Cumbe, de Marcelo D’Salete, ganhou o Prêmio Eisner

Por Sérgio Codespoti
Data: 23 julho, 2018

Cumbe, de Marcelo D’Salete, ganhou o Prêmio Eisner na categoria Melhor Edição Americana de Material Estrangeiro. O álbum foi lançado pela Fantagraphic, com o título Run for It – Stories of Slaves Who Fought for the Freedom.

No Brasil, saiu originalmente pela Editora Veneta, em 2014, e foi relançada em 2018. Cumbe chegou a ser indicada ao 27 º Troféu HQ Mix, em 2015, na categoria Edição Especial Nacional, enquanto o autor concorreu como melhor desenhista nacional e melhor roteirista nacional.

A história retrata a resistência dos negros no Brasil colonial contra a violência da escravidão.

O trabalho seguinte de Marcelo D’Salete foi Angola Janga – Uma história de Palmares, lançado no ano passado.

Além de D’Salete, Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Albuquerque e Rafael Grampá também já foram vencedores do Prêmio Eisner.

Marcelo D’Salete Run for it (versão norte-americana de Cumbe)

Os dois grandes vencedores desta edição do Eisner foram: Monstress, de Marjorie Liu e Sana Takeda (cujo primeiro encadernado, Despertar, saiu no Brasil em 2018, pela Pixel), e My Favorite Thing Is Monsters, de Emil Ferris (prometido para este ano, pela Quadrinhos na Cia.).

Monstress venceu em cinco categorias: Melhor Série Contínua; Melhor Publicação para Jovens Adultos (entre 13 e 17 anos); Melhor Pintor/Artista Multimídia – Arte Sequencial, (Takeda); Melhor Capista (Takeda) e Melhor Roteirista (Liu).

Marjorie Liu dividiu o prêmio de melhor roteirista com Tom King, que ganhou por Mister Miracle e Batman. Foi a primeira vez que uma mulher ganhou nessa categoria.

My Favorite Thing Is Monsters levou três prêmios, nas categorias Melhor Roteirista/Artista, Melhor Colorista e Melhor Graphic Novel em Álbum Inédito.

A lista dos vencedores foi divulgada no último dia 20 de julho, durante a San Diego Comic Con, em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos. Confira abaixo.

Melhor História Curta
A Life in Comics – The Graphic Adventures of Karen Green, de Nick Sousanis (Columbia Magazine, 2017)

Melhor Edição Única (ou Especial)
Hellboy – Krampusnacht, de Mike Mignola e Adam Hughes (Dark Horse Comics)

Melhor Série Contínua
Monstress, de Marjorie Liu e Sana Takeda (Image Comics)

Melhor Minissérie
Black Panther – World of Wakanda, de Roxane Gay, Ta-Nehisi Coates e Alitha E. Martinez (Marvel Comics)

Melhor Nova Série
Black Bolt, de Saladin Ahmed e Christian Ward (Marvel Comics)

Melhor Publicação para Jovens Leitores (até 8 anos)
Good Night, Planet, de Liniers (Toon Books)

Melhor Publicação para Crianças (entre 9 e 12 anos)
The Tea Dragon Society, de Katie O’Neill (Oni Press)

Melhor Publicação para Jovens Adultos (entre 13 e 17 anos)
Monstress, de Marjorie Liu e Sana Takeda (Image Comics)

Melhor Publicação de Humor
Baking With Kafka, de Tom Gauld (Drawn & Quarterly)

Melhor Antologia
Elements  Fire, A Comic Anthology by Creators of Color, editada por Taneka Stotts (Beyond Press)

Melhor Trabalho Baseado na Vida Real
Spinning, de Tillie Walden (First Second)

Melhor Graphic Novel em Álbum Inédito
My Favorite Thing Is Monsters, de Emil Ferris (Fantagraphics)

Melhor Graphic Novel em Republicação
Boundless, de Jillian Tamaki (Drawn & Quarterly)

