Os implacáveis quadrinhos de faroeste

Por Marcus Ramone
Data: 18 setembro, 2015

Nem o sol escaldante das plagas áridas, os pistoleiros mais sanguinários das cidades sem lei ou mesmo as crises do mercado de HQs… nada  conseguiu mandar esses bravos e resistentes gibis para o limbo editorial.

 

Bufallo Bill # 1Western, faroeste, bangue-bangue ou cowboy. Qualquer que seja a denominação, o tema vem exercendo fascínio em milhões de pessoas há mais de um século, quando a primeira produção cinematográfica do gênero, exibida em 1903, proliferou uma paixão que se estendeu para outras áreas, como televisão, rádio, livros e revistas em quadrinhos.

O cinema consagrou e popularizou o Velho Oeste norte-americano, tornando-o histórica e geograficamente um patrimônio do mundo. Mas os quadrinhos também ajudaram a eternizar os míticos duelos entre pistoleiros, as batalhas envolvendo índios e colonos e as típicas pradarias e os áridos cenários em que esses rudes homens e mulheres protagonizaram um dos períodos mais fascinantes da História.

E são exatamente as HQs que, atualmente, mantêm acesa a chama do Oeste bravio. Os áureos tempos das grandes produções de cinema de western estão longe, mas personagens de quadrinhos como o ranger Tex Willer e o ex-tenente Blueberry são publicados há décadas – em alguns casos de forma ininterrupta – em vários países.

As primeiras cavalgadas

A incursão inicial do western nos quadrinhos data de 1928, quando a série Young Buffalo Bill estreou nas tiras de jornal dos Estados Unidos. A partir da década seguinte, o faroeste se entregou de vez ao mundo das HQs. Personagens como Bufallo Bill, de Harry O’Neil; Rei da Polícia Montada, com os desenhos de Allen Dean; e Red Ryder (conhecido no Brasil como Nevada), de Fred Harman, faziam muito sucesso entre os leitores já na década de 1940.

Em 1932, destacou-se um nome ainda célebre nos dias de hoje, o Cavaleiro Solitário (Lone Ranger), criação de George Trendle e Fran Striker para um programa de rádio e que só depois seguiu para o cinema e tiras de jornais (seu principal desenhista foi Charles Flanders), chegando aos gibis (a maior parte das histórias tinha o traço de Tom Gill).

No Brasil, o herói mascarado teve a infelicidade de ver seu nome “traduzido” para Zorro, o que durante muito tempo causou confusão quanto ao outro, o de capa e espada, criado por Johnston McCulley, que por aqui foi publicado em título próprio pela Ebal e em histórias avulsas pela Editora Abril (anos 1970), desenhado por nomes de peso do quadrinho brasileiro, como Franco de Rosa e Rodolfo Zalla.

Por muitos anos, Lone Ranger teve suas aventuras publicadas pela Ebal e sua última série se encerrou em meados dos anos 1980. O cowboy e seu fiel amigo índio, Tonto, foram revividos na década de 1980 por meio de um desenho animado, no qual podiam ser vistos os tradicionais fins de episódio com o protagonista empinando seu cavalo e gritando o famoso bordão “Hi Yo, Silver!”.

Por sorte, a dublagem brasileira tratou de corrigir o nome do herói, que finalmente passou a ser conhecido pelo mais apropriado Cavaleiro Solitário. Houve outra série de desenhos animados – considerada por muitos fãs como superior à dos anos 1980 – que chegou a ser exibida pela finada TV Tupi, na década de 1960.

Nevada # 27Zorro Especial # 23 - Na verdade, era o Cavaleiro Solitário

Nos anos 1930 a 1950, não havia personagens de filmes de faroeste que não migrassem para os gibis. Fossem séries de cinema ou de TV, até os atores viravam heróis. Roy Rogers (com a arte de John Buscema em início de carreira), Hopalong Cassidy, Gene Autry, Rex Allen, Bill Elliot, Johnny Mac Brown, Rocky Lane (desenhado pela primeira vez no Brasil por Primaggio Mantovi, na década de 1960), Durango Kid, Buck Jones, Annie Oakley, Tom Mix e até o cachorro Rintintin, todos inundavam as tiras de jornais ou revistas em quadrinhos.

John Wayne, o maior ícone desse gênero cinematográfico, não escapou da onda e estrelou sua própria HQ na década de 1940.

Mas alguns personagens faziam o caminho inverso. Como Cisco Kid, que surgiu na literatura, virou filme em 1929 (No velho Arizona, o primeiro western sonoro da história do cinema) e somente 20 anos depois passou para as tiras de jornal – com textos do americano Rod Red e desenhos do argentino José Luís Salinas. Não tardou a chegar aos gibis. Os mascarados eram comuns nos quadrinhos de western dos anos 1940 e 1950, certamente seguindo a esteira dos super-heróis da Timely Comics (atual Marvel) e DC Comics. Cavaleiro Fantasma, Black Diamond e Fantasma Vingador marcaram a época dos cowboys que escondiam seus rostos.

