Confins do Universo 057 – Mercado editorial em crise

Por Samir Naliato
Data: 22 agosto, 2018

O mercado editorial brasileiro passa por um momento muito difícil. Notícias recentes sobre a crise que atingiu o Grupo Abril e as dificuldades de livrarias em arcar com os pagamentos às editoras deflagraram uma preocupante situação.

Problemas nas distribuições tanto em bancas quanto livrarias fizeram as editoras repensarem seus planos e buscar alternativas. O que causou toda essa situação? O que acontecerá a seguir? Quais as opções para superar esta crise? Como editoras, distribuidoras, pontos de vendas e leitores podem agir para saírem fortalecidos da atual conjuntura?

Neste episódio, o Confins do Universo debate tudo isso com os convidados Erick Santos Cardoso (Panini Comics), Janaína de Luna (Editora Mino) e Júlio Monteiro de Oliveira (Mythos Editora). Dê o play e entenda melhor tudo o que está acontecendo!

Confins do Universo 057 – Mercado editorial em crise

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Participantes

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Comentado neste programa

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Confins do Universo, por Vitor Cafaggi

• Outros artigos escritos por

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  • MARCIO F. CAMILLO

    Sei lá: pra mim parece ser apenas uma pusta tempestade em copo d’água por causa da moribunda Ed. Abril. Ficaram impressionados por algo que já era esperado.

    • Sidney Gusman

      Marcio, acredite: não é. As editoras não têm, hoje, alternativa para distribuir suas HQs em bancas. Precisam se reinventar.

      Abraço

    • ninguém

      Também acho isso. Mas, no Brasil, tudo é carnaval.

  • Lederly Mendonça

    Deixa eu dar meus dois dedinhos de contribuição: Estamos todos no mesmo barco, produtores, editoras e leitores. Não adianta a editora se indignar com as pessoas reclamando dos preços. E catequizar essas pessoas sobre os custos envolvidos não vai ajudar a vender mais. Sou produtor e leitor. Entendo os custos envolvidos! E nem por isso faz com que o meu bolso tenha mais dinheiro sobrando pra eu comprar livros e gibis! As pessoas vão continuar reclamando dos preços porque simplesmente o dinheiro está curto pra todo mundo!

    • Sidney Gusman

      Acho que não se trata de “catequizar”, Lederly, mas de informar. Muita gente não sabe como rola a precificação de um título. E isso, claro, não é para que as pessoas deixarem de reclamar, pois esse é um direito inalienável de todo mundo.

      Abraço

      • Lederly Mendonça

        É que teve um trecho em que a Editora da Mino falou que estava indignada com essas reclamações dos leitores que não entendem dos custos. Entendo a indignação dela, mas fazer o leitor entender esses custos não vai fazê-los ter mais dinheiro sobrando pra comprar gibis. Vamos continuar procurando os melhores preços, porque a crise tá afetando o bolso de todo mundo! Não entendo como é o processo de custos do arroz, mas vou sempre atrás do melhor preço! O que resta é ter paciência com o consumidor e ignorar os haters! Mesmo assim, é uma crise generalizada que começa na educação/cultura e vai até o ponto de venda!

        • Jackson Good

          Me chamou a atenção esse trecho também, e me perdoem, mas vou mais além: o leitor não tem que “entender” nada. Preço do papel, do dólar, dos direitos, nada disso é palpável para o leitor, nada disso reverte em benefício direto a ele, o que interessa é o produto final. E nesse sentido, eu tenho direito, SIM, de avaliar acabamento e número de páginas VS o preço, afinal só eu sei o quanto me pesa desenbolsar determinado valor, e eu preciso avaliar se o CONTEÚDO que estou recebendo justifica o gasto. Transparência é muito legal, de fato, mas reclamar do seu consumidor não faz muito sentido, enxergo que o vendedor precisa conquista-lo de outra forma além de bater na tecla de que ele precisa pagar também pelas injustiças do mercado cruel – a Darkside que o Sidney citou é um ótimo exemplo, puxando para outro segmento, a CD Projekt Red é outro.

          • Arthur Souza

            Jackson, vc que acha que o leitor não tem que entender nada. Achei muito importante conhecer um pouco mais sobre o assunto, até pra embasar mais a minha opinião. Do jeito que vc fala, até parece que as editoras são as vilãs. Cuidado com a inversão de valores. Como o Cidão comentou, editora não é ONG. É só continuarmos procurando as melhores ofertas e promoções, simples assim.

          • Jackson Good

            Não quis dizer que as editoras sejam vilãs, nem que devam ser ONGs, apenas “critiquei a crítica”, quando a convidada reclamou da avaliação dos leitores levar em conta principalmente número de páginas, pois acho sim que esse é um fator fundamental, como disse, o quanto de conteúdo estou recebendo pelo preço pago. Também acho válido conhecer esses detalhes (ou nao estaria aqui no UHQ). Mas me incomoda quando o tom adotado pelo prestador de serviço/vendedor é reclamar do público.

  • frases_Mr.Satan

    Crise com um bilhão de títulos nas bancas, me parece mais um caso isolado de calote msm.

    • Sidney Gusman

      Sim, existem leitores. Mas se as editoras não receberem, a chance de esses títulos serem cancelados existe, e não é pequena. Daí a preocupação.

      Abraço

    • Adriano

      Um caso isolado de calote da única distribuidora, ou seja, todo o bilhão de títulos nas bancas de alguns meses não renderão nada pra empresa que os produziu.

      Não é um fornecedor não pagar. É toda a grana da sua tiragem, todo o dinheiro que deveria vir de seus produtos que foram pra bancas de jornais não vir. E você não recuperar nem mesmo o dinheiro que colocou neles.

      Com a realidade da crise, está todo mundo trabalhando com margens menores, com menos dinheiro em caixa. Um baque desses pode quebrar várias empresas.

  • Cassiano Cordeiro Alves

    Agora sim tenho certeza que vou ouvir um programa de qualidade sobre o tema. Confins do Universo cada vez mais se consolida como melhor podcast sobre quadrinhos!

    • Sidney Gusman

      Obrigado pela audiência, Cassiano.

      Abraço

      • ninguém

        Sugestão para um futuro podcast:

        – O que os leitores/consumidores brasileiros de HQs querem das Editoras.

        (já se sabe exaustivamente o que as Editoras querem dos leitores/consumidores de HQs. Um contraponto seria interessante e oportuno, para contrastar com a velha máxima editorial do “o mercado está em crise por conta das baixas vendas”.)

  • Rodrigo

    Nem apertei o play ainda mas já deixo meus parabéns pela escolha do tema

  • Sidney Gusman

    Não é a vilã sozinha, Xanditz. Porque ela também passou a levar calote e repassar a bucha. Mas você está corretíssimo no que expôs, especialmente pelo ANTES dessa situação toda.

