Legião dos Super-Heróis – Os Novos 52

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 24 abril, 2015

Legião dos Super-Heróis – Os Novos 52Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Paul Levitz (roteiro), Walter Simonson (coargumento e desenhos), Francis Portela (arte), Dan Green e Sean Parsons (arte-final) e Javier Mena (cores) – Originalmente em Legion of Super-Heroes #1 a #7.

Preço: R$ 15,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Fevereiro de 2013

Sinopse

Em meio à reestruturação da Legião dos Super-Heróis e após grandes perdas na equipe, os justiceiros do futuro enfrentam a ameaça de um daxamita com todos os poderes do lendário Superman.

Positivo/Negativo:

O retorno do escritor Paul Levitz às páginas da Legião dos Super-Heróis, no contexto do reboot conhecido como Os Novos 52, é típico de um astro do passado que não consegue reviver os dias de glória.

A exemplo do que foi a retomada de Chris Claremont nas revistas mutantes, anos atrás, a nova temporada de Levitz com os heróis do futuro acabou marcada por ideias batidas e um desenvolvimento de enredos preguiçoso e sem brilho.

Todo o potencial da série para tramas grandiosas, com personagens carismáticos e ação em larga escala, foi perdido em meio à mesmice e ao lugar-comum. Acrescentando um desenhista sem personalidade, tem-se uma das fases menos inspiradas da vida dos Legionários, que perdeu a oportunidade de renovar sua base de fãs e logo caiu no esquecimento, num mercado competitivo e que nunca perdoa.

Verdade que a equipe já perdera muito na sucessão de relançamentos ao longo dos anos, mas esta investida fracassada tratou de afundar de vez o título.

Para entender os problemas dessas histórias, basta conferir a “ameaça bombástica” escalada pelo roteirista: um daxamita com os mesmos poderes do Superman.

Para heróis que já enfrentaram Darkseid, C.O.M.P.U.T.O. e Rã’s Al Ghul, um oponente com poder de voo e superforça é simplesmente a chave para cenas de luta tediosas. Não poderia ser diferente, e o fã de longa data só se pergunta aonde teria ido toda a criatividade do veterano Paul Levitz.

Responsável pela fase áurea da Legião, em parcerias com Keith Giffen, Greg Laroque e artistas distintos, o roteirista parece cada vez mais perdido. O único destaque da edição é a história coescrita e ilustrada pelo talentoso Walter Simonson, que esquece os confrontos inúteis para focar o dia a dia desses personagens, com resultados dignos.

Só que é pouco para salvar a pátria. Mesmo com uma interessante dinâmica de personalidades envolvendo os recrutas Químico e Dragonesa, com beijo roubado e insinuações venenosas, a história não vai a lugar algum.

Em termos de cronologia, há referências à Saga das Trevas Eternas e às viagens do jovem Superboy ao Século 31, provando o resgate de temas antes esquecidos, ainda que não satisfaçam o desejo dos fãs de outrora e só confunda os novatos.

A própria superinteligência do coluano Brainiac 5 se perde no meio da confusão. E uma aparente teia conspiratória envolvendo os domínios também não se resolve.

Este foi o único encadernado da série mensal da Legião dos Super-Heróis lançado pela Panini após o reboot, embora tenham saído edições de Legião Perdida e Legião – Origem Secreta.

Claro que ninguém perdeu nada, considerando a qualidade do material. As duas séries foram descontinuadas nos Estados Unidos, mas fica a torcida por bons ventos em futuras abordagens sobre os jovens fantasiados.

Versões recentes por Jeff Lemire e Grant Morrison (nas páginas de Action Comics) atestam o interesse sobre os personagens. Basta a editora investir em sangue novo e ideias arrojadas, para abraçar o potencial de um futuro brilhante e surpreendente.

A capacidade de se reinventar ao longo das eras deve falar mais alto e triunfar novamente. Essa tentativa de Levitz e Portela, contudo, nem vale uma olhada.

Classificação

2,0

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