Confins do Universo 093 – Conan é bárbaro

Por Samir Naliato
Data: 26 dezembro, 2019

Em dezembro de 1932, as páginas da revista Weird Tales trouxeram um conto que não só marcaria a estreia de um personagem emblemático, como também criaria um novo gênero na literatura.

Por Crom! Conan surgiu da mente de Robert E. Howard, o pai das histórias Espada & Feitiçaria, e deixou um legado indelével no imaginário popular.

Nascido no campo de batalha na Ciméria, Conan parte numa jornada pelo mundo da Era Hiboriana enfrentando exércitos, monstros, magos e outros desafios. Ele é um bárbaro, soldado, mulherengo, guerreiro, pirata, mercenário e Rei.

E, agora, a equipe do Confins do Universo recebe os convidados Alexandre Callari e Ricardo Highlander para destrinchar toda esta história desde o seu surgimento nas antigas revistas pulp até os quadrinhos e filmes que atuais.

Conheça curiosidades como os quadrinhos piratas do personagem, detalhes dos contos originais, a primeira menção ao Conan antes mesmo do conto que marcou sua estreia, publicações no Brasil e muito mais!

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Participantes

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 Comentado neste programa

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Confins do Universo, por Vitor Cafaggi

• Outros artigos escritos por

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  • Willian Spengler

    CROM!

    • Sr.Cleverson

      SciCast?

      • Willian Spengler

        Yes, Sir!

        • Sr.Cleverson

          Legal! SciCast é muito bom! Confins do Universo é muito bom! Conan é muito bom!

  • Fernando Rocha

    Por Crom , que podcast fantástico.

  • Sr.Cleverson

    Por Crom! Tá tudo certo com o arquivo? Porque no meu smartphone o download tá bem lento!

  • Felipe Ornaghi

    já estou fazendo a coleção da panini, amo o conan

  • Andrecio

    Por CROM!!!! Que aqueles que não gostarem deste episódio, sejam carregados pelos demônios de Khintai!

  • Eliesio Lima

    Olá pessoal do site e aos ouvintes, sou um dos fãs afortunados do Cimério, se não me falha a memória meu primeiro contato com o personagem foi em Heróis da TV e a primeira Espada Selvagem de Conan que li foi a edição 21 (tinha uns cinco anos de idade na época). Conan é um personagem incrível, conheci diversas pessoas que, não lia nenhum outro quadrinho, mas lia a ESConan, tanto era o fascínio do personagem e suas histórias, um verdadeiro marco que infelizmente acho difícil retomar, ele foi um dos grandes responsáveis pelo meu amor por quadrinhos. A história citada, em que Crom ajuda o Conan, foi publicada pelo menos duas vezes no Brasil, para citar uma delas foi em Rei Conan 3 (formatinho Ed. Abril) em que ele salva o Rei Conan das feitiçarias de Yah Chieng, um bruxo de Khitai.

  • Pedro Bouça

    Há bastante coisa a se comentar sobre esse podcast aí, o assunto é muito vasto e ele poderia facilmente durar o dobro do tempo e não esgotaria o tema.

    Dito isso, há algumas coisas que eu faço questão de comentar.

    Primeiro, Lin Carter e L. Sprague de Camp foram um pouco injustiçados no podcast. Eu concordo que as modificações que fizeram no material o Howard foram absurdas (bem, ao menos das histórias inéditas que já estavam completas, as incompletas estavam obviamente abertas para os autores interpretarem como quisessem), mas criticá-los por mudar histórias do Howard de outros personagens para transformá-las em histórias do Conan ao mesmo tempo em que elogiam o (indiscutivelmente bom) trabalho do Roy Thomas na Marvel é injusto. Grande parte, eu ousaria dizer até que a maior parte, do que o Thomas fez no Conan foi precisamente isso, adaptar histórias do Howard e de outros autores, muitas e muitas das quais não eram originalmente do Conan, para os quadrinhos! E não é difícil conferir porque o Thomas SEMPRE creditava os autores originais. E, desnecessário dizer, as adaptações dele do Howard eram adaptações das versões de Carter e de Camp, já que eram as únicas disponíveis na época.