    Abraço

  • Benício Ernesto

    Janaina falou muito bem sobre vender por kilo, se vê pelas avaliações da Amazon em produtos mais caros ou produtos que caem de preço muito rápido. Leitores que deveriam apoiar dando 1 estrela por preço e números de páginas.

  • A Escla já tinha cancelado as revista Anime Do em 2015 e Neo Tokyo no ano passado, o Estadão tentou uma distribuição alternativa, mas não deu certo, a Edicase também fazia uma distribuição para editoras menores.

  • Ed Pontes

    Algo que me chamou a atenção é essa “Lei que limita o desconto”- que já existe em alguns países da Europa. Acredito no poder de “igualar” as coisas entre a livraria pequena e aquela mega store que consegue dar um desconto robusto. Com a “lei do desconto” a opção ficaria por conta do cliente optar onde comprar não pelo desconto, mas acredito que pelo serviço já que não haverá grandes diferenças. Mas alguém em algum momento disse no podcast que o “preço embutido para validar descontos” nas capas de preços elevados não existe- é “lenda”.

    Por exemplo, Cruzada Infinita custa R$ 151,00 preço de capa e é um material muito inferior aos antecessores. SE eu comprasse seria para completar a saga e apenas se fosse com um desconto bem robusto- R$ 151,00 é muita grana. Mas SE NÃO existe esse enxerto a mais de grana no preço de capa pra amortecer esses descontos grandes da Amazon, por exemplo, quer dizer que SE essa lei passa e os descontos não poderão passar de 05%, essa edição de R$ 151,00 vai ter rotatividade de venda? Eu não compraria nem com 20% ou 30%, quanto apenas com 05%. Os quadrinhos estão muito caros- e entendi o ponto de vista de todos os editores- mas o salário hoje não acompanha essa inflação.

    Na Europa essa lei pode funcionar, pois o poder aquisitivo é maior, mas no Brasil funcionará no status em que se encontra nossa economia? Para os lojistas será uma maravilha essa régua, mas para o leitor talvez não. É uma situação delicada, isso eu entendo. Existe a saúde das empresas, mas também existe a defasagem de salários.

    • Pedro Bouça

      Argentina também tem essa lei.

    • moon Loon

      Lembrando que países economicamente superiores ao Brasil, como Inglaterra e Austrália já tiveram essa lei e atualmente não possuem mais

      • Pedro Bouça

        No Reino Unido extinguir a lei (que já era secular nessa altura!) trucidou as livrarias.

        Muitas dessas leis caíram nos anos 90, época da ascensão das megastores. Essas cadeias pressionaram para o fim dessas leis (e contra a introdução nos países que não tinham) para poder massacrar a concorrência. Só que nos últimos anos elas próprias têm sofrido com o colapso das vendas de CDs e DVDs (que não tem a ver com essa história, mas representava um terço ou mais do faturamento dessas cadeias) e a chegada da Amazon é o último prego no caixão delas.

        Ironicamente, nos países que possuem essas leis as pequenas livrarias sobrevivem muito melhor à Amazon do que as grandes cadeias. Na França há pequenas livrarias por todo lado que estão se aguentando enquanto a grande rede FNAC acumula prejuízos, causados principalmente pelo mencionado colapso nas vendas de CDs e DVDs.

        • Pedro Bouça

          Incidentalmente, no Reino Unido não era uma lei, era um acordo das editoras com as livrarias! Não sabia.

          Detalhes:
          https://www.independent.co.uk/news/uk/collapse-of-net-book-agreement-within-months-collapse-1388530.html

        • moon Loon

          E você acha que um país que combina duas condições – ler pouco + ter baixo poder aquisitivo – seria beneficiado por uma lei que mantém os preços de quadrinhos pra cima dos 70 reais? Lembrando que os números de leitores de um como a Argentina é incomparável com o Brasil.

          • Pedro Bouça

            A lei não manterá preços acima de valor nenhum. A lei limitará os descontos que as livrarias podem praticar! Quem atribui os preços são as editoras e se os preços são esses é porque a publicação não é viável por menos.

            O que você não parece entender é que quando as livrarias físicas e a concorrência em geral forem aniquiladas, os descontos da Amazon serão reduzidos do mesmo jeito. Já aconteceu em outros países, não será diferente no Brasil.

            Aí haverá livros caros E nenhuma livraria física. Isso será melhor para o mercado?

          • moon Loon

            você que não tá entendendo, “a lei que mantém os preços de quadrinhos pra cima de 70 reais” é no sentido de um livro normalmente ser vendido por esse preço de capa e a loja ser impedida de vendê-lo por um preço menor, como acontece hoje, ou seja, com essa lei, o livro ficará encalhado na livraria, exatamente já acontece na livraria física. Adiantará ter livraria física se os livros serão caros? Os livros continuarão sem serem vendidos.

  • Guilherme Assumpção

    Achei interessantíssimo o podcast, principalmente a parte sobre a mudança dos hábitos de leitura dos leitores. Eu, por exemplo, com meus 34 anos, não tenho mais interesse em quadrinhos mensais, primeiro porque eu não tenho espaço para acomodar todas e segundo porque revistas tipo mix não me agradam mais. Tive milhares de mensais e lia tudo nelas, gostando ou não, mas hoje o encadernado me interessa muito mais, não só por ter somente o material que eu quero, completo para ser lido de uma vez, como também como guardar é mais prático e até bonito como parte da decoração. A questão, assim como filmes e séries é que o mundo mudou, a informação e a distribuição de material é mais rápido, tornando a gama de opções muito maior. O tempo para cada hobby é diminuído e algo que vem aos poucos, em parte, acaba por perder espaço para algo que já está completo na sua mão. Encadernados acabam por suprir esse problema.

    • Jackson Good

      Concordo em grande parte, ainda leio vários quadrinhos mensais mas cortei de vez os mix, aqueles “almanacões” com várias partes de várias histórias de personagens diferentes. A meu ver esse sempre foi o problema, falando especificamente de super-heróis. Muito se fala em novo modelo negócio e etc, e nesse sentido foi um grande acerto da Panini investir cada vez mais em encadernados, mesmo os simples de capa cartonada, de banca mesmo (até prefiro esse formato) e também nos gibis mensais mais recentes que trazem histórias de um único personagem. Entendo o lado da editora, de balancear títulos mais fracos com outros mais fortes, mas sei lá, é muito fechar os olhos para a realidade e achar que ainda estamos nos anos 80/90 e leitor nao vai ter outros canais de acesso à somente o material que lhe interessa.