Melhor Adaptação de Outra Mídia
Kindred, de Octavia Butler, adaptada por Damian Duffy e John Jennings (Abrams ComicArts)

Melhor Edição Norte-Americana de Material Internacional
Run for It – Stories of Slaves Who Fought for the Freedom, de Marcelo D’Salete, traduzido por Andrea Rosenberg (Fantagraphics)

Melhor Edição Norte-Americana de Material Internacional – Ásia
My Brother’s Husband – Vol. 1, de Gengoroh Tagame, traduzido por Anne Ishii (Pantheon)

Melhor Coleção ou Projeto de Arquivo de Tiras
Celebrating Snoopy, de Charles M. Schulz, editado por Alexis E. Fajardo e Dorothy O’Brien (Andrews McMeel)

Melhor Coleção ou Projeto de Arquivo de HQs
Akira 35th Anniversary Edition, de Katsuhiro Otomo, editado por Haruko Hashimoto, Ajani Oloye e Lauren Scanlan (Kodansha)

Melhor Roteirista
Tom King, Batman, Batman Annual Nº 2, Batman/Elmer Fudd Special Nº 1 e Mister Miracle (DC Comics)
Marjorie Liu, Monstress (Image Comics)

Melhor Roteirista/Artista
Emil Ferris, My Favorite Thing Is Monsters (Fantagraphics)

Melhor Desenhista/Arte-Finalista ou Time de Desenhista e Arte-finalista
Mitch Gerads, Mister Miracle (DC Comics)

Melhor Pintor/Artista Multimídia (arte sequencial)
Sana Takeda, Monstress (Image Comics)

Melhor Capista
Sana Takeda, Monstress (Image Comics)

Melhor Colorista
Emil Ferris, My Favorite Thing Is Monsters (Fantagraphics)

Melhor Letrista
Stan Sakai, Usagi Yojimbo e Groo – Slay of the Gods (Dark Horse Comics)

Melhor Veículo Relacionado a Quadrinhos/Jornalismo
The Comics Journal, editado por Dan Nadel, Timothy Hodler e Tucker Stone (Fantagraphics)

Melhor Obra Relacionada a Quadrinhos
How to Read Nancy – The Elements of Comics in Three Easy Panels, de Paul Karasik e Mark Newgarden (Fantagraphics)

Melhor Trabalho Acadêmico ou de Pesquisa
Latinx Superheroes in Mainstream Comics, por Frederick Luis Aldama (University of Arizona Press)

Melhor Design de Publicação
Akira 35th Anniversary Edition, design de Phil Balsman, Akira Saito (Veia), NORMA Editorial e MASH•ROOM (Kodansha)

Melhor HQ Digital
Harvey Kurtzman’s Marley’s Ghost, de Harvey Kurtzman, Josh O’Neill, Shannon Wheeler e Gideon Kendall (comiXology Originals/Kitchen, Lind & Associates)

Melhor Webcomic
The Tea Dragon Society, de Katie O’Neill, teadragonsociety.com (Oni Press)

Prêmio Bill Finger de Excelência de Roteiro de Quadrinhos
Joye Murchison Kelly, Dorothy Woolfolk

Prêmio Humanitário The Bob Clampett
Frederick Joseph, Comics4Kids

Prêmio Will Eisner Spirit para Varejo de Quadrinhos
Norma Comics, Barcelona, Espanha

Prêmio Russ Manning – Novato Promissor
Hamish Steele, Pantheon (Nobrow)
Pablo Tunica, TMNT Universe (IDW)

Hall da Fame
Carol Kalish, Jackie Ormes, Charles Addams, Karen Berger, Dave Gibbons e Rumiko Takahashi

• Outros artigos escritos por

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  • 0-Drix

    Merecida a premiação de D’Salete!! Uma narrativa gráfica ágil e instigante. Este prêmio internacional é prova de que os quadrinhos nacionais podem e devem explorar temas autóctones – ao invés de se dedicar a pastiches do mainstream norte-americano.

  • Fernando Amaral

    Parabéns! Não conheço, vou procurar.