Confins do Universo 088 – Coringa: carta fora do baralho

Por Samir Naliato
Data: 16 outubro, 2019

Um dos mais icônicos vilões da Cultura Pop ganhou seu próprio filme.

Coringa estreou nos cinemas com uma releitura séria, forte e controversa do personagem. Neste episódio do podcast Confins do Universo, analisamos e debatamos todos os detalhes deste longa-metragem do Palhaço do Crime! Quais as semelhanças e diferenças dos quadrinhos e de outras versões? Quais os pontos altos e baixos? Ele muda o status das adaptações de quadrinhos? E o que há de mito e real em torno de toda a polêmica sobre este ser um filme perigoso?

Comentamos o roteiro, os temas sociais abordados, a atuação de Joaquin Phoenix, o aspecto cinematográfico da produção e muito mais!

E ainda: erros de gravação!

Confins do Universo 088 – Coringa: carta fora baralho

.

Participantes

_____________________________________________________________

Confins do Universo recomenda

_____________________________________________________________

Comentado neste programa

_____________________________________________________________

Contato

Envie a sua mensagem com sugestões, elogios ou críticas: podcast@universohq.com
Mensagem de voz via Whatsapp para (11) 94583-5989
Redes sociais: Twitter – Facebook – Instagram – Youtube

_____________________________________________________________

Assine o Confins do Universo

Feed RSS – http://podcast.universohq.com/feed/
iTunes Store
Spotify

_____________________________________________________________

Confins do Universo em vídeo

Canal do Universo HQ no YouTube

_____________________________________________________________

Edição e Sonorização

O Confins do Universo é editado por Rádiofobia Podcast e Multimídia.

_____________________________________________________________

Narração de abertura e encerramento

Guilherme Briggs – Twitter – Facebook – Instagram

_____________________________________________________________

Logotipo

Damasio Neto – Facebook – Instagram

_____________________________________________________________

Ilustração do Confins do Universo

Daniel Brandão (versão 1) – Twitter – Facebook – Site Oficial
Vitor Cafaggi (versão 2) – Twitter – Facebook – Instagram

Confins do Universo, por Vitor Cafaggi

• Outros artigos escritos por

.

.

.

  • Benício Ernesto

    Para mim ele não matou a vizinha, no filme todas as mortes do Coringa são mostradas a única que fica implícita é a da mulher que está tratando dele no final do filme.
    Acho que o diretor mostra até demais, nas partes da do flashback da vizinha mostrando as cenas praticamente lado a lado com ela e sem ela, não confiou no público do filme. O que foi acertado pelo menos na sessão que eu fui. Tinha gente achando que era tudo verdade.

    • Aster Yupio

      se matasse a vizinha a polícia que já estava na cola dele nunca mais saia do prédio. Neguinho viaja.

  • Joao Cura D Ars

    Em relação à morte da vizinha: depois que o Coringa a encontra, na suposta sequência do seu assassinato, há uma cena com ele sentado em um sofá e luzes e sons de sirenes se aproximam do prédio onde está. Então eu acho que houve sim a morte dela e as sirenes indicavam a ação da polícia para investigar o assassinato. Mas isso só é válido se é considerando que esta ação aconteceu “fora da cabeça do Coringa”.

  • Murphy do Sealab

    Baita programa, galera.
    E pra mim também ele não mata a vizinha. Da mesma maneira que ele “libera” o anão pq ele não tinha feito nenhum mal a ele, a vizinha também não. Aliás, ela foi até simpática qdo se encontraram.
    Abraço!

  • Juliano Kaapora

    Na minha visão, ele matou sim a vizinha. Na cabeça do personagem, ele se vingou de todos que não deram o que ele mais ansiava: afeto. Belo programa!

  • Guilherme Alcantara

    Ótimo programa galera!!
    Muitas pessoas estão comentando esse fato de que poderia ser um filme de um psicopata qualquer.. e apenas usaram o nome do Coringa.. e que não precisaria do Bruce na história…Eu discordo completamente!
    O ponto do Coringa e do Bruce nessa história pra mim é justamente o contraponto que eles sempre tiveram nas histórias porém agora temos a partida disso.
    Começamos vendo o sofrimento do Arthur que é diagnosticadamente doente mental nessa Gotham podre. com pessoas podres onde a unica figura de bondade é a mãe que também acaba revelando a podridão junto com Thomas Wayne que é a falsa figura de esperança pra Gotham. E vemos tudo isso pela perspectiva do Arthur.
    Quando ele acaba tendo o dia ruim dele na descoberta de todas as mentiras.
    E onde ele vê o Bruce que ainda é uma criança, altamente privilegiada que provavelmente nunca vai passar por nada que ele passou e ainda é filho do mesmo pai que ele supostamente. E a ambiguidade de ser ou não ser pai dele só piora a situação levando em conta que ele já não tomava mais remédios e estava tomado pela loucura.
    E então reagindo agressivamente a toda podridão, mesmo sem intenção acaba criando um movimento anárquico e de guerra de classes que resulta na morte da família Wayne. assim também trazendo o dia ruim do Bruce.