  • Aylton Vasconcelos

    Uma dúvida que eu tenho sobre “os brasileiros não tem hábito de leitura”, vcs sabem de algum plano ou uma ideia para que conjuntamente possam começar a minimizar um pouco esse problema? As tiragens de quadrinhos vem reduzindo pouco a pouco ao longo dos anos, a Janaina disse que tem 1500 a 2000 leitores assíduos da Mino, como vai ser daqui uns 10 anos se esses números caírem mais? 500 leitores?

    • Adriano

      Claro que isso é hipotético mas… Sim, se as vendas continuam caindo, sobram menos leitores. O lance é que quando isso acontece, as editoras param. Quebram.

      Mais um lance importante pra lembrar: quanto menor a tiragem, maior o preço unitário de capa. Isso é uma realidade desse meio.

  • Thadeu

    Muito bom o programa. Não conhecia e o tema me chamou bastante atenção. Principalmente porque é um mercado que estou me aventurando (editando HQs independentes) e conhecer dificuldades que outras editoras passam pode nos ensinar muitas coisas.

    Parabéns pelo programa!

    • Sidney Gusman

      Valeu, Thadeu.

      Bem-vindo.

      Abraço

  • Felipe Amorim

    Excepcional o programa, eu acho que sempre que as editoras fazem esse tipo de ‘exposição’, a gente consegue entender muito melhor várias coisas, o caso do porquê da opção pela capa dura trazer mais lucros do que as capas cartão é um ótimo exemplo.

    Uma coisa que eu pensei e que foi considerada no programa do mdm, é a possibilidade do fim das grandes livrarias, assim como foi com as locadoras por exemplo. Quanto mais eu ouço falar sobre isso, mais eu acho que vamos ver o fim da Saraiva e da Cultura e mais o pessoal migrando pras lojas especializadas que vão vender serviço e atendimento, como a Itiban aqui em Curitiba, onde o diferencial vai estar no ambiente e no atendimento.
    Sem contar que eu acho que o leitor é um ser mais purista, que gosta de comprar coisa em papel, o cara que gosta de vinil não deixa de consumir spotify, mas o leitor deixa de consumir o ebook pelo papel, e acho que esse é um paradigma que pode vir a ser quebrado.
    Além disso, vou puxar a sardinha pro meu lado como professor, a gente até tenta incentivar a leitura, e criar leitores, gosto de usar quadrinhos nas aulas, ou incentivar atividades em que os alunos tem que criar no formato, mas isso demanda tempo e recursos que muitas vezes não temos, creio que todo o lado da educação seria importante de ser trabalhado, para criar um publico leitor, que incentivaria o governo a investir nas bibliotecas e num momento de melhora economica, traria clientes novos para o mercado.
    Grande abraço a todos e parabéns pelo ótimo trabalho

    • Sidney Gusman

      Boa, Felipe.

      Abraço

    • moon Loon

      Atendimento da Itiban é péssimo, é uma pena uma capital como Curitiba ter somente uma comic shop, que só sobrevive por falta de concorrência.

  • Rafael Monteiro de Castro

    O principal diferencial da Comix, pra mim, sempre foi o fato de ela receber antes aquilo que só sairia nas bancas e livrarias dias ou semanas depois. Eu vou lá pra isso: ter o título antes nas mãos. Com a mudança de sistema de distribuição da Panini, eles perderam esse diferencial, não sei exatamente porquê. Vi que o Erick se mostrou preocupado com o futuro da Comix e reconheceu sua importância. Minha sugestão pra ele: Entregue os novos títulos pra eles antes, dê a eles a importância que têm e merecem! Abs

    • Arthur Souza

      Importância?! A Panini e TODAS editoras tem que priorizar os leitores e não uma loja que vende Queda de Murdock a R$. 200,00. O próprio dono já disse no YouTube que aprendeu muito com o mercado livre. Lojas muito mais responsáveis com o leitor como EmpórioHq e Gibiteria já fecharam sem essa ajuda.

  • Aster Yupio

    Esse pessoal aí é muito jovem. Quando comecei a ler, nos anos 80, a cronologia da Abril estava quase 10 anos atrasada. E graças a isso li muita coisa boa dos anos 70.

  • Adriano

    A Panini aproveitou seu tamanho e, sozinha, fechou contrato com mais de 80 distribuidores regionais. Não criou uma empresa ou canais próprios, apenas organizou uma estrutura pra tratar com empresas menores.

    O lance é que nossas outras editoras são estruturas menores. Tratar com 80 distribuidoras ao invés de apenas uma pede muito mais gente, mais horas de trabalho. Mais gente geraria mais salários, o que dá mais custos e maior preço de capa. Nesse momento de crise? Travam todos.

    E importante falar… Se as bancas de jornais já estão caindo como moscas, se começarem a faltar produtos das outras editoras a tendência é piorar pra eles também.

    • Pedro Bouça

      Mais importante, a Panini é um peso pesado nas bancas por conta dos seus álbuns de figurinhas. As figurinhas da Copa vendem horrores! Então ela tinha motivação para fazer isso e os distribuidores regionais tinham motivação para aceitar.

      As editoras menores não têm essas facilidades!

    • pedro

      o lance que esqueceram de observar é que esses 80 distribuidores são representantes da dinap e não vivem só de panini (na verdade a panini nem é o carro chefe deles)….. tipow…. se a dinap cai eles tbm caem…….não acho que a panini ta tão bem na fita assim. A panini só deu sorte da crise ter estourado depois da copa. se tivesse sido antes…

  • Paulo PrsGrind

    A Panini caiu fora da distribuidora e mudou seu modelo de distribuição,
    como foi falado no podcast, sob este ponto de vista ela se reinventou
    sim, agora é a Salvat caindo fora das bancas e ficando no site e
    assinaturas…

  • WAGNER TORRES

    No momento, cerca de 1:51:30, quando falam que a lei não vai influenciar o preço de venda (devido ao possivel desconto), a pessoa da PANINI disse que o preço não leva em conta o possivel desconto, Voces deveriam ter perguntado o porque de ESCALPO ter custado 120 reais, já que é um material já conhecido devido a publicação da VERTIGO mensal. Eu queria ouvir qual era a justificativa pelas palavras dele.

    • Capitão CoruJão

      Os editores brasileiros da Panini não apitam nada, pelo que ficou claro pra mim depois de ouvir dezenas entrevistas deles em vários podcasts. São RPs e executores de decisões da Matriz.

  • Paulo AR Bogart

    Teve um vídeo do Pipoca & Nanquim que procurou mostrar esta estrutura de custos, detalhando os principais pontos formadores do preço de uma HQ/Livro.
    Este podcast abordou de forma sistemática a grande lacuna que eventual falência da Abril, e sua estrutura de distribuição de bancas, poderá causar.
    Algo que senti falta foi citar, dentre as alternativas para as editoras se reinventarem, a questão do mercado digital. Mercado que ainda engatinha com inciativas como o Social Comics, que parecem não conseguir uma grande abrangência. Seria uma questão cultural ou fruto da concorrência com os scans?
    Parabéns pelo podcast, um dos mais instigantes dos últimos tempos.