O Cavaleiro Negro (Black Rider no original, que nos anos 1950 foi desenhado por Syd Shores, um artista influenciado pelos traços de Jack Kirby e que influenciou John Buscema) foi um dos que alcançou mais sucesso no Brasil, estreando em 1949 na revista Gibi Mensal (da RGE) e ganhando, depois, um título próprio que atingiu a impressionante marca de mais de 200 edições lançadas.

E vale registrar uma curiosidade: quando a Marvel cancelou a revista Black Rider nos Estados Unidos, a RGE não quis descontinuar o título por aqui, já que ele vendia muito bem. A solução encontrada foi pegar as histórias do cowboy Gringo (publicado na Espanha) e transformar o personagem no Cavaleiro Negro. A adaptação dos textos era feita por Primaggio Mantovi – e Walmir Amaral de Oliveira refazia os desenhos. Em 1985, o Cavaleiro Negro teve sua primeira edição relançada na série Gibi de Ouro – Os clássicos dos quadrinhos, ainda pela RGE.

Gene Autry ComicsJohn Wayne # 30

Mas havia outros personagens de faroeste na “Casa das Ideias”. Foram lançados, em 1948, os gibis de Two-Gun Kid e do incompreendido Kid Colt – que ainda detém o título de HQ de western mais duradoura dos Estados Unidos: 31 anos e 229 edições, cujo fim se deu em 1979. Apesar do subtítulo na capa adjetivando-o de fora da lei, o personagem era um mocinho que, injustamente, fora acusado de assassinato e vivia perseguido por xerifes e caçadores de recompensa.

Pouco depois, em 1955, surgiu Rawhide Kid (também conhecido no Brasil como Billy Blue), que, entre idas e vindas, teve a revista cancelada em 1978. Retornou em 2003 por meio do selo Max (divisão adulta da Marvel) com uma nova e polêmica temática: revelou-se que ele era homossexual.

Os dois heróis ficaram mais conhecidos no Brasil durante os anos 1970, quando suas aventuras eram publicadas pela RGE.

Outros cowboys da Marvel surgiram no começo dos anos 1970, como Kid Cassidy, Reno Jones e Outlaw Kid, que invadiam as páginas das revistas Blaze of Glory, The Gunhawks Western Gunfighters, dentre outras.

A DC também investiu pesado nos quadrinhos de faroeste. Jonah Hex, o deformado ex-oficial do exército que se tornou mercenário, foi criado por John Albano e Tony De Zuñiga. Apareceu pela primeira vez na revista All-Star Western # 10, em 1972, e no título próprio seguiu até 1985.

No Brasil, ele foi apresentado pela Ebal, no gibi Reis do Faroeste, e pouco tempo depois estreou em uma revista própria que durou até 1984.

Rawhide KidJonah Hex

Hoje, os quadrinhos de cowboys tradicionais estão em baixa nos Estados Unidos. Um desses últimos à moda antiga, The New Adventures of Rick O´Shay and Hipshot, saiu em 1992, com histórias inéditas dos cowboys criados por Stan Lynde nos anos 1950.

Latigo, concebido em 1977 pelo mesmo autor, teve suas tiras de jornal publicadas até 1983, compiladas depois em edições de luxo encadernadas. Também dele é a série Pardners, que apresentou as graphic novels The Bonding e The Legacy.

Outro álbum de luxo, Rio, escrito e desenhado por Doug Wildey, lançado no final dos anos 1980, foi publicado no Brasil pela Editora Globo em 1990.

Entretanto, a AC Comics tem sido uma rara exceção dentre as editoras americanas, ainda apostando no faroeste. Fundada em 1982, desde então republicou clássicos da Dell Comics e da Magazine Enterprises dos anos 1940 e 1950, nos títulos Durango Kid, Great American Western, Hopalong Cassidy, Presto Kid (uma espécie de Mandrake cowboy), Jesse James, Lash LaRue Western, Red Mask, Rocky Lane, Tim Holt, Tom Mix, Western Movie Heroes, Wild Bill Pecos, Young Gun, Bob Steele, Black Phantom (heroína que parece ter inspirado a Gata Negra da Marvel), TV Western, Lemonade Kid, The Hand of Zorro, Blazing Western, Bobby Benson’s B-Bar-B Riders (um faroeste mais moderno) e o gibi do paranormal Latigo Kid (que não tem nenhuma relação com o Latigo de Stan Lynde).

Blazing Western # 1 - Latigo KidPecos Bill

Aportando no Brasil

Os cowboys passaram a ocupar as revistas em quadrinhos do Brasil em 1939, nas páginas do primeiro número do Gibi (RGE). O estreante foi Bronco Piler.

Em 1948, O Guri, do Diário da Noite, começou a publicar Hopalong Cassidy. Depois, a revista apresentou vários personagens, como Rei da Polícia Montada, Cavaleiro Fantasma, Máscara Vermelha, Bob Benson e muitos outros.

Mais alguns começaram a ganhar títulos próprios, a partir de 1951. Eram eles: Flecha Ligeira, Don Chicote, Campeões do Oeste, Cavaleiro Negro, Bronco Piler, Nevada, Rocky Lane, Bufallo Bill e Cavaleiro Fantasma. E a revista Júnior passou a publicar unicamente as aventuras de Texas Kid (no Brasil foi assim batizado, naqueles tempos, o Tex Willer da atual Sergio Bonelli Editore).

