Seria um desperdício.

Classificação

5,0

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