Terra X # 3

Por Sidney Gusman
Data: 22 dezembro, 2001

Terra X # 3Editora: Mythos – Minissérie em 4 edições

Autores: Jim Krueger e Alex Ross (argumentos), Jim Krueger (roteiro), Alex Ross (capas), John Paul Leon (desenhos), Bill Reinhold (arte-final) e Matt Hollingsworth (cores).

Preço: R$ 7,50

Data de lançamento: Novembro de 2001

Sinopse

Enquanto X-51, o antigo Homem-Máquina, diz ao Vigia que eliminou todas as suas emoções, para não interferir em suas observações, o Caveira Vermelha, com seu exército de superseres, todos controlados mentalmente, chega a Nova York, causando destruição e com um único objetivo: matar o presidente dos Estados Unidos, Norman Osborn (sim, o velho Duende Verde). E ele consegue com espantosa facilidade.

Mas o Capitão América, depois de percorrer o mundo buscando aliados (como Colossus, Capitão Bretanha, Solaris, Coisa e outros), chega à cidade para o que pode ser o confronto final com o jovem vilão. Uma batalha dantesca ocorre e o desfecho é arrebatador!

Ao mesmo tempo, uma outra batalha se desenrola no espaço. Os Celestiais estão prestes a revelar o mistério escondido por trás (ou melhor, dentro) da Terra. Raio Negro, penitenciando-se por algo que fez há muitos anos e que mudou o destino do povo do planeta (Reed Richards descobre o que ocorreu), parte numa missão suicida, na qual o seu grito pode ser a última esperança dos habitantes do mundo.

Positivo/Negativo

Nem mesmo o interessante conceito, o roteiro e arte competentes e as capas espetaculares foram suficientes para impedir a autêntica “carnificina editorial” realizada nesse trabalho.

Como já foi explicado, cada vez que um novo personagem era introduzido na trama original, páginas duplas contavam sua origem e suas grandes passagens. Nesta edição, os cortados foram Hulk e Alicia Masters (a esposa do Coisa e mãe de seus dois filhos, Buzz e Chuck).

Os outros cortes foram de páginas individuais, como acontece quando Colossus é atacado por um andróide de Nick Fury e, em seguida, aceita se juntar ao Capitão América. Os leitores brasileiros não viram o herói russo concordando em participar da missão; eles tiveram que deduzir…

Mas terrível mesmo foram estes fatos:

1) Na página dupla (48 e 49, contando as mídias) do Homem-Máquina foi feita uma “edição” no melhor estilo Guerra Secretas (pros leitores mais novos, trata-se de uma minissérie que foi completamente mutilada no Brasil, pela Editora Abril, na década de 1980; teve até super-herói sendo apagado e alterações no final da trama!).

Como o personagem tinha duas duplas, os “adaptadores” nacionais recortaram o quadro à esquerda da primeira (que falava sobre o seu criador, Able Stack) e o colaram sobre a outra página, “esquecendo” a seqüência em que ele está com a andróide Jocasta (ex-membro dos Vingadores) nos braços e John Jameson, na lua, questiona o Vigia se X-51 era capaz de amar. Seria engraçado, se não fosse tão desalentador.

2) No final da revista (pág. 76), outra atrocidade editorial. Na batalha dos aliados do Capitão América contra as forças do Caveira Vermelha, os heróis apareciam numa página dupla, que teve só uma parte publicada. Assim, o leitor só vê o braço do Coisa e a Venom do tronco para baixo…

3) Uma mudança na ordem de leitura acontece na página 52, que entrou duas páginas depois de sua aparição no original americano.

Também há erros de português e de letreiramento. Confira: “não vou ficar de braço cruzado” (pág. 11 – o correto seria no plural, “braços cruzados”); “amargar suas existência” (14 – sua deveria estar no singular); “paralizados” (19 – esta doeu! O certo, claro, seria “paralisados”); “pra você saber que nada do têm a dizer” (20 – tem, neste caso, é sem acento); “Raio Negro e Maximus eram irmãos” (25 – Máximus leva acento no “a”); e “e existe há um homem bem silencioso” (67 – ou existe ou há; os dois juntos, não).

A gráfica também ajudou a colocar uma “pá de cal” a mais nesta edição, pois o corte (no sentido literal) das páginas estava muito ruim. Na 49, por exemplo, o rosto de X-51, na extremidade direita da página, sequer aparece.

Nesta edição, que engloba os números 8 a 11 do original, foram cortadas 15 páginas de quadrinhos e 22 de textos (os apêndices, que traziam explicações sobre o que teria ocorrido com vários personagens da Marvel, e que os leitores brasileiros, claro, ficaram sem saber), totalizando 37!

Assim, o “placar” das páginas cortadas subiu para 137, em três números! Leia os reviews da próxima edição e veja o placar final das páginas extirpadas da versão nacional.

E não deixa de ser irônico que, em meio a tantas páginas cortadas, a Mythos tenha terminado a história na terceira capa…

Classificação:

Zero

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