Com relação ao mais famoso ranger dos quadrinhos, há um fato curioso. Em 1949, a Editorial Abril, da Argentina, passou a publicar na revista Rayo Rojo as aventuras de um certo Colt, El Justicero, com textos de Julio Almada e desenhos de Carlos Cruz. O personagem era ninguém menos que Tex, produzido por artistas argentinos.

Isso aconteceu porque a editora, que publicava regularmente o personagem (com o nome adaptado para Colt Miller) naquela revista e na Misterix, estava com falta do material italiano e a solução foi partir para a produção caseira.

Outro Texas Kid, o da Timely Comics, criado em 1951 e que, além da própria revista, aparecia em Marvel Team-Up, Two-Gun Western e Wild Western, começou a ser publicado no Brasil em título próprio ainda nos anos 1950.

Nessa época, O Lobinho (já pela Editora A Noite) apresentava, na maioria de suas páginas, quadrinhos como Águia Americana, de John Severin; Tim Holt, de Frank Bolle; e O Cavaleiro Fantasma, de Dick Ayers.

A Ebal, por sua vez, publicou Aí, Mocinho, em 1949, contando como atração principal o herói Black Diamond. O título era exclusivamente do gênero faroeste. Os outros gibis da editora, então, começaram a apresentar o mesmo tipo de histórias.

Álbum GiganteBuck Jones

Álbum Gigante trazia as aventuras de Buck Tone, Ken Maynard e Monte Hale (este, um estrondoso sucesso nos anos 1950, com aventuras que se passavam durante a corrida do ouro no Velho Oeste); e O Herói levava aos leitores as histórias de Bill Boyd e Bob Colt (a partir de 1955, eles se revezavam na revista com Durango Kid, Buck Jones e Kit Carson – não confundir com o partner de Tex Willer).

Super-X, em 1951, trazia aventuras de Monte Hale, Bill Boyd e Tex Ritter. Em 1957, o título passou a publicar Cisco Kid. Em 1953, surgiu Reis do Faroeste, que em cada edição apresentava um cowboy famoso do cinema: Buck Jones, Bill Elliott, Johnny Mac Brown e Rex Allen.

Zorro, Novo Gibi, Roy Rogers, Gene Autry, Rintintin, Shazam! (com aventuras de Gene Nelson, Richard Todd, Hopalong Cassidy, Rocky Lane, Don Chicote e Flecha Ligeira) e O Juvenil Mensal também faziam parte do cast de gibis com histórias de cowboys da Ebal, na época.

Pela mesma editora, vários cowboys da DC foram lançados em diferentes épocas: Tomahawk, com desenhos de Frank Frazetta, Joe Kubert, Bob Brown e Frank Thorne; Johnny Thunder, nos traços de Gil Kane e Alex Toth; O Renegado, também por Gil Kane; Indian Smith e os Gêmeos do Gatilho, desenhados por Carmine Infantino; El Diablo, de Neal Adams; Billy the Kid (curiosamente, uma garota que se fazia passar por um rapaz), de Tony De Zuñiga; e Bat Lash, escrito por Sergio Aragonés (sim, o mesmo de Groo) e desenhado por Nick Cardy.

Em 1953, a Editora Orbis iniciou a publicação de HQs de faroeste, com títulos como Marrua, Vingadores, Pele Vermelha, Hopalong Cassidy, Cisco Kid e Rancho Grande.

A Editora Vecchi atacou com os italianos O Pequeno Sheriff, de Tristano Torelli e Dino Zuffi, e Pecos Bill, de Pietro Gamba.

Outras editoras, como a La Selva e a Novo Mundo, entraram no segmento nos anos 1950 e 1960, lançando títulos como Bill Kid, Kid Colt, John Wayne, Cavaleiro Fantasma, Billy Furacão, Gatillo, Kid Montana, Cheyenne Kid, Rifle e Fantasma Vingador.

E pela editora O Cruzeiro, a revista Gurilândia trouxe O Rei da Polícia Montada, no início dos anos 1960.

Na década de 1970 ainda havia muitas publicações do gênero, como Cisco Kid, agora na GEA; Tim Relâmpago, Bonanza e Zorro, pela Ebal; Cavaleiro Negro, na RGE; Tex, Zagor, Ken Parker e Histórias do Faroeste, da Vecchi; Blueberry, da Abril; e muitos outros.

Mas a maioria dos clássicos – principalmente os egressos do cinema ou da TV – já se encontrava em extinção e muitos títulos deram seu último suspiro antes da chegada dos anos 1980.

ZorroAlmanaque Kid Colt

Europa

A maioria esmagadora dos quadrinhos de western, em sua Era de Ouro (até meados da década de 1960), era produzida nos Estados Unidos, o que não é de se espantar, já que o país representa o cenário e a gênese do tema. O interessante é saber que o gênero ia definhando em sua própria casa (a partir dos anos 1980 chegou à quase total extinção), enquanto na Europa, principalmente na Itália, se fortalecia com o passar do tempo.