  • E fica a saudade dos anos 90 em que eu comprava tudo nas bancas!!

  • Belo programa. Mas mal tocaram no fim dos quadrinhos Disney pela Abril, sendo três desses títulos (Pato Donald, Mickey e Tio Patinhas) as publicações contínuas mais longevas do país e responsáveis pela formação de milhares de fãs de HQs.

    • Sidney Gusman

      Porque haverá espaço pra isso futuramente.

      • Opa. Já aguardando por um bom papo sobre o mundo dos patos e ratos.

  • Emerson Penerari

    Caramba… acabei de ouvir e preciso ouvir novamente! Quanta informação relevante! Ainda mais o que o Sidão falou nos Extras, a situação está realmente alarmante! Esse assunto merece uma segunda parte, com certeza! Parabéns a todos os envolvidos. Minha relação com o outro lado da bancada foi ínfima (trabalhei 1 ano em Comic Shop em 2005), mas como consumidor é bem mais extensa (coleciono desde 87 e entrei numa loja especializada pela primeira vez em 92), então vi muitas mudanças que, a princípio assustaram, mas que mudaram a forma de se entender e consumir HQs, mas nunca extinguiram esse hábito:

    -a migração da RGE para a Abril;
    – a transição do formatinho para o formato americano e séries de luxo;
    -as edições “premium” da Abril;
    -a mudança da Marvel/DC/Maurício de Souza para a Panini;
    -os independentes nacionais que pareciam fanzines se tornarem mais sofisticados (acho que começou com Transubstanciação);
    -o Conan Magazine vendendo 300 mil edições/mês e depois terminar vendendo menos de 1% desse número;
    -os scans piratas derrubando parte do mercado especulativo;
    -o colecionismo de capa dura (e a ostentação nas redes sociais) culminando na transformação de nerds esquisitos em referências intelectuais e culturais na internet;
    -o financiamento coletivo colocando muita gente que talvez nunca tivesse nada publicado dentro do mercado e fazendo sucesso;

    E, por último, essa nova crise, em que nem dá para culpar apenas alguém ou uma determinada ação. Ficarei na torcida para que a boa qualidade dos lançamentos mantenha a cultura dos quadrinhos em alta por aqui e que os principais afetados consigam se recuperar desse baque

  • Sarah Oliveira

    Então, mas lá o selo de qualificação determina se o exemplar é mais valioso ou não. Na Comix, uma revista amassada e gasta tem o mesmo valor que uma nova em folha. Não existe distinção. É o preço que eles determinam e ponto final. Não tem argumento.

    • Adriano

      Entendi melhor o seu ponto sobre diferenças na qualidade de preço…

      Mas ressalto que mesmo lá fora, esse mesmo ponto é discutido, tanto no aspecto de quando uma revista é “Near Mint” ou a graduação dela quanto qual valor cada revista vale.

      Mas sobre política de preços… Enfim, entendo sua frustração, mas sinceramente eu acabo caindo mais no esquema de não pagar se não concordo e seguir em frente.

  • Vartoco

    Para mim o problema da comix é não ter relacionamento algum com o cliente. Demora para enviar os gibis e o atendimento on line é bem ruim. Tanto faz para eles se você gasta R$10,00 ou R$1.000,00. Por isso parei de comprar lá.

  • Vartoco

    Excelente programa! Tenho acompanhado o assunto pelas redes sociais e o confins abordou de uma forma mais completa do que eu tenho visto por ai. Parabéns!!

  • Capitão CoruJão

    Vale citar, para complementar o assunto, o podcast MDM sobre o tema, que saiu semana passada, com a presença de outros editores de hqs: Guilherme Kroll ( Balão Editorial), Cassius Medauar (JBC) e Artur Vecchi (Avec Editora),dando seus pontos de vista sobre a situação.

    http://melhoresdomundo.net/podcast-mdm-479-concordancias-e-discordancias-sobre-a-crise-do-mercado-editorial-brasileiro/

    • Natanael Floripes

      Valeu pela dica. Os apresentadores do MDM são bem chatinhos (ficam fazendo o gênero adolescentes semi-retardados), mas valeu muito ouvir pelos convidados.

  • Cadê a opinião das editoras sobre lançamento de material digital que sempre acabam se esquivando para não falar que temos um monte de gente que baixa HQ ao invés de comprar?

    • VAM!

      É uma prática tão espúria, que não merece ser mencionada, companheiro.
      Abs,
      VAM!

      • Dimas Mützenberg

        Rapaz, acho que os leitores de scan fazem parte da questão sim.

  • André Carboni

    nem toda distribuidora da 30% pro jornaleiro, a da minha região (rio preto) é 25%. e 18% para coleções como slavat, eaglemoss, coleçoes de miniaturas.

    • pedro

      da minha também!

  • Arthur Souza

    Concordo!

  • Dimas Mützenberg

    O que o Naranjo e o Sidão falaram é algo muito a ser levado em conta. A crise econômica que assola o país é o princípio de tudo. Quando o bolso aperta não há o que fazer. Entre pagar a escola da filha e comprar gibi não há muito o que pensar. Eu por exemplo, a dois anos atrás comprava por baixo 500 conto de gibi por mês. Hoje estou me esforçando para conseguir manter Tex mensal e Tex Ouro em dia. E imagino que não estou só nessa jornada. Aí nem adianta pensar em mil estratégias para manter um mercado quando o consumidor final não tem condições de comprar seus produtos.

    Outra coisa que me fez pensar ouvindo o podcast, foi essa questão dos mensais versus encadernados. Lembrei de quando o aguardadíssimo Miracleman do Moore começou a sair nas bancas em fascículos mensais e teve uma ruma de leitores que ficaram falando “não vou comprar agora porque depois compro o encadernado capa dura quando sair”. Resultado, a revista deu uma flopada federal e nem teve o tal encadernado capa dura.

    • Daniel Assis

      Uma curiosidade, qual era o valor que esse quadrinho mensal era vendido?

  • Murilo Mür

    Eu não entendi uma coisa, logo no começo do programa o Sidão dá aquela cutucada que ele já tinha falado em outro programa, sobre quadrinho com preço inflacionado já mirando no desconto da amazon, e o Julio admitiu, que isso ocorre as vezes. Então está confirmada a teoria, mas aí no final do programa um outro editor falou “as minhas hqs não mudarão o preço porque meu preço não é especulativo mas sim o quanto realmente custou aquele gibi” e aí todo mundo concordou com isso. Mas pera lá, então acontece ou não o preço especulativo? A gente sabe que o custo do papel aumentou, dólar que faz os copyrights serem mais caros, mas lembrando aquele clássico caso de Escalpo e Noite de trevas, será mesmo o preço real? um gibi precisa custar 120 reais só pra pagar a gráfica e os custos da editora e render um trocadinho de nada?

