Yes Is More – An Archicomic on Architectural Evolution

Por Eduardo Nasi
Data: 18 fevereiro, 2011

Yes Is More - An Archicomic on Architectural EvolutionEditora: Taschen – Edição para iPad

Autores: Bjarke Ingels (editor e texto), Bo Benzon e Joanna Gasparski (líderes de projeto), BIGE-Types, Jens Kajus e Michael Thouber (concepção gráfica) e mais dezenas de fotógrafos, editores de texto, idealizados e arquitetos do BIG.

Preço: US$ 9,99

Número de páginas: 424

Data de lançamento: 22 de dezembro de 2010

Sinopse

O arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels apresenta 38 projetos do escritório que dirige, o BIG, e mostra sua visão de arquitetura.

Positivo/Negativo

Yes is more é uma história em quadrinhos sobre arquitetura. Mais precisamente, sobre os projetos do BIG – o Bjarke Ingels Group, escritório fundado em 2006 e coordenado por Bjarke Ingels.

Aos 36 anos, Ingels é um arquiteto dinamarquês com reputação ascendente, integrante de uma nova geração de criadores europeus. Já ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, quando ainda fazia dupla com Julian de Smedt no escritório PLOT, e prêmios do World Architecture Festival e da revista Forum AID. Seu trabalho com o BIGinclui projetos para o mundo todo – mas é marcante especialmente pelas mudanças que provoca em sua cidade-natal, Copenhagen.

Lançado em 2009 em formato de livro de papel (disponível por US$ 29,99 nas livrarias lá de fora e por cerca de R$ 100,00 no Brasil), Yes is more acabou ganhando uma edição revista e ampliada no final do ano passado – adaptada para se tornar um aplicativo do iPad e marcar a estreia da renomada Taschen no tablet da Apple. Ganhou não só páginas extras, mas também vídeos, fotos em 360° e um breve documentário sobre Parkour que ampliam o volume.

Yes Is More - An Archicomic on Architectural EvolutionDe algumas maneiras, o álbum não é uma história em quadrinhos convencional. Primeiro, porque não há um desenhista ou pintor, e sim uma equipe de produção. Porque os quadros são formados ou por fotografias ou por imagens dos projetos – maquetes, modelos computadorizados, desenhos de plantas…

De certa forma, é como uma fotonovela em que Ingels é o protagonista – é ele que guia o leitor pelos projetos de seu escritório.

Há puristas, claro, que dirão que não se trata de quadrinhos, porque, afinal, não há desenhos. Mas a arte feita com lápis e tinta é apenas um padrão que se estabeleceu na linguagem por uma questão de hábito e de mercado.

(Quer dizer: lá atrás, quando os quadrinhos cresceram, era mais simples pagar uns trocados para uns moleques desenharem histórias do que produzir sets de fotografias, pagar atores, tratar as imagens etc.)

O tema também causa estranheza. Faz lembrar aquela frase – parece que sua autoria é polêmica – segundo a qual escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura. Se dançar sobre arquitetura seria algo assim tão desprovido de sentido, o que dizer de fazer uma HQ sobre esse tema?

Pois é: logo na introdução, Ingels explica que ele e sua equipe encontraram nos quadrinhos uma linguagem que casa muito bem para explicar arquitetura. Isso porque, nas HQs, é possível combinar as imagens dos projetos com os ensaios e os conceitos escritos – e ainda integrar outros elementos, como histórias sobre o terreno, os clientes, os construtores…

Ingels e a equipe do BIG estão certíssimos. Conhecer os 38 projetos apresentados em linguagem de quadrinhos em Yes is more é uma experiência fascinante e transformadora.

Yes Is More - An Archicomic on Architectural Evolution

Como todo bom projeto, cada trabalho do BIG tem por trás uma rede de grandes ideias. Nos quadrinhos, elas são dissecadas de forma que leigos possam entendê-las facilmente. Às vezes, as páginas lembram o didatismo delicioso com que Scott McCloud destrinchou a linguagem das HQs em Desvendando os quadrinhos.

No formato dos quadrinhos, os projetos viram histórias. Ao ler sobre o REN – People’s Building, projetado para Xangai, descobre-se que o conjunto de prédios tem o formato da palavra “povo” em chinês – mas que isso foi coincidência! E que o premiado conjunto habitacional VM Houses(aliás, onde Ingels mora) teve suas varandas pontiagudas batizadas de “balcão do Leonardo DiCaprio” pelo cliente – por conta da cena de Titanic em que o ator, na proa do navio, grita que é o rei do mundo.

Yes is more poderia ser apenas uma colagem de 38 projetos, um depois do outro, uma espécie de catálogo do escritório. Mas não é só isso.

Yes Is More - An Archicomic on Architectural Evolution

Ingels acredita numa arquitetura que ajuda o ser humano a evoluir. No documentário sobre o Parkour, diz: “Arquitetura é o meio; e os objetivos são o desenvolvimento máximo da vida humana”.

Para o BIG, as cidades devem se adaptar aos homens (e não o contrário). Yes is more é o manifesto do BIG. É como esse grupo de arquitetos brilhantes acredita que a humanidade deve viver.

E, ao mesmo tempo em que prega seus conceitos, o escritório mostra na prática o quanto construir prédios, que são ao mesmo tempo úteis, sustentáveis, confortáveis e integrados com o entorno, nem sempre é questão de dinheiro. Trata-se, isso sim, de quebrar a cabeça, de ter boas ideias, de não seguir o caminho mais óbvio.

Yes is more acaba fazendo o leitor olhar para o seu entorno e pensar na cidade em que vive, no prédio ou na casa onde mora, em seu bairro, e a pensar em soluções melhores, mais eficientes, que vão melhorar a sua própria vida.

É assim que, com seus projetos arquitetônicos, Yes is more acaba entrando numa lista de quadrinhos que inclui PalestinaV de Vingança e Maus: a das HQs que provocam seu leitor a mudar o mundo.

Classificação

5,0

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