Astronauta – Magnetar

Por Marcelo Naranjo
Data: 9 novembro, 2012

Astronauta - MagnetarEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Danilo Beyruth (roteiro e arte) e Cris Peter (cores).

Preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura)

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Outubro de 2012

Sinopse

O Astronauta visita uma galáxia distante para estudar um magnetar, uma estrela de nêutrons que possui um campo magnético estimado em um bilhão de teslas. Mas ele comete um erro que pode custar a sua vida.

Agora, com a nave danificada e sem comunicação, ele está “náufrago no espaço” e precisa encontrar uma forma de escapar antes de ser derrotado pela insanidade que insiste em tomar sua mente. E a saída pode estar em aliar a tecnologia aos ensinamentos de seu velho avô, há tanto tempo falecido.

Positivo/Negativo

Leitores de certa idade acompanham há muito tempo as viagens do Astronauta, criação de Mauricio de Sousa. Aventuras solitárias, felizes, tristes, por vezes até existencialistas tendo como protagonista um personagem que, assim como Horácio, sempre teve um pé, ainda que discreto, no mundo adulto.

O Astronauta foi eleito para o primeiro volume do selo Graphic MSP, que visa uma releitura, dentro de certos limites, dos personagens criados por Mauricio, com a proposta de mostrá-los em novo formato, destinado ao público jovem e maduro.

O embrião desse selo foi a tetralogia MSP, que contou com os álbuns MSP 50, MSP + 50, MSP Novos 50 e Ouro da casa. Estes volumes tiveram como mote a criação de HQs com os personagens de Mauricio de Sousa nos traços de outros artistas, que puderam expressar sua visão da Turma da Mônica em HQs divertidas, aventurosas, românticas, filosóficas, entre outros gêneros.

O álbum com o Astronauta foi resultado de todo este processo, cujo selo já tem mais três títulos divulgados para breve – Turma da Mônica, por Vitor e Luciana Cafaggi, Piteco, por Shiko, e Chico Bento, por Gustavo Duarte.

Vale ainda ressaltar que o mentor do projeto Graphic MSP e editor do álbum Astronauta – Magnetar é Sidney Gusman, também editor do Universo HQ e amigo deste resenhista – que já escrevia sobre Turma da Mônica bem antes de Sidney imaginar que um dia trabalharia na MSP. Isto tudo posto, fica para o leitor o discernimento sobre esta análise.

Nesta releitura do Astronauta, o herói está analisando a matéria comprimida numa esfera com raio muito pequeno, formada a partir de uma estrela de nêutrons, emitindo altos níveis de radiação – o tal magnetar.

Porém, um acidente coloca à prova toda a perícia e determinação do Astronauta, que acaba preso num dos asteroides que circundam o local. Sem ter como se comunicar para pedir ajuda, ele passa um longo período bolando uma maneira de fugir, enquanto luta para não enlouquecer por causa da solidão.

A trama da HQ, habilmente construída, começa com o personagem na infância, na fazenda do avô, um homem educado pela vida, que, numa brincadeira, faz um paralelo para seu neto falando sobre as escolhas que tomou, suas consequências e tudo aquilo que realmente importa, criando uma importante metáfora para o decorrer da aventura.

Aventura na qual Danilo Beyruth dosa muito bem exploração com superação, e o próprio autor se supera numa sequência gráfica de tirar o fôlego, que expressa o terrível e sufocante cotidiano solitário pelo qual passa o protagonista, encarcerado em sua nave espacial. Triste dicotomia – a mesma nave que representa a tão desejada liberdade de viajar pelo cosmos pode acabar sendo uma prisão por toda a eternidade.

O autor também colocou na HQ alguns easter eggs (na informática, algo oculto que pode ser encontrado), como o personagem Louco ou meme Forever alone, que tem relação total com a trama. Há ainda uma página com vários nomes espalhados pela parede – todos remetem ao filme Alien – O 8º passageiro, de 1979. Para quem leu e nada viu, vale procurar, mas não será esta resenha que entregará onde cada um está escondido.

Se a qualidade da obra é surpresa para muitos, não é novidade para quem acompanha a trajetória do autor, criador, entre outras obras, de Bando de dois e do Necronauta.

Outro ponto de destaque são os extras. O álbum traz um prefácio de Mauricio de Sousa, criador do Astronauta, e um texto de quarta capa do navegador Amyr Klink, que traça um paralelo entre o espaço e o oceano. Complementando o título, artes e ideias que não foram aproveitadas, um glossário, uma apresentação do personagem e a primeira página dominical do herói, em 1963.

Não deixa de ser curioso constatar alguns méritos, talvez não pensados, desta graphic novel. O título deve agradar quem busca nada mais do que uma boa HQ de aventura – e esta parece ser a principal proposta do álbum. Deve satisfazer ainda quem nunca acompanhou o universo dos personagens de Mauricio de Sousa, já que apresenta uma trama fechada e sem a necessidade de retcons ou qualquer tipo de conhecimento prévio – ainda que deixe em aberta a possibilidade de uma continuação.

Quem busca outro nível de leitura, mais aprofundado, vai ter uma surpresa com a trama bem amarrada, diversas metáforas visuais e referências aos quadrinhos originais do personagem. E, finalmente, o título fará o leitor tradicional de quadrinhos ter o prazer de rememorar personagens espaciais clássicos, como Flash Gordon, Brick Bradford ou Buck Rogers, que foram inclusive inspiração para o surgimento do Astronauta.

Fica a certeza de que a criação singular do selo Graphic MSP para a publicação de quadrinhos nacionais, nos moldes dos álbuns editados principalmente na Europa, aliando o nome mais que consolidado de Mauricio de Sousa a artistas que definitivamente têm o que mostrar, faz projetar um futuro, no mínimo, interessante.

Como a metáfora que permeia esta HQ, desde que se saiba como atirar uma pedra, ela pode ir muito, mas muito mais longe.

Classificação

5,0

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