    • Daniel Assis

      Esses valores defendidos só se justificam pela baixa tiragem e cede de lucrar muito com pouco. O pior é que justamente isso impede a formação de mais consumidores de livros, as editoras e livrarias criaram uma barreira que impede que as pessoas possam consumir livros…

    • Capitão CoruJão

      Todo mundo conta sua própria história como herói. Não ía ser diferente aqui.
      Tenho uma curiosidade, baseado no que um colega abaixo comentou sobre a editora que criticou os clientes que reclamam do preço sem considerar como é formado: será que são tão compreensivos com os mercados nos quais são exclusivamente clientes, como gasolina, alimentos, carros, passagens aéreas, saúde, transporte público etc., e até impostos? Todos estes também têm ótimos argumentos para justificar seus preços.

  • VAM!

    Com menos materiais nos pontos de venda (bancas e livrarias), penso que em contrapartida, o mercado de usados pode voltar a se aquecer.

    Os próximos FGQs serão bons termômetros pra essa lógica. Com o evento do Edson se consolidando como a verdadeira “Bienal dos Sebos”, quem sabe até viabilizando futuras edições cariocas.

    Tomara! Meu último bate-volta Macaé/Sampa custou trezentinhos :(

    Abs,
    VAM!

  • Rafael Monteiro de Castro

    É, eu não costumo comprar material antigo lá, não sei se cobram preços justos. O material novo é o mesmo preço de banca, até onde eu sei, e às vezes até tem um desconto.

  • ‘ Produtos de cultura tem de ser mais valorados ‘ – me desculpe – mencionar que o valor a se considerar deve ser do conteúdo e não do acabamento gráfico – denota que é deliberado revestir tudo com capa dura. O que não está sendo levado em consideração é que a condição econômica do leitor não comporta comprar a quantidade de livros numa edição glamourizada. Comprar um quadrinho por R$ 150 reais é para quem conseguir manter ? Vide a Panini por exemplo lançar 3/4 encadernados num mês (esquecendo as demais editoras) – é viável um cidadão de classe média consumir R$ 600,00 ? Cultural ou não, o livro não enche a barriga, o que percebo é que as tiragens e valores acomodam um número cada vez menor de pessoas capazes de pagar por isso. Mercado especulativo agradece.

    • Daniel Assis

      Disse tudo.

  • Hugo Carlos

    Olá! Quero deixar palpites aqui também!
    Primeiro, parabéns pelo episódio altamente qualificado!
    Segundo, esse episódio e o do MDM sobre o mesmo tema se complementam lindamente e meu comentário tem a ver com aspectos abordados em ambos os aspectos:

    1. Porque catso só se imprimi em São Paulo (ou na Ásia)? Porcatso que não existe ao menos em uma capital de cada região do país parques gráficos e distribuidores regionais competentes e oxigenando essa logística? Cara, muito precário isso! Nem dá pra culpar Amazon e Dinap, esse cenário de concentração da cadeia produtiva já é um fracasso a partir da ideia em si. Na minha cabeça de inocente eu imaginava que as coisas eram impressas próxima do consumidor. Enfim, coisas doidas dessa economia em que é mais barato extrair óleo do fundo do oceano pra fazer um copo descartável do que lavar um copinho reutilizável. rsrs

    2. O mundo mudou e os quadrinhos americanos estão ultrapassados. Ninguém tem saco pra histórias mensais de baixa qualidade hoje em dia e que SEMPRE para um novo leitor ele vai estar no MEIO de alguma história. Se o cara for na banca 12 vezes num ano, quantas vezes ele vai encontrar uma revista com uma história começando?. Encadernar histórias de baixa qualidade a 100, 200 dinheiros também é osso demais hein? Isso afasta leitor e migra alguns raros resistentes pra livros, que tem uma percepção de custo x benefício bem maior.

    Meu exemplo pessoal:
    Independente do preço do papel e tal, hoje tenho consumido histórias fechadas. Assino Turma da Mônica pra minha filha, assinei Marvel digital por seis meses. Ela curte turma da Mônica porque as histórias fecham. Eu lia Marvel digital com ela às vezes, ela não se conformava de ter que ir para um próximo volume ler a próxima parte da história, e confesso, que também não me conformava com detalhes da interface do aplicativo.

    3. Livrarias de rede são um negócio boçal que matou livrarias de verdade, só pra depois morrerem sozinhas. Vitrines só tem livros estrangeiros escritos com intenção de serem roteiro pra cinema, e portanto, aproveitam muito mal as possibilidades de mídia escrita. Me desculpe, isso pode até vender. Mas não forma leitores. Tente encontrar livros infantis de autores nacionais nesses lugares, e simplesmente NÃO EXISTEM. A maioria dos municípios não tem livrarias, ou bancas e as que tem são SAFADAS assim, e vem gente me dizer que brasileiro não lê? Vai ler como, pô? Ir na biblioteca? De novo, que biblioteca? A maioria dos municípios mantém quando muito um depósito de barsas 1997.

    Sério? Brasileiro não lê? A netflix e o facebook chegam a TODOS esses lugares.
    Como bem lembra o Gusman, se as pessoas tem que escolher entre o leite das crianças ou o gibi, já sabemos quem ganha. Quem está no ramo de consumo de itens de segunda ou terceira necessidade tem que entender que TUDO é seu concorrente. Ao que parece pelos depoimentos de editores em ambos os cast que citei, me parece que a cadeia produtiva de itens impressos não se atentou pra esse contexto.

    4. Ainda no problema das livrarias. Você vai na Bienal do Livro e tem três estantes com livros infantis nacionais e descentes: ed. Moderna e FNLD – que não vende livro e outra que não me recordo agora. (Livro infantil nacional e de qualidade é muuuuuuuuuito importante pra formar leitores).

    6. Ainda falando da Bienal, fiquei muito feliz com algumas pequenas e maravilhosas editoras, que na internet e em livrarias não existiam pra mim até então. Como exemplo, comprei para a empresa alguns catálogos quase completos de algumas dessas editoras.

    5. Alguém me explica por que o formatinho dos gibis de heróis deixou de existir?

    6. Parabéns a todos os guerreiros que estão na labuta do mercado editorial.

    Abraços!

  • porquinho

    Sidney!!! este podcast ficou excelente !!! baita de um tema ainda mais eu sendo um cliente da Mino, Mythos e Panini. É bom para entender a realidade das editoras e da distribuição. Parabéns pelo excelente cast!