    Um bom exemplo é a própria Sonja, que não é uma personagem do Howard e foi criada pelo Thomas a partir de duas outras personagens do escritor, Red Sonya de Rogatino e Dark Agnes de Chastillon. Nesse ponto o Modus Operandi dele não foi diferente do de Carter e de Camp. E foi ainda mais parecido na adaptação de The God in the Bowl (“O Deus na Urna”) da Marvel, desenhada pelo Barry Windsor-Smith, em que a história é completamente bastardizada, deixando de ser uma história de mistério para se tornar uma simples história de ação com um monstro! E isso é coisa dele, não de Carter e de Camp, porque eu li a versão da história pela dupla na coleção da Unicórnio Azul que saiu no Brasil (que o Alê se confundiu e chamou só de Unicórnio do poscast). Pode-se afirmar que ainda era o começo da série e o Thomas não tinha ainda acertado a mão, OK, mas ele fez o mesmo tipo de mutilação do material original que Carter e de Camp.

    Agora para apontar os méritos dos dois autores, muito do que no podcast foi dito como sendo criação das HQs foi na verdade feito pela dupla e incorporado por Thomas na continuidade dos quadrinhos. Zenobia como rainha? Príncipe Conn (Conan II)? Vem tudo de Carter e de Camp! Por sinal, a HQ em que Conan sobe ao trono da Aquilônia e o primeiro arco de Conan Rei, que mostra o acerto de contas final entre Conan e Thoth-Amon (que, aliás, estão nos grandes volumes das Edições Históricas da Mythos), são ambos adaptações de histórias de Carter e de Camp por Thomas. Esses autores tinham defeitos sim, mas também possuíam qualidades!

    Além deles, Thomas adaptou uma infinidade de outros autores de Conan (até os anos 1990 havia uma produção gigante de histórias do Conan em livro, depois o ritmo caiu consideravelmente) nas HQs. Robert Jordan, que mais tarde se tornaria um dos mais famosos escritores de fantasia dos EUA com a série The Wheel of Time, foi um deles. Como a série da Marvel seguia a cronologia definida para essa série de livros, valia uma menção.

    Falando em cronologia, na verdade Howard DEIXOU uma referência escrita da ordem das histórias! Três meses antes de morrer, ele recebeu uma correspondência de fãs que haviam preparado uma cronologia das histórias (e um mapa da Era Hiboriana!) e respondeu dizendo que ela era “surpreendentemente precisa” e oferecendo algumas correções e ideias que ele tinha para histórias futuras que nunca chegou a colocar em prática. Na falta de coisa melhor, essa é a versão oficial da cronologia! Foi ela que Carter e de Camp adotaram. Segue aqui um link da carta de resposta do Howard, mas tudo isso (mapas inclusos) já foi publicado diversas vezes, inclusive como extras nos TPBs da Dark Horse:
    http://www.barbariankeep.com/millerlet.html

    Só que, bem, fãs são fãs e alguns encontraram pequenas incoerências nessa cronologia. Um deles, Dale Rippke, criou uma nova, considerada a mais precisa, que foi a que a versão do Kurt Busiek seguiu! De novo, isso não foi invenção dele, embora, ao contrário do Thomas, ele só tenha adaptado o material do Howard (desta vez sem as alterações de Carter e de Camp!) e todas as histórias que criou “em volta” dessas adaptações eram, até onde eu sei, originais.

    Agora chegando no tema mais espinhoso, o copyright do Conan. A primeira coisa, mais importante de todas, a se comentar é que as leis de copyright nos EUA são diferentes do resto do mundo! As dos EUA são muito confusas e fazem com que parte do material do Conan do Howard esteja em domínio público e parte não esteja (todo o material dos seus sucessores não está – e isso vale para o mundo inteiro!). Na maior parte do mundo, que segue o estabelecido em convenções internacionais, isso é mais simples: O copyright da obra dura por setenta anos após a morte do autor. Como Robert Howard decidiu que não podia viver sem mamãe há mais de 70 anos, a obra COMPLETA dele está em domínio público em todos esses países, que incluem a União Europeia e o Brasil!

    Nos EUA, as grandes empresas decidiram contornar a lei usando o expediente das marcas registradas. Tipo registrando o nome Conan e alegando que, em vez de servir para impedir que haja uma publicação chamada “Conan” que não seja licenciada (o que é válido até certo ponto), impediria que alguém pudesse usar o personagem chamado Conan (o que é absurdo). Fora dos EUA isso não tem colado, embora a ameaça de processos tenha impedido algumas pequenas editoras de usar personagens em domínio público cujos donos americanos não aceitam abrir mão, como Popeye ou o próprio Conan.

