Resenha: Pantera Negra é um grande espetáculo

Por Sérgio Codespoti
Data: 16 fevereiro, 2018

Pantera Negra é um filme que enche os olhos.

O 18º filme da Marvel é uma bela celebração de um universo que já tem dez anos de idade e faturou mais de 13 bilhões de dólares.

A previsão é de que a película arrecade 170 milhões de dólares no final de semana (prolongado) de sua estreia nos Estados Unidos – embora a Disney esteja projetando um valor um pouco menor, de 150 milhões de dólares.

E o filme é um grande espetáculo, com muita ação, personagens mais complexos do que de costume para o gênero, com sequências visuais impressionantes.

Dirigida por Ryan Coogler, de Creed – Nascido para Lutar (leia crítica aqui) e Fruitvale Station – A Última Parada, a película é um dos raros blockbusters hollywoodianos com um elenco quase totalmente composto por atores negros.

Cartaz de Pantera Negra Pantera Negra

Chadwick Boseman, de Get on Up – A História de James Brown, reprisa o seu papel como T’Challa, o Pantera Negra, super-herói que é o herdeiro do trono de Wakanda, uma nação isolacionista que esconde – literalmente – um avançado paraíso tecnológico no coração da África.

O personagem, visto anteriormente em Capitão América – Guerra Civil, segue os passos de seu falecido pai, T’Chaka (interpretado por John Kani), tanto como líder de Wakanda, quanto como o Pantera Negra, o defensor da nação.

A família do herói inclui sua mãe, a rainha Ramonda (Angela Basset) e sua irmã Shuri (Letitia Wright, num papel ótimo). Shuri é um gênio científico e a relação entre ela e o irmão é em parte responsável pela sensação de que o Pantera Negra é o 007 da Marvel, tendo T’Challa, como James Bond; e Shuri como Q.

Afinal, é Shuri quem cria para o Pantera uma nova versão de seu uniforme, feita de fibras de Vibranium, capaz de absorver e estocar energia, com nanoelementos que ficam guardados num colar.

A guarda real de Wakanda se chama Dora Milaje, é composta apenas por mulheres guerreiras e liderada pela General Okoye, muito bem interpretada por Danai Gurira.

Outra personagem de destaque é Nakia (papel de Lupita Nyong’o), uma guerreira que está interessada numa missão humanitária, ajudando países vizinhos que sofrem com a miséria, guerra, tráfico de armas e de escravos. Ela também é o alvo das atenções de T’Challa no filme.

Cena de Pantera Negra

O Pantera Negra tem quatro inimigos no filme: dois são os vilões Ulysses Klaue e Killmonger; e os outros dois, M’Baku (Winston Duke) e W’Kabi (Daniel Kaluuya), são antagonistas ocasionais, em função de suas posições políticas e pessoais.

Ulysses Klaue, o Garra Sônica dos quadrinhos, é um dos poucos personagens brancos do longa-metragem. O criminoso, interpretado por Andy Serkis – sempre espetacular –, já tinha estreado em Vingadores – A Era de Ultron. Ele havia roubado o precioso metal Vibranium, com a ajuda do príncipe N’Jobu, o tio de T’Challa (papel de Sterling K. Brown).

O roubo do Vibranium – que ocorre no passado, fora das telas – é um ponto central da trama. As consequências desse ato modificam as vidas de T’Challa e Killmonger e abalam Wakanda.

Killmonger, o grande vilão do espetáculo, é interpretado por Michael B. Jordan. Ele colaborou em dois outros filmes de Coogler (os já mencionados Creed e Fruitvale Station); viveu o garoto Wallace na excelente série de TV, The Wire; e foi Johnny Storm no fracassado Quarteto Fantástico, da Fox, de 2015.

Cena de Pantera Negra

Se por um lado T’Challa sabe quem é (como homem, como filho, como irmão, líder de sua nação e como defensor de seu povo), Killmonger busca tanto sua identidade quanto seu lugar no mundo.

Nascido Erik Stevens, ele adota vários nomes: Killmonger, um apelido criado em função do número de assassinatos que cometeu, cada um deles registrados em sua pele por escarificação; e N’Jadaka, seu nome na língua de Wakanda.

Ryan Coogler já explicou em várias entrevistas que a busca da identidade é um tema constante em seus filmes, e ela está presente neste filme.

A Marvel foi ousada criando um filme de super-heróis com um elenco negro, mas que não é uma película de nicho voltada apenas para o público afrodescendente, e muito menos um veículo de blaxploitation.