Mesmo nas décadas de 1950 e 1960 já havia um italiano, Alberto Giolitti, desenhando para gibis dos EUA, em títulos de sucesso como Indian Chief, Tonto, Sargento Preston, Tales of Wells Fargo, Paladino do Oeste e Gunsmoke. E na própria Itália pipocavam títulos como Un Ragazzo nel Far West, Rio Kid (El Cavalieri del Texas), El Kid, Big Davy e Yuma Kid.

Mas o Velho Continente é que tem sido o maior exportador dessas HQs, há décadas.

Grandes nomes dos quadrinhos europeus, hoje célebres por suas criações de outros gêneros, já emprestaram sua arte para o faroeste. Como Paolo Eleuteri Serpieri (o “pai” de Druuna), que no início de carreira desenhou histórias do General Custer, nos anos 1970, e de outros heróis reais do Oeste para a famosa revista Skorpio. Um de seus melhores trabalhos, inclusive, em todas as áreas que atuou, foi A História do Far West em HQ.

Muitas são as criações e criadores famosos, como Larry Yuma, de Claudio Nizzi e Carlo Boscaratto; Durango, de Yves Swolfs, cuja aventura Cilada para um pistoleiro foi publicada no Brasil, em edição de luxo, pela VHD Diffusion, em meados da década de 1980); Poncho Yucatan, de Jordi Bernet (que, junto, com Carlo Trillo, também criou a série Clara de Noite); Lobo Solitário, de Manfred Sommer; Comanche e Red Dust (do belga Hermann), que foram apresentados ao Brasil pela Editora Vecchi no final dos anos 1970; Tex Tone (com oito edições publicadas na década de 1970, pela Noblet, e que foi um sucesso impressionante na França, de 1957 a 1985); e, mais recentemente, o inescrupuloso Snake, outra obra de Jordi Bernet, desta vez em parceria com Sanchez Abuli.

A revista Xerife (com as aventuras de Mendoza Colt), também teve vida longa (1968 a 1986), tanto na Espanha (onde foi criada), quanto em Portugal – de onde vinham as edições distribuídas no Brasil. Na Itália, em 1990, Only West Baby, com os excelentes desenhos de Bruno Brindisi, durou apenas três (belas) edições.

Gunsmoke # 1Un Ragazzo nel Far West

Mas há outros personagens que ainda gozam de prestígio, no Brasil e na Europa, e que há muito tempo figuram na lista de preferência dos fãs de western. Alguns deles continuam firmes e fortes em suas próprias revistas.

O mais longevo de todos é o ranger Tex, criado em 1948 por Gianluigi Bonelli e Aurélio Galleppini. Ao lado do amigo inseparável Kit Carson, do índio navajo Jack Tigre e do filho Kit Willer, suas histórias apresentam roteiros e desenhos que figuram dentre os melhores de qualquer segmento de HQ.

No Brasil, ele tem uma imensa legião de fãs desde 1971, quando a Vecchi lançou o personagem (vale repetir que nos anos 1950 ele era chamado de Texas Kid, na revista Junior).

Passando depois pela RGE/Globo e atualmente pela Mythos Editora, Tex tem sido um fenômeno editorial tão grande no Brasil que, atualmente, ele é o personagem com o maior número de títulos nas bancas: são nove estampando seu famoso logotipo, incluindo especiais em cores.

Da Bonelli também aportou por aqui o protetor da fictícia floresta de Darkwood, o instigante Za-gor-te-nay, ou simplesmente Zagor, o Espírito da Machadinha.

Criado em 1961 por Guido Nolita (pseudônimo de Sérgio Bonelli) e Gallieno Ferri, o herói estreou no Brasil em 1978, pela Vecchi. Migrando para a RGE/Globo e depois para a Record, o personagem finalmente chegou à Mythos em 1998 e, desde então, recuperou seu prestígio entre os fãs. Tanto que ganhou outros dois títulos (Zagor Extra e Zagor Especial) e até seu parceiro de aventuras, Chico, o rotundo e comilão mexicano – elemento de humor das histórias do herói – teve algumas edições especiais lançadas.

As histórias recheadas de temas místicos, fantasia, ficção científica ou mesmo terror, têm sido a fórmula do sucesso desse faroeste inusitado.

Tex Edição de Outo # 70Zagor Especial # 48

Outra criação italiana apareceu no Brasil, mas não vingou, a despeito das boas histórias. Texas Kid (Jesus, no original), teve apenas três edições lançadas pela Abril, em 1984.

O personagem (concebido por Ennio Missaglia) era um adolescente que fora criado por um feiticeiro índio desde criança e sofria os maiores reveses por conta do preconceito à sua ligação com os peles-vermelhas.

Rifle Comprido, ou Ken Parker, tornou-se um cult dos quadrinhos, por ser um cowboy afeito a obras shakespeareanas e com ideais ecológicos, além de outras características marcantes que o tornaram um dos personagens mais reverenciados de todos os tempos.