    Só que eles encontraram um problema com a francesa Glénat (que, não, até onde eu fui capaz de determinar nunca foi licenciante do Conan americano), que é uma empresa maior e mais rica do que a Conan Properties. Ela está lançando uma série de adaptações do Conan do Howard em perfeita conformidade com as leis de direitos autorais internacionais. Sem poder tocá-la, a Conan Properties, via a licenciante Panini, adotou a tática do dumping mesmo. Quem publicar esse material não vai poder lançar nada da CP e, por tabela, da Panini, que é dona dos direitos internacionais da MARVEL e, portanto, uma força poderosa no mercado de quadrinhos. Isso tem dificultado a trajetória internacional da versão da Glénat, embora já existam algumas versões traduzidas. Posso citar edições holandesas, alemãs e italianas.

    Falando na Itália, ela tem sua própria versão do Conan, que é publicada pelo mundo como O Rei Bárbaro. Já saiu inclusive no Brasil (está disponível na Amazon), embora isso não tenha sido mencionado no podcast! E esse nem sequer se limita a adaptações do Howard como a da Glénat! Talvez por ser produzida por uma editora muito pequena – e suas edições internacionais sejam por editoras igualmente minúsculas – ela tenha escapado do cerco da CP.

    O material da Glénat não tem essa sorte e uma editora temerária que tentou publicá-lo nos EUA foi rapidamente processada pela CP. As que cogitaram isso no Brasil também foram demovidas da ideia pelo licenciador até o momento, o que é uma pena.

    • Ótimo comentário, Pedro! Quando comentaram no podcast sobre a questão copyright tinha certeza que você iria aparecer nos comentários para fazer estes apontamentos, que você vem fazendo há bastante tempo em grupos de Facebook.

      Sobre o Conan italiano, também senti falta de ser comentado no programa. Aliás, a publicação que foi publicada por aqui pela Red Dragon é muito boa, sendo uma espécie de continuação dos eventos ocorridos em A Torre do Elefante. Achei muito bem escrito e muito bem desenhado, espero que as continuações sejam publicadas por aqui. Algo que achei curioso, e que deve estar relacionado que o medo que as editoras sentem da Conan Properties, é que o personagem só é chamado de Conan duas vezes durante toda a história.

      Sobre o Conan da Glénat, pelo o que eu já vi parece ser uma série excelente e é uma pena que não esteja sendo publicada por aqui. Esse caso do cancelamento da publicação nos EUA foi bastante emblemático e serviu como forma de pressão para que as publicações não saiam por aqui. Aliás, rola a lenda de que a Mythos chegou a adquirir os direitos de publicação, mas que foi pressionada a desistir por pressão da Panini. Espero que uma editora sem ligações com a Conan Properties ou a Panini (a Mino talvez, que aliás já anunciou que tem algumas ideias sobre produção de histórias do personagem com autores nacionais) possa publicar esses quadrinhos por aqui.

      • Brontops

        Pelo visto, tem material suficiente pra fazer um podcast exclusivo do Conan… e do “Conanesco”, como disse o Quiof aí embaixo.

        Sei de gente que se formou historiador inspirado pelo Conan… e descobriu no curso que a Era Hiboriana não existiu. Hoje ele dá aula pra alunos que acham que Westeros e Jon Snow foram de verdade. Ou quase isso.

        Alguém sabe se o Dicionário de Bárbaros e Barbaridades do Groo foi completado? Havia muito material bom (ou só curioso mesmo) ali.

        • Pedro Bouça

          Não foi completado, infelizmente.

          • Pedro Bouça

            Agora, sempre se pode sugerir ao Marcelo Alencar para fazer uma versão revista e ampliada…

    • Brontops

      Excelente comentário.

      Vale como sugestão pra um futuro podcast: falar sobre os copyrights de personagens antigos. Vários deles estão pra cair, não é? Gostaria de ver o Popeye do Lélis sair por aqui.

      • Pois é, Brontops, há muita desinformação sobre o assunto, a lei americana é diferente da brasileira e da europeia, fiz um post há algum tempo sobre o domínio público lá nos EUA, teoricamente, poderiam publicar o Popeye do Lélis, mas com esse título não, a Hearst Holdings, Inc. tem marca registrada, lembro que quando surgiu o desenho do Sítio do Picapau Amarelo, apareceu uma silhueta do que poderia ser o Popeye, mas não vi no desenho, devem ter tentado evitar, ainda mais que é uma coprodução da Globo com o Cartoon e foi vendida pro exterior.
        https://quadripop.blogspot.com/2014/06/historias-em-quadrinhos-em-dominio.html

        Gato Félix é um exemplo curioso, é de domínio público lá, mas ainda tem marca (hoje pertence a DreamWorks Animation, empresa comprada pela Comcast, dona da Universal Pictures), seria de domínio público aqui também, já que o Pat Sullivan morreu em 1933, mas depois da morte dele, um artista do estúdio, o Otto Mesmer, alegou ser o criador, se ele for o criador ou o cocriador, o domínio público aqui cai, já que ele morreu em 1983.

