Sandman – Fim dos Mundos

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 9 maio, 2008

Sandman - Fim dos MundosEditora: Conrad Editora – Edição especial

Autores: Neil Gaiman (roteiro), Michael Allred, Gary Amaro, Mark Buckingham, Dick Giordano, Tony Harris, Steve Leialoha, Vince Locke, Shea Anton Pensa, Alec Stevens, Bryan Talbot, John Watkiss, Michael Zulli (arte) e Dave McKean (capas).

Preço: R$ 66,00

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Agosto de 2007

Sinopse

Enquanto uma tormenta não dá trégua do lado de fora, dentro de uma estalagem vários viajantes contam histórias para ajudar o tempo a passar.

Positivo/Negativo

É do romancista norte-americano Stephen King a seguinte frase: “o que importa é a história, e não o narrador”. Nada mais apropriado do que ele assinar a introdução deste encadernado.

Tudo tem início quando Brant Tucker e a colega de trabalho Charlene Mooney sofrem um acidente de carro. Atordoados com a batida, eles perambulam noite adentro, por lugares que não conhecem. Meio que ao acaso, com a ajuda de uma estranha criatura, chegam a uma estalagem. Aparentemente, o único abrigo em meio a uma tempestade que fica cada vez mais intensa e assustadora.

Apresentados aos outros estranhos viajantes que por ali se abrigam, Brant e Charlene começam a escutar seus relatos e a adentrar as fantásticas histórias que contam. Eles tomam conhecimento dos sonhos das grandes cidades adormecidas, de uma missão de Cluracan a serviço de sua senhora Titânia e de que John Belushi estaria vivo se os Estados Unidos fossem governados por Prez Rickard, pois o ator se inspiraria no presidente para parar com seu vício em drogas e álcool.

Há ainda uma aventura pelos mares, narrada por Lorde Jim e que fala de seu encontro com uma titânica serpente marinha. Ela conta, inclusive, com a participação de Robert Gadling, visto pela primeira vez em A Casa de Bonecas.

A propósito, faltou uma Nota na Areia relativa à página 74. No quarto quadro, o capitão Herbert Burgrave chama o clandestino recém-encontrado de Gunga Din. Trata-se de uma alusão ao personagem e ao poema de mesmo nome de Rudyard Kipling. O autor é inclusive citado pelo próprio Gunga Din um pouco mais à frente, na página 80 (esta menção devidamente explicada nas referências no final do álbum).

Toda a estrutura de Fim dos Mundos é baseada no conceito de histórias dentro de histórias. O leitor lê uma trama escrita por Neil Gaiman que é contada por Brant Tucker para uma Bartender.

Tucker, por sua vez, escutou uma dezena de outros contos e, em sua maioria, eles têm mais histórias dentro de histórias (isto também é citado por Stephen King na introdução do álbum). Contando com a habilidade narrativa do roteirista e dos vários artistas envolvidos, o resultado é excepcional.

O maior exemplo disto é o testemunho de Petrefax sobre Litargo Ocidental. Mais precisamente no momento em que ocorrem os relatos de Scroyle e Hermas. O primeiro narra o encontro com um estranho que na verdade era Destruição, um dos perpétuos (visto em detalhes no encadernado anterior, Fábulas e Reflexões), que lhe conta que Litargo não é a primeira necrópole e o que houve para a primeira ter a sua licença “revogada”.

Já Hermas fala sobre sua antiga mestra, Veltis, que num certo dia contou-lhe inúmeras histórias. Numa delas, descrevia o futuro de Petrefax e de seu mestre Klaproth. Outra revelava um segredo dela própria e outro encontro com um perpétuo.

A última parte – que não é necessariamente uma história do passado, mas sim uma do presente e que mostra a real causa da tormenta – fecha a edição de forma extraordinária, criando muita expectativa para o penúltimo e decisivo encadernado, Entes Queridos.

Neste trecho vale destacar a Morte retratada na página 157, que é de uma beleza arrebatadora. Por vezes, ela foi mostrada brava ou indignada durante a série, mas com a expressão da mais completa e absoluta tristeza, nunca. É uma imagem que fica um certo tempo na cabeça, uma página que demora bastante para ser virada.

Muito interessante a opção de publicar as edições em seqüência, sem páginas dividindo os vários capítulos. Isto consegue maximizar a sensação que o leitor tem de estar na estalagem, protegendo-se da tormenta, enquanto escuta as histórias de seus freqüentadores.

Quanto à edição, em muitas páginas a tinta das letras e dos próprios balões de pensamento ou de fala vazaram, borrando bastante em volta. Percebe-se isto nas partes com mais cores, mas principalmente nas que têm o preto dos balões e fontes contra a página em branco. O problema ocorre com mais freqüências nos trechos passados na estalagem, que são desenhados por Bryan Talbot e durante a história de Petrefax, ilustrada por Shea Anton Pensa e Vince Locke.

Fim dos Mundos é o oitavo volume lançado pela Conrad, reúne Sandman # 51 a # 56 e pode ser encarado como um prelúdio para a grande conclusão da série, que ocorrerá nos dois próximos encadernados.

Classificação

4,5

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