Criado pelos italianos Ivo Milazzo e Giancarlo Berardi, as histórias de Ken Parker são tidas como obras-primas, verdadeiros romances literários em forma de quadrinhos. A Vecchi lançou o personagem no Brasil em 1978. Com o cancelamento da revista, no número 53, ele retornou em 1990 pela Best News Teen, em apenas duas edições. Passou depois pela Ensaio e chegou à Mythos Editora, que também encerrou a publicação do gibi. Desde então, Rifle Comprido foi reeditado pela Tapejara e pelo Cluq em  álbuns de luxo.

Da França veio o também cultuado Blueberry, do belga Jean-Michel Charlier e do francês Jean Giraud (mais conhecido como Moebius). As primeiras aventuras do astuto oficial da Cavalaria do Exército dos Estados Unidos datam de 1963.

Indisciplinado, desertor, cabeça-dura e, acima de tudo, um abnegado na luta pela justiça, Blueberry é, sem dúvida, um dos mais queridos heróis dos quadrinhos de faroeste e recentemente ganhou uma versão cinematográfica.

Ele teve uma passagem meteórica pelo Brasil (pelas editoras Vecchi, Abril e Panini), mas o suficiente para arregimentar muitos e fiéis fãs.

Ken ParkerBlueberry

Em 1979, Ennio Missaglia, Vladimiro Missaglia e Ivo Pavone criaram Judas, um ex-pistoleiro que ganhava a vida como agente da Pinkerton (famosa agência de detetives do Velho Oeste).

Durão, cruel e cínico, o personagem não obteve muito sucesso e foi cancelado. Publicado no Brasil pela Vecchi – que trocou seu nome para Chacal – no começo dos anos 1980, seguiu depois para a Record no final da mesma década (com o nome original) em uma maxissérie em 16 edições.

Bella & Bronco (ela, uma garota bastante “avançada” para sua época; ele, um índio quase “filósofo”), a irresistível dupla criada pelo italiano Gino D’Antonio, também teve vida curta: apenas 16 números de sua revista (no Brasil, foram oito edições publicadas pela Globo entre 1990 e 1991).

Um personagem mais longevo foi Carabina Slim, criado na Itália e publicado de 1967 a 1987. A Editora Noblet o trouxe para o Brasil e o lançou em algumas dezenas de edições na década de 1970.

Por fim, outro título italiano que marcou seu nome nas bancas brasileiras: Reis do Faroeste, publicado pela Ebal no início da década de 1980. Foram 30 edições, alternando as séries Pequeno Ranger e Estrela Negra.

ChacalReis do Faroeste

Heróis de verdade

Figuras como Daniel Boone, Davy Crockett, Jim Bowie, Kit Carson, “Wild” Bill Hickok e Bufallo Bill, célebres personalidades do Velho Oeste real, sempre estiveram presentes nas HQs norte-americanas, principalmente nos primórdios desse gênero.

Muitas vezes imbuídos do mito de heróis perfeitos, íntegros e leais, ganhavam um renome bem maior do que seus verdadeiros feitos os legaram. E não só nos Estados Unidos, onde o culto a esses heróis é mais ferrenho. Pois até na Espanha, Texas Jack (vertido por lá para os quadrinhos) foi um desses “deuses”.

O argumentista e desenhista italiano Rino Albertarelli, após uma profunda e extensa pesquisa, concebeu uma das melhores séries de quadrinhos de cowboy de todos os tempos: a coleção I Protagonisti, que desmistificou muitos desses personagens históricos. Tais como Wyatt Earp, protagonista do famoso massacre do O.K. Corral, um dos episódios mais sangrentos da história do Velho Oeste. Na edição dedicada ao xerife, ele é retratado como um homem covarde e viciado em álcool.

A série estreou em 1974 na Itália, no mesmo ano em que o autor faleceu, deixando prontas apenas dez edições de uma lista que, pretendia -se, seria muito maior.

No Brasil, a coleção recebeu o nome de Personagens do Oeste. Foram publicados somente cinco números, pela Ebal, em edições de luxo, entre 1975 e 1977: Billy the Kid, George A. Custer, Gerônimo, Wyatt Earp e Touro Sentado.

Poucos anos antes, outra série ganhou destaque internacional e levou seu autor, Gino D’Antonio, ao panteão dos grandes nomes das histórias em quadrinhos. Tratava-se de Storia del West, nada mais, nada menos que uma saga em 73 edições (ampliadas em mais duas, anos depois) que contava toda a trajetória das famílias MacDonald e Adams no Oeste bravio, desde os tempos dos pioneiros.

Havia uma interessante cronologia nas histórias, na qual personagens nasciam, envelheciam e morriam e, de forma constante, contracenavam com nomes históricos como Calamity Jane, Manuel Lisa, Jim Bridger, Bufallo Bill, Cochise, Cavalo Louco, Victorio e muitos outros.

A Ebal trouxe para o Brasil todas a edições, a partir de 1970, com o título Epopéia Tri. Em 1991, foi a vez de a Record reeditar o material (apenas 46 números), mudando o nome para a tradução literal A História do Oeste.