  • Tiago Azêdo

    filme maniqueísta cheio de coitadismos. São quase duas de vitimismos em que os pobre são bonzinhos e torturados e os ricos e privilegiados são maus. Aja saco.

    • Alexandre Viana

      Como eles falaram, o filme inteiro parte do ponto de vista do próprio Coringa, e ele como narrador ele não é confiável. Tanto que a cena dele no programa de tv é o principal contraponto (e o único talvez), pois é o momento que finalmente temos a realidade (de forma clara) com certeza e temos alguém questionando e argumentando contra o Coringa de sua visão de mundo. A intenção original dele no programa era se matar, porém quando o apresentador começa a questionar ele, é que tudo vai por água a baixo, como o próprio apresentador falou “não tem como ele determinar que alguém é bom ou ruim só porque é rico”…

      Eu diria que o filme vai muito além do vitimismo e maniqueísmo.

  • Fabiano Marçal

    Podcast sensacional, como sempre!! Só uma pequena correção: o logo da DC parece no final dos créditos.

    • Alexandre Viana

      Eles falaram isso no podcast.

  • silas.

    Melhor podcast que eu ouvi sobre o filme e o maior vilão da cultura pop! Baita diferencial a participação de um médico psiquiatra!

  • Brontops

    Pra mim o personagem do Coringa (na origem, lá atrás) tem muito a ver com os vilões do Dick Tracy, aquela coisa – meio clichê – da maldade se converter no rosto deformado.

    Já o filme em si é um filme de horror/terror. Todo o andamento é o de uma tragédia e, embora a gnt sinta alguma “dó” do Coringa, não me senti identificado com ele. É um pouco como o Monstro do Frankstein, ou aqueles Lobisomens clássicos, etc.

    Sobre as críticas de que o filme pode inspirar seguidores malvados… não achei o filme subversivo a este ponto. Achei este Coringa é muito triste e esquisito pra “inspirar” as pessoas. Mas vai saber.

    (E, sim, para mim, ele matou a vizinha. Eu acho que foi uma escolha do Diretor do filme de colocar o Clímax no estúdio de TV)

  • Nilton Sperb

    Muito bom esse podcast, Sidão! Parabéns a todos os participantes por fazerem análises tão aprofundadas de um filme como esse, cheio de “camadas” e concepções diferentes. (Queria ver se isso seria possível com qualquer filme da Disney/Marvel.) Dois detalhes que eu gostaria de apontar:
    Muito interessante o contraponto entre o Coringa, que enquanto vilão, como o sempre conhecemos, vive tentando atacar e matar pessoas inocentes, fazendo com que sofram com a sua risada estampada. (Nos quadrinhos cansamos de ver isso acontecer com pessoas morrendo paralisadas ou envenenadas com o seu riso macabro). Já aqui, o diferencial é que o Coringa, enquanto agente passivo, influencia involuntariamente o povo e cria um movimento onde todos copiam a sua expressão (referência direta a Guy Fawkes de “V de Vingança”, inclusive com o óbvio uso das máscaras.)
    Essa tremenda influência sobre as multidões e a ovação culminante no final pode indicar, sim, que aquele clímax ocorre somente da cabeça do personagem. Prova disso é a licença poética (embutida) de que ele vai direto pra prisão no final.
    A propósito, o “Bill” (de Bill Finger) não vem de nenhum “William”, como foi mencionado como uma das possíveis referências no filme (William Street?). O nome de batismo do co-autor do Batman era Milton Finger.

  • Luiz Andrade

    Excelente episódio. Infelizmente muitos por aí estão fazendo uma análise bem pobre e eu já estava cansado de ouvir/ler sobre o filme sem argumentação. Agora sobre alguns pontos:

    1º No final, quando o outro carro bate na viatura, os manifestantes não sabiam que o Coringa estava lá. Ao passarem pela viatura eles veem Arthur e apontam pra ele, indicando que o reconheceram.

    2º Ele não mata a vizinha. Se ele matou, o roteiro não deu dicas disso ou acha que deu e fez isso errado. Mas é possível, não a toa o roteiro é o ponto mais fraco.

