Reino do Amanhã

Por Diego Figueira
Data: 21 dezembro, 2005

Reino do AmanhãEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Mark Waid (roteiro) e Alex Ross (desenhos).

Preço: R$ 24,90

Número de páginas: 224

Data de lançamento: Agosto de 2004

Sinopse

Num futuro sombrio, dez anos após o Superman e a maioria dos heróis de sua época abandonarem o combate ao crime, os novos superseres estão prestes a causar a destruição do planeta. O assassinato do Capitão Átomo pelo Parasita causa um desastre nuclear no Kansas que é o prenúncio do apocalipse.

O retorno do Superman, junto com uma nova Liga da Justiça, parece ser um sinal de esperança, mas na verdade representa a chegada do juízo final que decidirá se os humanos devem sucumbir aos superseres ou bani-los da face da Terra.

A execução cabe ao Espectro, o espírito da Vingança de Deus, mas para isso ele precisa de uma alma humana para decidir em nome dos mortais. E essa pessoa é Norman McCay, uma pastor que passa por uma crise de fé, como toda a humanidade, e herdou as visões do apocalipse de Wesley Dodds, o Sandman da Era de Ouro.

Positivo/Negativo

Apenas o fato de ser a maior aventura com super-heróis dos anos 90 seria suficiente para justificar a importância de Reino do Amanhã para os quadrinhos num período relativamente pobre.

Mas esta história representa muito mais do que isso. Tratando com profundidade do dilema entre super-heróis clássicos e modernos, a obra constrói uma alegoria sobre o real sentido do heroísmo para a humanidade e, ao mesmo tempo, é uma crítica à indústria de quadrinhos da década passada. O futuro sombrio e desolador tem a aparência dos produtos da Image Comics.

A mídia especializada questionou muito sobre quem seria o personagem principal de Reino do Amanhã, apontando argumentos a favor de algum dos quatro de maior destaque, Superman, Batman, Mulher-Maravilha e Capitão Marvel. Na verdade, é a relação entre estes heróis clássicos que está no centro da trama.

Não apenas eles, mas também o pastor Norman McCay e até mesmo o Espectro, passam pelo dilema de estarem perdidos e sem suas referências morais e psicológicas para lidar com a crise que se alonga por mais de dez anos, desde o afastamento do Superman.

Mark Waid, que muitas vezes declarou que prefere ver o Superman retratado com uma ênfase maior no aspecto “super” do que no “humano”, desta vez definiu como o maior poder do Homem de Aço seu conhecimento instintivo do certo e do errado. Segundo Norman McCay, este dom seria uma dádiva da humanidade de Clark.

O roteirista também recebeu os créditos por ter dado o tratamento merecido ao Capitão Marvel nesta minissérie, elevando-o a seu lugar de direito ao lado dos demais ícones da DC. Em Billy Batson está contida a síntese de todo dilema central da história. O conflito entre o humano e o super-humano, sofrido por um garoto que se tornou adulto no mesmo intervalo em que os leitores viram os quadrinhos caminharem para o apocalipse que se mostra iminente.

Infelizmente, essa concepção do personagem não foi incorporada ao Universo DC, pois não existem outras histórias que explorem e confirmem materialmente essa idéia (a não ser o álbum comemorativo Shazam! – O Poder da Esperança, também de Ross, em parceira com Paul Dini).

Assim, a imagem do Capitão Marvel como um dos quatro mais importantes personagens da editora continua existindo apenas no imaginário dos leitores que o reconhecem por sua importância histórica, como grande concorrente do Superman pelo carinho do público na Era de Ouro.

Reino do Amanhã consolidou o gênero dos quadrinhos retrô nos anos 90, associando definitivamente o nome de Ross a esse seguimento. Antes, Marvels não havia conseguido este feito, pois ainda parecia uma simples celebração do passado da “Casa das Idéias”.

A parceria entre Waid e Ross mostrou que as referências à cronologia e ao tom das histórias da Era de Prata poderiam se transformar num novo jeito de se pensar os quadrinhos de super-heróis, projetando estes elementos para qualquer situação, no presente ou mesmo no futuro.

A edição compilada da Panini (antes havia sido publicada em quatro edições, pela Abril), com as oito páginas adicionais – um epílogo que se passa um ano depois – inéditas no Brasil, o sketch book de Ross e um quadro indicando o nome dos personagens foram um belo complemento à história.

Classificação

5,0

• Outros artigos escritos por

.