Personagens do oeste - Billy The KidA História do Oeste

Western tupiniquim

O Brasil, como grande consumidor de HQs de faroeste nos anos 1940 a 1960, também não poderia ficar de fora quando o assunto era produção nacional.

Por aqui eram feitos títulos como Máscara de Prata, Gerônimo (o histórico índio norte-americano), Jim Bowie e muitos outros. Mas muitos desses personagens eram crias de outras searas, apresentadas aqui por intermédio dos traços de artistas brasileiros.

Entretanto, havia também criações inteiramente nacionais, como o mais famoso de todos: Chet, de Wilde e Watson Portela. Claramente uma versão de Tex, ele possuía a mesma personalidade do célebre ranger, diferindo em poucos pontos, como o fato de ser um incorrigível mulherengo.

A revista conseguiu se segurar por 22 números, todos publicados pela Vecchi, de 1980 a 1982.

Outros surgiram, sem o mesmo sucesso. Foi o caso de Johnny Pecos, criação de Rodolfo Zalla. A revista marcou a estreia da D-Art, editora do autor, mas só chegou a quatro edições publicadas.

Até mesmo Beto Carrero, o empresário “cowboy” que construiu um dos maiores parques temáticos da América Latina, já foi personagem de quadrinhos em meados da década de 1980, com desenhos de Eugênio Colonnese. Foi outro fracasso editorial.

Pistoleiro do Texas veio bem depois. Com os excelentes desenhos de grandes artistas, como Colonnese e Mozart Couto, a revista pecou pelos roteiros fracos (chegou até a copiar algumas cenas dos quadrinhos de Jonah Hex) e não durou muito.

Outros dois cowboys nacionais deixaram sua marca na década de 1960: Colorado, desenhado pelo argentino José Delbo; e Vingador, um herói mascarado que teve em sua fileira de desenhistas o italiano Nico Rosso.

Um caso pitoresco aconteceu no início da década de 2000, quando a Editora Press lançou a série Histórias do Oeste em quadrinhos, em dois volumes escritos e desenhados por Wilson Fernandes. Tratava-se de um plágio flagrante de Tex, não só no visual do personagem principal, mas no fato de que as duas aventuras eram claramente uma cópia (nos textos e até em algumas sequências dos quadros) da história Caçada humana, publicada em Tex # 68 (Vecchi, 1976).

Chet # 22As Aventuras de Beto Carrero

Faroeste Horror

A parceria entre o terror e o faroeste vem de muito tempo. E, hoje, essa parece ser a “especialidade” dos norte-americanos, levando-se em conta que o western tradicional praticamente sumiu do mapa na terra do Tio Sam.

Mas, mesmo em aventuras de faroeste clássico como as de Tex, por vezes também aparecem seres das trevas ou entidades fantasmagóricas. Nas de Zagor, são ainda mais recorrentes, como na fase que percorreu quase todas as edições do título do personagem, no Brasil, de 2002 a 2003.

Em 1950, o sobrenatural Ghost Rider (xará do Motoqueiro Fantasma, cujo nome em inglês é o mesmo) começou a assombrar os vilões do Velho Oeste. No ano 2000, o personagem ganhou, pela AC Comics, uma edição especial em comemoração aos seus 50 anos, mudando a alcunha para Haunted Horseman.

Já em meados dos anos 1970, a Editora Edrel lançou Pistoleiros do Além, que contava com histórias de assombração no Velho Oeste, produzidas por artistas da categoria de Rodolfo Zalla, Pilo Mayo e Al Brent, dentre outros.

O tradicional cowboy da DC, Jonah Hex, sofreu há alguns anos uma reformulação radical, passando a contracenar com cadáveres, zumbis e outras aberrações, adquirindo ainda um humor ácido e negro. Foi uma passageira fase editorial.

Essa encarnação do personagem apareceu pela primeira vez no Brasil na extinta Vertigo, da Abril, em meados dos anos 1990. A última, em 2003, pela Opera Graphica, no especial Oeste Sombrio.

O flagelo Santo dos Assassinos, um dos maiores expoentes dessa mescla de tiros e assombrações, estreou no Brasil na minissérie que levava seu nome, em 1997, pela Abril. O demônio em questão era um pistoleiro sem a mínima compaixão, que, descendo ao Inferno, não temeu nem o próprio Senhor das Trevas.

Ainda na Vertigo, dessa vez pela Opera Graphica, surgiram outros exemplos de faroeste horror, como as histórias extraídas de Weird Western Tales e de edições especiais como El Diablo.

Mas em qualidade de roteiro, desenhos e narrativas visuais, é preciso atentar para a espetacular série Mágico Vento.

Criação de Gianfranco Manfredi para a Sergio Bonelli Editore, Mágico Vento foi um grande sucesso na Itália desde 1996, quando foi lançada a primeira edição de sua revista, até o fim da série – por vontade do autor -, em 2013.

Mostrando as desventuras de Ned Ellis e seu amigo Willy Richards (vulgo Poe), as histórias do xamã branco sioux são repletas de citações a lendas indígenas, abordando fantasmas, monstros míticos e visões do além-vida.

No Brasil, alcançou o mesmo sucesso, publicado pela Mythos a partir de 2002.