  • Raphael

    O problema ao meu ver é que o mercado digital no Brasil ainda está engatinhando, o Cassius, editor da JBC, falou no podcast do MDM que ainda é um mercado bem pequeno, o Artur da Avec nesse mesmo podcast falou que cerca de 1% da receita da editora vem desse mercado, as editoras podem até investir mais nesse formato, mas um retorno satisfatório vai se dar a anos e anos de distância. Outra coisa é que o Levi comentou na CCRS que a Panini tem negociações em andamento com as duas grandes dos EUA, mas que por elas terem seus próprios serviços, as negociações são complicadas. Outro fator é o preço, o consumidor quer pagar um preço muito baixo para se ter o material em digital, pensando que porque cortou impressão e distribuição física o preço tem que despencar, o problema é que não é bem assim, as editoras tem que pôr esse material em algum lugar e nesse caso o valor que fica para quem distribui o material digital é o mesmo que para o físico, 50% do valor de capa, as vezes um pouco mais, além disso os royalties para esse tipo de material é maior que o do impresso, e por fim como é um mercado muito pequeno, o material vai vender pouco, mas a editora ainda tem que pagar quem produziu o produto e aí vai ter que diluir esses custos em muito menos “exemplares”, o que tende a aumentar o valor do produto final, e ai ninguém está disposto a pagar o preço, porque acham que está caro e as editoras estão querendo lucrar muito em cima do leitor, mas as coisas não são bem assim.

  • Wilson Pereira Jr.

    Quero deixar a queixa aqui de que a Mythos não respondeu a dois emails
    que mandei, perguntando sobre um lançamento. Também escrevi no facebook e
    não respondeu. Falta comunicação com o cliente. O lançamento é
    Starstruck, desenhado pelo Michael Kaluta.

    • Capitão CoruJão

      Além da brilhante estratégia de usar o nome Heavy Metal numa revista que não tem nada a ver com a famosa americana.

  • André Carboni

    tem uns joão sem braço ai hein kkk

  • Jackson Good

    “Não tenho dinheiro (ou tenho dinheiro, mas acho que não vale o preço), não compro” – concordo, faço o mesmo. Não acho que chorar vá resolver alguma coisa, mas percebe que isso vale também para o lado do vendedor. Não adianta reclamar do público, pelo contrário, se a resposta mais sentida é de que o preço está alto, opa, será que isso não deveria ser levado em conta? Se não há o que fazer, paciência, entendo COMPLETAMENTE as dificuldades da editora, mas ou me oferece algo que me agrada, ou não comprarei e deixarei bem claro porque. Vou dar um exemplo que é a Mythos, tão comentada aqui e em outros lugares por seus preços as vezes até inacreditáveis. Compro Tex e outros regularmente há 20 anos, quando saiu a coleção Graphic Novel, não comprei, pois pagar 30 reais por 60 páginas de história é inaceitável. Na promoção de 50% de desconto que a própria editora fez, comprei todas com o maior prazer do mundo. Sempre há um caminho, mas fechar os olhos pra realidade e apostar tudo na boa vontade do leitor, não me parece o mais inteligente.

  • CRISTIANO CRUZ

    A Panini tinha um relacionamento bem interessante com os seus leitores no seu início no mercado de quadrinhos. Foi nessa época que comprei muitos quadrinhos mensais. Seus editores compartilhavam com os leitores as novidades: formatos e preços. Esse relacionamento mais intimista foi deixado de lado e em concomitância as críticas à editora aumentaram na medida em que a editora se distanciou, editorialmente, dos seus leitores. Uma pena.

    • Capitão CoruJão

      Aqueles hotsites lamentáveis e confusos confirmam isso.

      • Jackson Good

        Desisti faz tempo desses sites porque sempre estão MONSTRUOSAMENTE desatualizados. Amadorismo e desinteresse.

  • silas.

    Não preciso esperar o ano acabar pra dizer que essa foi a melhor edição de podcast que eu ouvi em 2018. Um primor!

  • Emerson Penerari

    Cara, entre no youtube e procure quem faz reviews de quadrinhos: 90% é sommelier de lombada quadrada! Por exemplo, quando foram lançados aqueles 4 primeiros volumes da Espada Selvagem de Conan encadernado, um dos únicos que gravou vídeo com conhecimento de causa foi o Alexandre do PN, o resto nunca tinha lido Conan em preto-e-branco na vida (nem mesmo os sócios dele). E tem esse lance das meninas bonitinhas fazendo reviews de livros, hqs, games e action figures. É só fazer um vídeo “fofo” e pronto – ganha centenas de milhares de likes, mesmo não falando nada relevante. Não vou citar nomes porque não quero gerar um monte de comentários de fanboys de canalzinho nerd, mas quem lia resenha em jornal paulistano nos anos 80 sabe diferenciar o joio do trigo.

  • Akise Aru

    Podem anotar, novos impostos virão aí porque essas distribuidoras, bancas e livrarias farão o mesmo lobby que as operadoras de TV a cabo fizeram quanto ao streaming ao governo federal.

  • M. Mikon

    Eu discordo do Sidney nessa última fala.

    Papel a gente joga shoyu e manda pra dentro. Papel é comida também.

    (excepcional podcast, pqp)

  • Daniel Assis

    Pessoal, valeu pela iniciativa em abordar o tema, tentarei, como tenho feito, comentar. Estou apenas no comecinho do podcast, quando falam sobre precificação de um hq ou livro e eu fico meio de cara. Alguém não sabia disso? Paciência, tem esses dados na internet desde sempre. Equívocos cometidos até aqui:

    1- Falaram da porcentagem que fica para a editora. Como é pouco e tal.

    Problema: Ninguém tá reclamando, acho, que a margem das editoras é alta. Tão reclamando que o preço final é alto. Tem uma diferença aí que muda tudo e tem relação com o fato, ignorado, que se pode (e deve) ter produtos distintos com margens distintas para equilibra a receita, mas isso fica invisível da forma como foi colocado (explico no ponto 2)

    Pergunta: tem como, ao menos aqui, lerem o que escrevi sem partir do pressuposto que não sei e nem pesquisei nada? obrigado.

    2- Criaram um quadrinho hipotético custando R$ 10,00, mostrando como a margem é baixa e tal… Aí imagina se os quadrinhos custassem, sei lá… R$ 5,00. Como sobreviveriam?