Os dois personagens brancos, Klaue e o agente da CIA Everett Ross (Martin Freeman), são secundários. O confronto não é de raças, mas de culturas. O estilo de vida isolacionista e afrofuturista de Wakanda e do Pantera Negra entra em choque com a realidade empobrecida e violenta de Killmonger.

Killmonger é um dos melhores vilões dos filmes da Marvel. Ele é brutal e simplista em seus objetivos, mas seu trauma é complexo e ligado diretamente com a atual realidade dos Estados Unidos.

Cena de Pantera Negra

Vale mencionar a participação de Forest Whitaker, como Zuri, e Stan Lee, conhecido pelo público que não lê quadrinhos como o “velhinho da Marvel”, que também faz sua tradicional aparição, na cena do cassino.

Quase tudo que se vê no filme está nos quadrinhos, mas de forma mais conturbada. O Pantera Negra surgiu em Fantastic Four # 52, em 1966, pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby. Na mesma história, também estreou o vilão Garra Sônica (Ulysses Klaue).

O Pantera pipocou alguns anos em participações nas revistas de outros heróis, como Capitão América e Demolidor, se juntou aos Vingadores, até ganhar uma revista própria.

Jungle Action, a revista em questão – cujo nome hoje seria considerado politicamente incorreto – era um título de reprints que publicava HQs da década de 1950, como Lorna, a Garota das Selvas; Tharn, um Ka-Zar de segunda categoria; e Jann, outra moçoila que era “das Selvas”. O Pantera faz sua estreia neste título na quinta edição.

Essa edição marca o início de Don McGregor no título e do arco de história A Fúria do Pantera, que foi pioneira por ter 13 partes e considerada por muitos como a primeira Graphic Novel da Marvel. Personagens como Killmonger e M’Baku, e muito da mitologia de Wakanda apareceram nessa HQ.

Cena de Pantera Negra

Dora Milaje, Okoye e Nakia só foram criadas em 1998, em Black Panther Volume 3 # 1, de Cristopher Priest e Mark Teixeira. Shuri só estreou em 2005, por Reginald Hudlin e John Romita, Jr., em Black Panther Volume 4 # 2.

A cena do Pantera com o Rinoceronte também foi tirada dos quadrinhos. Ela foi desenhada pela primeira vez por Gil Kane, e posteriormente repetida por outros autores.

Pantera Negra é um bom exemplo de que o gênero dos super-heróis no cinema ainda tem muito potencial e não precisa se limitar a fórmulas e conceitos gastos ou até ultrapassados.

Pantera Negra
Duração: 134 minutos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler e Joe Robert Cole
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Letitia Wright, Andy Serkis, Winston Duke, Forest Whitaker, Sterling K. Brown, Angela Basset e John Kani

• Outros artigos escritos por

.

.

.

  • PCB

    Gostei do filme, principalmente por todo debate cultural e político que trás – até na cena pós-crédito, que pela primeira vez não foi pra contar uma piadinha ou pra fazer um link com outro filme

  • Márcio dos Santos

    Queria que os outros filmes da Marvel fossem mais maduros assim, principalmente os do Thor.

  • James Howllet

    Impressionante… Público e crítica tão adorando esse filme.

    Com razão!

  • Gabarito

    dcnetes e snydetes, estão nesse momento escondidos esperando a poeira do filme baixar, é tanta humilhação na vida deles.

    • Douglas Coelho

      Eu acho que quem está se humilhando é você com esse tipo de comentário.

    • Rodolfo Gasparetto Manzoli

      Deve ser mais um fanboy saído do omelete ou vício.

  • Henrique Brum

    o filme é ótimo…só não gosto mto da mensagem pro-imigração…na liga da justiça ja tem uma ceninha anti-trump na abertura…tomara que os filmes de quadrinho não comecem a querer ‘lacrar’ muito…

    • Rodolfo Gasparetto Manzoli

      Não é lacração. Trata-se de abordar temas atuais e totalmente relevantes. Isso acontece tanto em filmes quanto em HQ’s.

  • Rodolfo Gasparetto Manzoli

    Filmaço. Como disse um rapaz aí embaixo, é o melhor do MCU desde Soldado Invernal.

    Filme maduro, sem piadas desnecessárias e fora de contexto e com vilões cativantes. Eu cheguei a torcer pelo Killmonger durante algum tempo, ele não deixa de ter razão em sua motivação.

  • FabioRT

    Nossa !!! Que Surpresa…parece que o filme é bom então…tinha achado o trailer pavoroso