Shazam! – A origem do Capitão Marvel

Por Edimário Duplat
Data: 24 dezembro, 2018

Shazam! – A origem do Capitão MarvelEditora: Abril – Edição Especial

Autor: Jerry Ordway (roteiro, desenhos e cores).

Preço: R$ 5,20

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Janeiro de 1997

Sinopse

Em uma exploração ao templo de Abu Simbel, construído em homenagem ao faraó Ramsés II, os arqueólogos C.C. e Lyn Batson tornam-se vítimas do inescrupuloso Teo Adam após a descoberta de um misterioso colar encontrado no local.

Meses depois, o jovem Billy Batson, filho dos cientistas assassinados, dorme nas ruas de Fawcett City, por conta do descaso de seu tio, até entrar em contato com um misterioso senhor. Intitulado como Shazam, o mago transfere seus poderes ao garoto, que ao pronunciar o nome do ancião se transforma no poderoso Capitão Marvel. Agora, Billy terá que lidar com seus poderes para combater os planos do Dr. Silvana e vingar a morte de seus pais em uma luta decisiva contra o perigoso Adão Negro.

Positivo/Negativo

Criado em 1940 por C. C. Beck e Bill Parker, o Capitão Marvel (hoje conhecido como Shazam) surgiu como uma alternativa da Fawcett Comics para o boom iniciado nos quadrinhos após a publicação do Superman. Tornando-se um sucesso de vendas e popularidade, foi levado a outras mídias rapidamente e estimulou a DC Comics a processar sua concorrente por plágio.

Com o acordo firmado entre as duas editoras, em 1953, o herói foi colocado em um limbo editorial que só terminou em 1973, quando a própria DC adquiriu os seus direitos de publicação e colocou a sua realidade criativa em seu infinito catálogo de universos adjacentes aos supers “oficiais” da empresa.

Depois do evento Crise nas Infinitas Terras, uma reformulação unificou esses diferentes mundos, colocando todos os personagens da editora em um mesmo cenário de histórias. Assim, suas origens foram readaptadas para esta nova realidade, com o Capitão Marvel sendo um dos “agraciados” por essa iniciativa.

Após a sua “reestreia” na saga Lendas, o herói ganhou uma minissérie em quatro edições chamada Shazam – The New Beginning (inédita no Brasil), que não teve a resposta esperada pela empresa.

Com isso, em 1990, Jerry Ordway recebeu a missão de reinventar o herói novamente. E o resultado, é a graphic novel The Power of Shazam!, publicada no Brasil na edição única Shazam – A origem do Capitão Marvel, em 1997.

E diferentemente da versão anterior, que repaginava o herói a uma proposta mais “crível” de sua origem, Jerry Ordway não tem pudor em levar o Capitão Marvel a uma versão mais fantasiosa e anacrônica, criando todo um mundo particular que compartilha do mesmo fascínio onírico que dá voz a Billy Batson e suas aventuras.

Dessa forma, o garoto vive em uma cidade fictícia – Fawcett City – que tem muito mais do que o nome de sua editora original para ser referencial à sua trajetória. Com ruas que homenageiam artistas que criaram e trabalharam na sua elaboração, o local também tem um visual congelado no tempo, com carros e arquitetura que pararam entre os anos 1940 e 1950. Uma particularidade que é justificada sabiamente como um “fetiche turístico” e deixa eternizado um estilo de vida que abraça seu porte atemporal e sua mentalidade juvenil.

Dentro disso, a história também bebe de uma trama básica, remontando à clássica fórmula da tragédia que precede a criação de um protetor da justiça. Isso não quer dizer que o enredo seja mal elaborado, já que Ordway entende a força desse formato para dar contexto aos dramas vividos pelo protagonista e os motivos dele ser o escolhido como novo sucessor do mago Shazam.

Nesse ponto, não se pode negar que tudo é bem amarrado em uma rede de ganchos textuais, com direito a uma infinidade de referências às antigas obras pré-Crise, desenvolvendo-se em um épico com estrutura perfeita para uma adaptação cinematográfica ou televisiva.

Por falar em roteiro, talvez o único problema da história esteja em uma decisão tomada após a sua criação e eventual sucesso. Vista de um ponto isolado, ela não apresenta problemas conceituais, pois não dialoga com um período específico de data, mesmo estipulado que a cidade viva uma moda retrô dos anos 1940 e 1950, o que a coloca entre as décadas de 1960 e 1990.

Entretanto, a partir do momento em que a DC assume que a graphic novel apresenta o papel de “Ano Um” do herói – dando origem a uma série mensal de mesmo nome –, o fato da exploração do templo de Abu Simbel antes de sua transferência de local deixa um buraco enorme para os fãs da cronologia.

Localizado em uma área que seria inundada pela construção da barragem de Assuão, o sítio arqueológico foi transferido para outro local em um projeto audacioso da Unesco em 1968, quase 20 anos antes do período no qual o Capitão Marvel passa a viver suas aventuras adjacentes a esta obra.

No Brasil, a revista foi lançada em um especial em formato americano e sem cortes, funcionando como uma prévia para a mensal Shazam!, lançada em formatinho e com as histórias da série posterior à graphic novel.

Editorialmente, em um diálogo específico, há uma confusão de concordância ocasionada por um erro de tradução em um balão. Não interfere no entendimento, mas não deixa de ser visível em uma simples leitura.

Classificação:

4,0

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  • Cassiano Cordeiro Alves

    Eu adoro esta versão da origem do Capitão Marvel. E concordo com o resenhista, a graphic novel é praticamente um filme do personagem e funcionaria muito bem no cinema.

  • Chefe O’Hara

    Só li escaneada, por mais que quisesse comprar! Vi um único exemplar em uma banca meio fora do meu itinerário tradicional. Fui procurar na minha banca costumeira e não achei, nem em nenhuma outra, e não havia previsão de chegada. Voltei àquela primeira e… Já tinha sido vendida! E nem a DINAP tinha no estoque (mesma coisa com peças raras como o “Sandman” 75 e o Y: o Último Homem 10)! Quem vende na internet, vende por R$ 45,00, 50,00… Fuleiragem!