    Problema: O problema é que isso só faria sentido se TODO quadrinho tivesse que custar o mesmo valor e ter a mesma margem de lucro.Você pode (precisa) ter margens diferentes para produtos diferentes com propósitos distintos (pagar as contas, criar público, atrair o consumidor). Em um supermercado, por exemplo, lucra-se pouco ou quase nada com a ilha de congelados que, além de tudo, têm promoções frequentes. O lucro real tá na perfumaria. Mas o supermercado só vende perfume porque eu entrei lá quando vi a promoção do congelado. Eu NÃO entro em livraria (e muitos também) porque quando entrei não vi nada que me despertasse o interesse mínimo custando esses R$ 10,00 (cadê o frango a passarinho congelado? O Steak de “frango”? O hambúrguer congelado?), não vejo promoção na porta me convidando a entrar…

    Pergunta: 1- Quais produtos foram elaborados aqui no Brasil, nos últimos anos, visando atrair as pessoas para as livrarias ou formar público leitor? Estou falando de produtos baixíssimos, margem de lucro ridícula e que só lucrariam alguma coisa, vendendo horrores (tiragens no ponto 3)… 2- Quais seriam as características desse produto? Tipo, gênero, número de páginas, p&b ou cores, tipo de papel, autor estrangeiro ou internacional. 3- Esse produto seria acessível para a classe média baixa, classes C e D? (dica: se não for nunca existiu)

    3- Tiragem: Peloamordedeus, gente, não é possível que alguém não saiba que tiragem baixa deixa a HQ mais cara. E daí? A questão é:

    Pergunta: Quais foram as iniciativas que, visando ter um produto muito acessível, investiram em tiragens absurdas? Quais foram os resultados? Quais eram as características desses produtos? (critérios da pergunta anterior)

    Por hora é isso, só poderei ouvir o podcast inteiro amanhã, tenho uns trabalhos de faculdade para fazer. Obrigado pelo podcast, depois comento mais.

    • Boa. Entendo que o podcast deve dar lugar aos convidados de expressarem suas opiniões e seu lado, mas temos que entender que ali não tem 100% do problema mesmo.

      Cabe a todas as outras pessoas pegarem estas informações, questionarem e gerarem suas próprias ideias.

      No mais, concordo com os pontos colocados aqui.

  • Daniel Assis

    Ah, que inferno. Não resisti, atrasei meu trabalho e ouvi mais um pouco do podcast.

    Comentaram sobre percepção de valor, que as pessoas compram celulares caríssimos e acham R$ 40,00 muito caro num livro e que brasileiro não lê… Poxa, cara. Isso aí tá muito errado.Os preços aqui no Brasil, comparativamente com outros países são muito mais altos, deixo algumas questões aqui:

    1- Se pegarmos um livro de R$ 40,00, R$ 50,00 e vermos qual a porcentagem em relação ao salário mínimo do Brasil e pegarmos essa mesma porcentagem e jogarmos em outros países, em relação ao salário mínimo deles… Eles julgariam caro? Se a resposta for sim, não dá pra dizer que o brasileiro não valoriza “cultura” ou não queira ler (mais no ponto 2), pois estão esperando que (se o critério fosse percepção de valor, é claro, mas não é) aqui se valorize mais do que em outros países, de primeiro mundo. Porque estão cobrando tanto de nós?

    Dica: Se fizerem isso verão que vendemos livros até 10 vezes mais caros do que lá fora.

    https://papodehomem.com.br/o-preco-do-livro-ao-redor-do-mundo/

    2- Quando tentaram vender jornais para a classe C e D, aqui em BH os jornais Super notícias e Aqui (a 25, 50 centavos), descobriram um “novo” seguimento de leitores, descobriram que o povo compra e lê quando se interessa e pode pagar. Porque estão ignorando esses cases de sucesso e produzindo apenas para classes mais altas? Isso não seria uma evidência de que, na verdade, são os preços que têm barrado os leitores-consumidores e não que se venda baixas tiragens porque ninguém compra? Não está provado que isso é um equivoco?

    3- As editoras que tem sido entrevistadas têm capital para investir e experimentar em produtos muito baratos com tiragens absurdas sabendo que poderão errar (na escolha do tema, estilo de arte e narrativa) muitas vezes até acertar o produto que tem a cara do Brasil, como aliás, acontece em outros mercados (ponto 4)? Se não é o caso, o problema, em parte, não seria falta de capital das empresas e não falta de leitores?

    4- Quando pesquisei nesses manuais do SEBRAE, anos atrás, como montar uma empresa, li que deveria ter dinheiro já reservado para me sustentar até dois anos, pagando tudo, antes de começar a ter lucro, isso sei lá, pra ter uma lanchonete… Fiquei de cara. Desisti, na época, de ter uma empresa. Mas agora fico impressionado com o que ouço nesses vários podcasts. Porque todo mundo, no discurso, fala como se o mercado de livros fosse o mais difícil, mas na prática, trata como se fosse mais fácil do que ter uma lanchonete? (explicado abaixo)

    5- O que pagam para os autores é o suficiente para que possam se manter produzindo e entregar assim, uma “salsicha” dentro dos critérios que o público consumidor exige? Se não for o caso, tem um problema aí. Têm capital para investir, experimentar formatos diferentes, mais ” em conta”, grandes tiragens e tal? Se não for o caso, tem um problema aí (veja a solução).

    O problema, pra mim, não é que os leitores não valorizam o livro como um produto cultural fodão e diferenciado, é que, talvez, as editoras se esqueçam que estão, no fim de tudo, vendendo só um produto. Tem que usar as estratégias que se usam em outros mercados, correr os riscos, ter opções baratas e atrativas, etc. Isso não parece estar acontecendo.

    Solução (sim, tô apostando no Estado, sorry):

    Não seria o ideal que existissem projetos por parte do Estado para ampliar os recursos de editoras de médio e pequeno porte? Isso, obviamente, para criação de produtos que fossem acessíveis e ajudariam a formar leitores consumidores (não pra verniz e capa dura banhada em ouro).Talvez, um financiamento a ser pago ao longo dos anos, com taxas baixas, sem juros (afinal é um investimento do Estado), para a criação desses produtos? Se for o caso, a questão seria… PAREM de dizer que não tá caro e passem a dizer, NÃO CONSEGUIMOS, vender barato, GOSTARÍAMOS de vender barato e ajudar a formar leitores-consumidores no Brasil. Pois não será criada a solução para um problema que vocês insistem em dizer que não existe.

    • Jackson Good

      “Se for o caso, a questão seria… PAREM de dizer que não tá caro e
      passem a dizer, NÃO CONSEGUIMOS, vender barato, GOSTARÍAMOS de vender
      barato e ajudar a formar leitores-consumidores no Brasil. Pois não será
      criada a solução para um problema que vocês insistem em dizer que não
      existe.”

      Queria poder positivar mais algumas vezes seu comentário por esse trecho. A cultura que se criou de cobrar mais e mais porque sempre existe quem paga (assumo minha parcela de culpa nessa), faz com que tratemos preços absurdos como algo normal.

  • Daniel Assis

    Bem, consegui terminar de ouvir. Perfeito o encerramento do Sidão. É uma pena que todo o discurso do programa seja pautado em vender mais caro, compartilhando experiências de momentos nos quais os descontos, pontuais, ou preço mais baixos não venderam, desconsiderando que tratam de um público que já está consolidado e por isso pode pagar (pois já é comprador). Quem não comprava, não acompanha os descontos, são um público que ignora os lançamentos de quadrinhos como eu ignoro o que rola no mercado de diamantes. Não faço a menor ideia.