    3º Arthur é um vilão desde o início. Tudo o que ele era antes era uma versão sua controlada. Havia acompanhamento psiquiátrico, remédios, uma mãe que o amava apesar de tudo, um emprego e o sonho de ser comediante. Quando ele mata a primeira vez poderia ter deixado o outro homem fugir, mas escolhe matar, como foi comentado. Ali começa a sua transformação. Ele começa a perder tudo o que lhe dava certa estabilidade, controle e o resultado disso é a liberação de seu potencial como assassino sem culpa. Claro, o roteiro abre mão de certos pontos de verossimilhança pra valorizar sua narrativa, como as questões relacionadas com a doença mental e o distúrbio de psicopatia, isso tudo pra que o espectador se importe com Arthur. Inclusive foi ótimo saber de um profissional, no programa, que ele falha nesse ponto.

    4º O filme é maniqueísta, na minha opinião, por um motivo. Um assassino é glorificado e todos os outros são pessoas ruins. Mas, por quê? Bom, eu acreditava ser óbvio, até ler algumas críticas. Todd Phillips apresenta uma sociedade quebrada, um retrato da nossa com uma carga de extremismo exagerada, na qual todos são ruins, do grande empresário filantropo Thomas Wayne (aqui um grande escroto e pretensioso, diferente do que conhecíamos) até aquele que seria o mais próximo de um contraponto para o vilão, o apresentador de TV Murray, que faz chacota com Arthur ao vivo. Todos tratam Arthur como lixo (sim, apenas um não o faz e é poupado pelo vilão). O exagero fica claro quando a onda de protestos escala rápido e explode de vez após um assassinato em plena TV! Os pais de Bruce são mortos por um homem no meio dos protestos, recriando a cena clássica da origem do Batman. Durante a confusão Arthur é glorificado como um herói, um messias, um símbolo. A multidão vibra diante dele, de pé sobre o capô de uma viatura da polícia, enquanto ele pinta o rosto com sangue. É sua coroação.

    Todd, diretor e co-roteirista, está nos mostrando, didaticamente, o nosso destino. É o que seremos, é onde chegaremos se continuarmos nesse caminho. Um caminho de violência, de irresponsabilidade com o outro, colocando no poder líderes tortos, elegendo mártires sedentos de uma justiça social que se faz com as próprias mãos. É isso que Arthur e sua sociedade corrompida simbolizam. Somos nós. Isso é ainda mais assustador, pois esse retrato hiperbólico se aproxima da realidade em muitos momentos, em muitas notícias no jornal, diariamente. Se eu tiver que criticar essa mensagem eu faria pela ausência do contraponto, que acontece somente no final mais peca no texto fraco, que se esquece rapidamente.

    Coringa assusta, incomoda e choca. Mas a mensagem é clara. Notei a atuação de Phoenix desde Sinais, onde ele consegue fazer muito, com pouquíssimo, mas aqui o ator atinge seu ápice. É impossível dizer que ele está melhor que Heath Ledger, são atuações com focos diferentes, em propostas de filmes diferentes. Todd é pretensioso, quis fazer um filmão com cara de Oscar, e conseguiu, saber se ele tá só emulando outros diretores ou se ele consegue repetir isso sem um Phoenix é que eu quero ver…

    Desculpem o textão rs.

  • Gustavo Augusto O. Martins

    Finalmente assisti ao filme e saí bem satisfeito da sessão! Concordo
    com a opinião dos confinautas: esta é apenas UMA versão do Coringa, por
    isso não me incomodou sua origem ser destoante das HQs (que tem mais de
    uma, afinal). Mas a ESSÊNCIA do personagem está ali: um homem insano,
    que chega a extremos sem se importar com consequências ou com quem
    atravesse seu caminho, desde que se satisfaça.. Alguns pontos (com
    SPOILERS):

    – Diferentemente de algumas opiniões internet afora, não acho que o filme glorifique a violência, “justificando” que esta seria a resposta para uma realidade ruim. Ali, a violência seria um “gatilho” para Arthur Fleck se tornar o Coringa, uma “libertação”; um “chega!” Isso na sua VISÃO DISTORCIDA: uma pessoa com problemas MENTAIS. O levante popular (e a violência generalizada
    decorrente) NÃO ERA objetivo dele; foi uma CONSEQUÊNCIA INESPERADA de um ato ALHEIO (sim, ele poderia ter deixado o último sujeito escapar no
    metrô, mas ali, acredito, foi onde ocorreu o NASCIMENTO do Coringa). E
    (como foi comentado neste episódio) seu objetivo era suicidar-se ao vivo
    num programa de TV; ser reconhecido; seu grande ato; seu show pelo qual
    esperou a vida toda. Além disso, sendo no programa de Murray Franklin,
    seria perfeito, pois também seria sua vingança contra o apresentador (já
    que seu outrora ídolo havia feito troça de seu primeiro e único número
    de stand up). Mas, confrontado, e com seu “espetáculo” arruinado, ele
    muda de planos, matando Murray. E (como o Samir comentou), se aquela
    cena do final em que o Coringa é ovacionado pela turba for (mais) um
    delírio do personagem, realmente a teoria da “glorificação da violência”
    cai por terra.