    • Paulo PrsGrind

      Que texto excelente, bem curioso saber esta situação de editoras que tentam publicar o Conan da Glenat, queria muito ver este material no Brasil…

    • Alexandre Callari

      Querido Pedro Bouça, me desculpe, mas continua achando equivocados todos os comentários que teceu sobre o Sprague de Camp. Veja bem, se ele tivesse apenas completado esboços e sinopses deixadas por Howard, tudo bem. Aconteceu isso com Tolkien e é uma maneira de travar contato, ainda que mínimo, com um pouco mais da obra do autor. Se ele tivesse apenas criado aventuras novas, tudo bem também. A série Millenium continuou após a morte de Stieg Larsson (apenas para citar um pastiche recente). Mas a questão não é essa.

      Comparar o trabalho dele com o de Roy Thomas, não tem cabimento. Roy Thomas fez ADAPTAÇÕES da obra de Howard. Portanto, quando ele pega uma história de El Borak, por exemplo, tira o protagonista e insere Conan no lugar, é diferente do que Camp fez, que foi apanhar um TEXTO QUE JÁ EXISTIA e mutilá-lo, apenas para inserir o seu nome junto ao de Howard e capitalizar em cima da fama de Conan. Trocando em miúdos (e se me permite uma metáfora musical), Thomas fez um cover, mas Camp pegou o rolo de gravação original e reeditou na sala de edição, dizendo que aquilo também era seu. No meu entendimento, isso é bastante errado.

      Como se não bastasse, após o fechamento da Gnome Press, no final dos anos 50, quando ele levou as publicações para a Lancer, passou a dizer que era responsável pelos direitos do personagem. Foi aí que começou a abusar de vez, reescrevendo HISTÓRIAS QUE JÁ EXISTIAM. Assim, temos novas versões de “A Rainha da Costa Negra” e Cia, que modificam de forma criminosa o texto de Howard. Basta comparar as versões que a Unicórnio AZUL publicou com as versões originais, lançadas pelo Pipoca & Nanquim. Sério que você acha isso tudo normal? Quem acabou com a festa foi Glenn Lord, VERDADEIRO detentor do espólio de Howard, que soube tarde demais o que estava sendo feito com o personagem.

      A única injustiça cometida neste podcast foi colocar o nome do Lin Carter no balaio, já que só o que ele fez foi completar esboços e sinopses. Sprague de Camp era, sim, um escritor de terceira, que vinha publicando desde a década de 50, com resultados medíocres e sucesso mediano, e que viu no Conan de Howard uma plataforma para se promover. Isso é mais do que uma opinião; é algo embasado por todas as falcatruas que ele fez durante a década de 60. Esse período é tão pavoroso, que a própria Conan Properties não republica mais essas histórias, embora continue republicando pastiches de Conan a rodo.

      Quanto aos copyrights, a única coisa diferente do que está no podcast que você mencionou foi o Conan italiano (que realmente esquecemos). Direitos autorais são uma questão espinhosa e nem de longe é algo tão preto no branco quanto você deixou transparecer em seu comentário, ou seja, basta esperar 70 anos da morte do autor e o texto é público. Talvez seja assim quando não estamos falando de marcas grandes, que é o caso de Conan. Negociei diretamente com a empresa, no caso e Conan Properties, e sei o que digo.

      A Glénat realmente bateu de frente, mas está sofrendo com as sanções impostas posteriormente. “Conan, o Bárbaro”, “Era Hiboriana”, etc. são marcas registradas, igual “Coca-Cola”. Utilize-os por sua conta, correndo o risco de tomar um processo. Se fizer uma busca pela Internet, verá do que estou falando. A Conan Properties é extremamente protetiva e já processou dezenas de empresas, que incorreram no erro de achar que Howard estava em domínio público e pronto. Por isso o Conan italiano contornou a questão, mudando o título. Por isso, Sara Frazetta não utilizava o nome do personagem nas pinturas de seu pai (o que mudou recentemente). E, reitero, nem tudo de Howard está em domínio público. As histórias publicadas postumamente foram registradas e, portanto, estão sob uma legislação diferente das lançadas na década de 30. Caso similar ocorre com o personagem Homem-Borracha, só que ao contrário. Ele pertence à DC Comics, mas há histórias dos anos 1940 que caíram em domínio público, por não terem sido registradas apropriadamente ou por não terem tido o registro renovado. Você pode até publicá-las, mas experimente pôr na capa o logotipo “Homem-Borracha” pra ver o que acontece.