    Teria que ser recorrente e consolidado o fato de que teríamos lançamentos (lançamentos, não queima de estoque, apenas) a um preço convidativo, para que se pudesse experimentar, e assim, passar a comprar. Aparentemente por tudo o que ouvi, qualquer apontamento nesse sentido, para todos os envolvidos, está longe da possibilidade e da vontade. Vão continuar tentando se manter em cima de uma fatia cada vez menor da população. Deixa o resto da população que poderia comprar de mãos abanando, gastando seus trocados em outras coisas.

    Concluindo. Preços baixos, produtos acessíveis, não são condição suficiente para que se compre (há outros fatores), mas para uma grande parcela da população, a maior parte dela, é condição necessária. Se os valores são proibitivos, não há o que fazer.

  • Raphael

    Em nenhum momento falei que tem mais gastos, apenas que os gastos são diferentes, e que não é tão baixo quanto todos pensam, antes de mandar alguém calar a boca, pesquisa um pouco, dá uma olhada no vídeo “henshin online extra – papo sério: mangás digitais” do pessoal da JBC, lá eles explicam bem melhor os pormenores de se publicar em digital. Não seja assim cara, sem agressividades, um beijo no coração.

  • Jackson Good

    Compro esporadicamente de outras, regularmente só Panini e Mythos, e mesmo dessas eu filtro como falei anteriormente (TWD por exemplo, com promoções da Amazon). De novo, entendo todos os fatores, mas preciso pensar naquilo que me cabe, então pra mim sim, número de páginas é O mais importante. E se tem muita gente pensando igual, oras, as editora precisam SIM levar isso em conta se quiserem algo além de 1) apostar no nicho do nicho do nicho… 2) contar com a boa vontade do leitor, no caso das pequenas, me desculpe mas precisa me entregar algo além do “enorme favor em publicar o material no Brasil” (que parece ser a postura em muitos casos); e 3) choramingar quando não vendem bem

    • Raphael

      Se tem muita gente pensando igual a você é porque existe muita desinformação a cerca do assunto, e por isso é tão importante esses esclarecimentos das editoras. Você diz que as editoras tem que levar em consideração esse pensamento de número de páginas/preço do quadrinho, mas como falei antes esse não é o principal fator para definir o preço, então a editora vai fazer o que? colocar um preço abaixo do que deveria para não ter lucro nenhum? e assim inviabilizar novos projetos que eles querem trazer? só porque o leitor acha que o preço cobrado não é “justo”, pensa um pouco, nenhuma editora pequena de quadrinhos nada em dinheiro não, os caras estão dia a dia tentando sobreviver no mercado, vocês falam como se todo fim de semana os caras tivessem festejando em iate, porque superfaturam preço de quadrinho. Como consumidor é triste ver um quadrinho caro? pra caramba, mas essa é a realidade de um mercado que é minúsculo, quanto menos pessoas lendo, mais o valor do produto final fica maior, para ter que cobrir os gastos de quem produz.

      • Jackson Good

        Perdão, mas parece que você não entendeu meus comentários ou escolheu entender parcialmente. Não cabe falar em “desinformação”, eu já repeti que entendo os demais custos envolvidos, mas ainda assim, a MINHA avaliação individual é quantas páginas estou recebendo/quanto conteúdo/quanto tempo de entretenimento em troca do valor pago. O dinheiro é meu, portanto é meu direito definir meus critérios para gasta-lo. Quanto aos lucros das editoras, realmente não sei qual a margem, se é possível ajustar, chuto dizer que muito a grosso modo um preço mais baixo pode significar vendas maiores e equilibrar ou até melhorar o faturamento. De qualquer forma não me cabe essa análise, eu sou consumidor, vou responder comprando ou não. Você está batendo na tecla de “esclarecer” que nada mais é que ter como única estratégia contar com a boa vontade do leitor pois o mercado é cruel. Você acha mesmo que isso vai aumentar as vendas?

  • Stephan

    Houve uma época em que os sebos praticavam preços acessíveis, mas ainda assim muita gente com condições financeiras razoáveis dava mil desculpas para não ler nada. Agora que a maioria das lojas de usados que ainda existem cobram preços absurdos é que elas não vão ler mesmo, e certamente dirão aos seus filhos para ficarem longe de livros e de gibis!

  • ninguém

    Parabéns pelo comentário lúcido e isento de convencionalismos de ocasião!

  • ninguém

    Exceto o Natanael Floripes – o rei da bola fora!

    :D)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

  • Daniel Assis

    Obrigado por responder. O valor não é alto (mas, baixo, pra mim, é de cinco conto ou menos, kkk).

    Eu fico pensando o que se pode concluir, ou ao menos pensar, do fato de um quadrinho que não é caro não ter vendido. O pessoal do podcast provavelmente diria que isso evidencia que quadrinho barato não vende. Pronto! Simples assim.

    Eu já suspeitaria se Miraclaman seria um quadrinho verdadeiramente interessante, atrativo, cativante para a população que geralmente não compra (e nem deve ter sabido que esse comics existiu). Aí, se os editores estivessem realmente interessados em ampliar o público (no podcast ficou bem claro que não é o caso) usariam os dados referentes a esse comics (tema, arte, condução/cadência narrativa, tratando das ilustrações e do texto, roteiro, etc) para experimentar outros materiais distintos desse que não deu certo… Fico pensando (no que se refere a tema e arte) se deveria ser experimentado algo mais próximo do que a Bianca Pinheiro faz em Bear ou Dora. Se apostaria em algo próximo da Mariana Cagnin em Black Science, ou do Damasceno em Achados e Perdidos… Possibilidades não faltam. Falta ou vontade ou capital para experimentar.

    Repensar o que não deu certo a partir das características inerentes ao que foi vendido, projetar novos produtos a partir do que se sabe, é uma pratica comum, sei lá, até pra quem tem uma lanchonete, vende salgado na rua… É por isso que eu digo que, no discurso, os editores em geral tratam o mercado de quadrinhos/livros como se fosse mais difícil do que os outros, mas na prática, tratam como se fosse mais fácil do que vender picolé ou salgado no ponto de ônibus. Inclusive, falando de quem sabe diversificar, tem um pessoal que, aqui em BH, vende, dentro do ônibus, algumas coisas bem interessantes e variadas (atualmente a moda é a capa protetora de celular), acho que poderiam dar uma aula para o mercado editorial brasileiro. Se quiserem entrar em contato (caso um editor esteja lendo) falem comigo, tem sempre uns dois ou três nos ônibus que pego.