Weird Western TalesMágico Vento # 111

No mundo da lua

A ficção científica também proporcionou ótimas aventuras nos cenários inóspitos e misteriosos das HQs de cowboys.

Zagor, como o próprio conceito de suas histórias permite, já teve contatos imediatos de terceiro grau com criaturas do planeta Akkron, numa aventura publicada no Brasil pela Record em 1990 (Zagor # 6).

Antes dele, Kid Colt também contracenou com discos-voadores. A história saiu no Brasil no Almanaque Kid Colt # 1 (RGE, 1979).

Bravestar, que estreou nos desenhos animados, teve uma HQ publicada pela Abril, com HQs produzidas também por artistas brasileiros. O cowboy interplanetário e seu alazão robô, que viviam num planeta semelhante ao Oeste antigo norte-americano, naufragaram em pouco tempo nas bancas.

Até Jonah Hex, numa ideia desvairada da DC, foi enviado para o futuro e virou um herói high-tech, em meio a armas laser, naves espaciais e criaturas mutantes. Totalmente fora de seu habitat, o personagem não agradou aos fãs tradicionais e teve sua (nova) revista cancelada no 18º número.

No Brasil, temos Blagster, o sem-mundo, de Sandro Marcelo, que mistura ficção científica em doses cavalares com uma pitada de faroeste.

Talvez o mais significativo desses casamentos entre vaqueiros e seres de outro planeta seja a série Cowboys and Aliens, criação de Scott Mitchell Rosenberg para a Platinum Macroverse. Com textos de Fred Van Lente e desenhos de Ian Richardson, a HQ mostra a união entre cowboys e índios contra uma invasão alienígena no Velho Oeste. Houve uma adaptação para o cinema, em 2011.

Bravestarr # 1Cowboys and Aliens

Humor

As HQs cômicas têm muitos exemplos de sátiras do western. Mesmo os personagens dos tempos modernos costumam personificar cowboys.

Como o cão Dom Pixote, que interpretava várias personalidades em seus desenhos animados e nos quadrinhos e muitas delas eram xerifes ou cowboys do Velho Oeste. Mas na Hanna-Barbera há os próprios heróis cômicos de faroeste, como Pepe Legal (que também encarnava o aventureiro mascarado El Cabong) e seu fiel ajudante, Babalu.

Nos quadrinhos da turma de Patópolis o tema é farto e já rendeu até uma edição de Disney Especial, no Brasil. Mickey e Pateta comumente viravam cowboys nas histórias produzidas por Paul Murry, fã confesso dessa temática. Em A História de Patópolis, série criada no Brasil, os avôs dos dois personagens protagonizaram um dos melhores episódios, que se passava justamente no Velho Oeste. E ainda há o impagável Pena Kid (spin-off do pato Peninha, criado no Brasil por Ivan Saidenberg), o garoto índio Havita, o Xerife Tiraprosa e o galo Panchito, que, em suas aventuras solo, vive no antigo México dos bandoleiros e rurales.

Até mesmo Donald e Tio Patinhas já tiveram seus momentos de heróis do faroeste, principalmente nas aventuras escritas e desenhadas por Carl Barks. Por sua vez, Keno Don Rosa, recentemente, colocou novamente o pato muquirana nesse cenário, em dois capítulos da premiada A Saga do Tio Patinhas.

O Brasil também tem seus representantes. Bob “The Kid”, criação de Mário Latino, é um divertido xerife de um vilarejo do Arizona e tem como auxiliares os hilários Lobo Jack e Pena Torta.

Ainda mais escrachados são Los Três Amigos, a obra conjunta de Angeli, Laerte e Glauco (e depois Adão Iturrusgarai), apresentando um trio de pseudo-heróis mexicanos que só pensam em sexo, levar vantagem e proferir os mais sujos palavrões.

E não se pode esquecer de  Kactus Kid, criação de Renato Canini. O personagem era originalmente chamado de Koka Kid, mas foi rebatizado pelos editores da revista Crás – na qual ele estreou -, sem o conhecimento e a autorização do autor. O nome pegou e o xerife – alter ego do papa-defunto Zeca Funesto – entrou para a história dos quadrinhos brasileiros.

Kactus Kid

Por fim, Rock & Hudson (de Adão Iturrusgarai), os cowboys gays batizados em “homenagem” ao ator Rock Hudson. Os engraçados e afetados vaqueiros tiveram uma versão para desenho animado em 1994.

As HQs europeias, em seu característico estilo inteligente e cheio de referências culturais e históricas, oferecem uma variada gama de westerns humorísticos. Alguns, são sucessos incontestáveis no mundo inteiro.

A competente dupla de autores franceses René Goscinny e Albert Uderzo criou Umpa-Pá, o valente e boa-praça índio da tribo dos Cumekivai. O personagem teve apenas cinco álbuns lançados (todos publicados no Brasil, pela Record). As histórias se passavam no início da colonização inglesa dos Estados Unidos.

