Sandman – Vidas Breves

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 14 dezembro, 2007

Sandman - Vidas BrevesEditora: Conrad Editora – Edição especial

Autores: Neil Gaiman (roteiro), Jill Thompson, Vince Locke, Dick Giordano, Danny Vozzo (arte) e Dave McKean (capas).

Preço: R$ 66,00

Número de páginas: 264

Data de lançamento: Março de 2007

Sinopse

Delírio e Sonho saem em busca de Destruição, o irmão que os deixou há mais de 300 anos.

Positivo/Negativo

Neste sétimo volume, que reúne Sandman # 41 a 49, Gaiman mostra um pouco mais a fundo a personalidade de seus personagens e, em um nível mais amplo, o que significa a mudança, mesmo para seres quase imortais.

A busca tem início quando Delírio sente que a tristeza que a aflige é muito mais forte desde que seu irmão foi embora. Para a caçula dos Perpétuos, ele era alguém que, de certa maneira, unia todos eles, fazia com que tudo fosse mais tolerável, mais “legal”.

A primeira a cruzar seu caminho é Desejo, a quem em vão pede ajuda. Em seguida, vai ao encontro a Desespero, que igualmente nega-se a acompanhá-la. Por fim, procura Sonho, que por motivos que só dizem respeito a ele, resolve unir-se à irmã na busca por Destruição.

Este começo, meio despretensioso, possui certas imagens e palavras esplendorosas. O mais sincero exemplo de ambos está na página 33, quando Destruição beija Desespero no rosto. Pelo brilho dos olhos dela, percebe-se o significado do nome dela. É como a sensação de um gancho de anzol fincado na alma, quando se escolhe o rancor ou a indiferença em vez de optar pelo amor.

A partir daí, a trama mostra-se um autêntico road movie em quadrinhos, com os tradicionais momentos de viagem, descoberta e transformação.

A inevitabilidade da mudança e o que decorre dela são o cerne de Vidas Breves, e chega a ser redundante dizer que tanto Delírio quanto Sonho não serão os mesmos ao final dessa busca. Principalmente o último.

É difícil, para não dizer impossível, precisar o que significa Sandman para seus apreciadores. São histórias e mais histórias que pulsam cheias de vida, e ainda que tenham significados distintos para cada um, fazem que com o leitor se sinta bem ao final de cada álbum.

Como curiosidade, vale mencionar que originalmente a história de Orpheus (figura de pouca, mas vital participação na história) só seria apresentada aos leitores na edição seguinte, de número 50. Ao reunir a saga em dez volumes para relançamento, a DC Comics optou por colocar A Canção de Orpheus no encadernado anterior.

Para fechar, fica o destaque para o ótimo texto do escritor Peter Straub, que destrincha habilmente muitos dos elementos e situações presentes na edição, e para o excelente – e recorrente – trabalho editorial realizado pela Conrad.

Classificação

5,0

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