    – A luta de classes do filme (pobres vs. ricos, “nós” contra “eles”) achei que foi um tanto reducionista (talvez para não entediar o público com teorias complexas?). Mas achei válida naquele contexto.

    – Arthur ter deixado o anão vivo: não acho que tenha sido um furo do roteiro; inicialmente, ele se vinga de quem, na sua visão, lhe prejudicou (ver abaixo). O anão sempre o tratou bem – ele FALA isso (e talvez ele tenha se identificado com os deboches que o rapaz sofria dos colegas).

    – Acredito que Arthur tenha matado a vizinha (as sirenes de polícia, após a cena
    com a vizinha, indicam isso). Ver na TV seu ídolo Murray debochar de sua
    participação no clube de stand up, fez Arthur “acordar” de seus sonhos
    (delírios); então ele resolve vingar-se de quem o enganou ou não
    retribuiu seu amor: primeiro, a mãe, depois, a vizinha (Randall foi um
    “acidente de percurso” e Murray ficaria para o final). Mostrar a morte
    da mulher com uma criança envolvida seria de extremo mau gosto e
    totalmente desnecessário. Aqui, foi uma decisão acertada da direção em
    deixar tudo subentendido. Obs.: a cena à qual o Sidney comenta em que
    Arthur abre a porta do apartamento da vizinha, não consigo recordar se
    ele abre facilmente ou dá uma “forçada” na porta. De qualquer maneira, a
    mulher deveria ter passado o trinco na porta, já que vivia num bairro
    tão violento.

    – Bruce Wayne: discordo do Sidney quando diz que jamais Bruce Wayne, mesmo criança, deixaria um estranho chegar perto. Lembremo-nos: aqui é o Bruce pré-morte dos pais; uma criança inocente. E também pareceu-me que aqui ele ainda é uma criança pequena, com no máximo uns 07 anos. Nas várias retratações das HQs, ele geralmente tem uns 09, 10 anos (e na série Gotham, por exemplo, ele já tem uns 11, 12 anos quando seus pais são mortos). Sim, os pais ensinam a não falar com estranhos, mas não vemos, todos os dias, casos e mais casos de crianças desaparecidas? E até que saem de mãos dadas com o sequestrador/assediador? Ali, Arthur usa de truques de mágica, brincadeiras, para atrair Bruce. E quanto a Bruce brincar numa mansão
    gigantesca, mas justamente perto da entrada: a criança, nessa fase, é exploradora, ainda mais um garoto solitário como ele, filho único (e
    Thomas Wayne, já que é um homem visado, deixa o filho dentro de uma
    “redoma”). Talvez estivesse entediado de ficar dentro de casa o dia inteiro e “deu um perdido” no Alfred (tanto que este chega esbaforido
    atrás do menino).

    – Morte do casal Wayne: na hora não me liguei, mas ouvindo o comentário do Sidney, percebe-se que a cena foi inserida forçadamente. Como bem dito, ninguém resolveria passear num dia de protestos violentos. Bola fora do roteiro.

    – Ligação com a DC: olhando o roteiro, realmente poderia ser um filme
    qualquer de um palhaço psicopata sem nenhuma relação com o universo do
    Batman? Sim. Era essa a intenção da Warner desde o início? Não sei. Mas
    já que o fizeram, fizeram bem feito em minha opinião. rs.

    Veredito: interpretação espetacular de Joaquin Phoenix, atmosfera, trilha sonora
    maravilhosa. Sinto cheiro de Oscar no ar! rs Nota: 5 de 5.

    Obs.:a LOGO da DC realmente não aparece no filme; nos créditos aparecem
    apenas as letras “DC” (na mesma tipologia dos créditos), sem a palavra
    “Comics”. A logo na época em que se passa o filme (fim dos anos 70,
    início dos 80) era aquela com os círculos concêntricos em preto e branco
    com quatro estrelas internas.

  • Sobre a morte ou não da vizinha do Coringa, eu acho que o diretor deixou intencionalmente o caso em aberto para que as pessoas tirassem suas próprias conclusões.
    Diferente do foi dito no podcast, eu tive a impressão que o Coringa não foi retratado no filme como um psicopata, mas como um psicótico, e depois o vídeo do canal Metaforando sobre o filme veio a reforçar essa minha opinião.