Em 1947, o belga Morris (Maurice de Bevère) concebeu o cowboy solitário Lucky Luke, “o homem que atira mais rápido que a própria sombra”. Uma das melhores paródias de faroeste, o personagem anda sempre acompanhado do cavalo Jolly Jumper e é o maior inimigo dos Irmãos Dalton, os vilões mais imbecis do Velho Oeste. Um dos melhores coadjuvantes da série, o cão idiota Rantanplan, chegou a protagonizar vários álbuns próprios.

A partir de 1955, o roteirista René Goscinny passou a escrever as histórias de Lucky Luke. Essa é considerada a melhor fase do cowboy, na qual eram de praxe as participações de personagens históricos, como Jesse James, Wyatt Earp e Billy the Kid.

Em 1988, Morris recebeu uma medalha da Organização Mundial da Saúde, por ter tirado o cigarro de Lucky Luke e lhe dado um inofensivo pedaço de capim que nunca caía de seus lábios.

Lucky LukeZorry Kid

Seguindo a mesma linha, Kid Farofa, criação do norte-americano Tom K. Ryan, possui uma galeria de coadjuvantes tão estúpidos quanto engraçados. As hilárias tiras do personagem foram publicadas no Brasil em diversos jornais e, em meados da década de 1970, saíram na extinta revista Patota e em um título próprio pela editora Artenova.

Na Itália, em 1957, Benito Jacovitti criou Coco Bill, incontestável sucesso que deixou de ser publicado somente em 1997, por conta do falecimento do autor. O personagem nunca foi lançado no Brasil.

Também por obra de Jacovitti surgiu, em 1968, Zorry Kid. Essa paródia do Zorro clássico era de um humor inteligente e, muitas vezes, permeado de situações surreais. Sua identidade secreta era Kid Paloma, um fervoroso adepto de dança espanhola. Inédito no Brasil, foi publicado em seu país de origem até 1973.

Atualmente…

Apesar de serem exibidos esporadicamente filmes contemporâneos (como Alamo, Pacto de Justiça e o desenho animado Spirit, o Corcel Indomável), revistas informativas (Os Cowboys, que circulou apenas em Maceió/AL) e livros (100 Anos de Western e Curiosidades do Western, ambos escritos por Primaggio Mantovi), os quadrinhos é que mantêm o gênero faroeste em destaque no Brasil.

Nos últimos anos, foi possível ler histórias de western em revistas como Canalha, Vertigo e Crônicas de O Fantasma (sim, um dos membros da linhagem do Espírito-que-Anda foi um cowboy e teve sua biografia contada numa edição lançada pela Opera Graphica, em 2001). Houve ainda quadrinizações de desenhos animados, como o de Pocahontas. E Primaggio Mantovi vem lançando, de forma independente, o Almanaque Rocky Lane, com HQs inéditas estreladas pelo personagem que ele escreveu e desenhou no início de sua carreira, na década de 1960.

Nada que se compare às fases bem mais prolíficas dos quadrinhos de bangue-bangue no País. Mas não há dúvidas sobre o fato de que, em matéria de qualidade das histórias, o mercado brasileiro está muito bem servido.

Marcus Ramone adora contar a piada do Cavaleiro Solitário e do Tonto, que termina com “Nós, quem, cara-pálida?”, mas até hoje não conseguiu fazer ninguém rir.

Almanaque Rocky Lane

• Outros artigos escritos por

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  • Os primeiros filmes do Cisco Kid são da época do cinema mudo, The Caballero’s Way (1914) e The Border Terror (1919), o filme The Arizona Kid (1930) foi planejado para ser uma sequência de In Old Arizona, mas como a Fox não conseguiu os direitos, teve que alterar o nome do personagem, no ano seguinte, ela conseguiu renegociar os direitos e iniciar uma série.

  • Sergio Rodrigues Ferraz

    Parabéns! Li a matéria de cabo a rabo, pois sou fanático pelos gibis antigos que você citou, lançados no Brasil na gloriosa época da Ebal e Rio Gráfica. No caso dos heróis “bang-bang” do Brasil, creio que vocês esqueceu-se do Jerônimo e Moleque Saci, de Edmundo Rodrigues. Foi um sucesso como radionovela e depois, nos gibis. E quanto ao restante, além do excelente artigo, fiquei muito feliz em saber que meu amigo Primaggio Mantovi ainda está na ativa e ainda mais: voltou a desenhar o Rock Lane. Apesar da sua descendência italiana, Primaggio foi, no Brasil, o melhor desenhista do Alan Rock Lane. Depois foi diretor de arte da Abril-Disney, onde o conheci e onde ele me deu minha primeira chance como argumentista dos personagens de Walt Disney…O Primaggio é um grande artista e um grande sujeito e eu amo esse cara! Desejo todo o sucesso para ele!

  • Francisco Sobral Silva

    Sou fã dos gibis até hoje. Era uma maneira de se aprender Inglês com gosto e com diversão; Sinto muito a falta de todos os GIBIS, é uma pena. Abraço e parabéns pelas publicações. Mas, ainda posso encontrar os gibis em inglês hoje?Aonde?

  • Apollonia kvieczynski

    na verdade eu odeio o mayer mendes kkkkkkkkkkkkkkkk