      • Pedro Bouça

        Salve Alê.

        Não estava ciente das questões de bastidores de direitos envolvendo o de Camp, mas o meu comentário foi estritamente na parte criativa. E, sim, eu o critiquei por alterar histórias completas do Howard, pode ver. Não estava ciente da questão financeira envolvida, o que dá uma dimensão diferente à questão. Com a sua clarificação, as críticas ao de Camp fazem mais sentido.

        Sobre a questão de direitos, primeiro temos de levar em conta que a Conan Properties não é exatamente uma entidade isenta na questão. Ela não vai reconhecer nunca que a sua fonte de renda está em domínio público, né?

        Dito isso, a lei brasileira é bem clara. A duração de copyright é de setenta anos após a morte do autor, INCLUSIVE para obras póstumas (artigo 41):
        http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm

        Ela segue a Convenção de Berna, que é seguida pela UE e todos os países civilizados do mundo à exceção dos EUA, que tem uma lei muito mais confusa. Só que não estamos nos EUA.

        A parte das marcas registradas é muito mais confusa e, pior, sujeita a interpretação. Aqui na Europa os tribunais já decidiram que não se pode usar o expediente das trademarks para se manter copyright além do ponto de expiração, mas nas Américas ainda não se chegou a uma conclusão clara. Nos EUA, com sua doutrina de “tudo pelo capital” isso provavelmente vai colar nos tribunais. No Brasil ainda é uma incógnita.

        Uma marca registrada deveria proteger precisamente isso, uma marca. Coca-Cola, por exemplo. Você pode fazer um refrigerante igual se souber a fórmula, mas não pode vendê-lo COMO Coca-Cola. Daí que os italianos podem fazer um Conan e vendê-lo com o título de “Rei Bárbaro”. Marca registrada protege marcas, não conteúdo!

        A Glénat foi mais além e o vendeu como “Conan le Cimmerien”, que é um nome para o qual a CP NÃO detinha marca registrada. Porque é impossível deter marcas registradas de tudo e com todas as variações linguísticas possíveis. Ela tem de Conan e de todas as variantes possíveis de Conan o Bárbaro. Mas há uns vinte ou mais títulos possíveis de Conan (Conan, o ) e manter trademarks de todos eles em todas as variações linguísticas seria demasiado caro (trademarks custam dinheiro!) para uma empresa relativamente pequena como a CP. E não há nada que ela possa fazer legalmente, ao menos não na França. E dumping dela contra uma empresa bem maior como a Glénat é uma pulga mordendo um gigante. Deve ter sido por isso que ela voltou a licenciar a Marvel (e, por tabela, a Panini), que tem muito mais força para processar concorrentes.

        Mas aí entra a questão ética. A CP sabe que legalmente não tem uma base sólida, mas processa do mesmo jeito para tentar suprimir concorrentes na base da ameaça financeira. Isso é justo?

    • Alexandre Callari

      Apenas para deixar mais clara a briga entre Glenn Lord e Sprague de Camp, trouxe aqui algumas informações adicionais. Veja o que Camp escreveu em sua própria autobiografia: “No inverno de 1951-52, eu reescrevi as três histórias que Wright havia rejeitado, por bons motivos. Eu editei com mão pesada, mudando nomes dos personagens e deletando o que parecia verborragia inútil.”

      Ele se refere a Farnsworth Wright, editor da Weird Tales, e às histórias “A Filha do Gigante de Gelo”, “O Estranho de Preto” e “O Deus na Urna”. Ora, aí já vem o questionamento, quem é ele para decidir o que era relevante ou não na obra de outro escritor, já falecido? Se eu compro um livro, quero ver a obra original, não uma obra mutilada pelos caprichos de outrem. Será que seria bacana se eu, Alexandre Callari, decidisse que Monteiro Lobato estava equivocado em seus textos e reescrevesse tudo, publicando minha versão do que ACHO que deveria ter sido? Em “O Estranho de Preto”, a coisa foi além, porque ele julgava que a história não se encaixava na saga de Conan, portanto, modificou uns 40% dela, chegando ao cúmulo de inserir o mago Toth Amon no contexto. Fala sério, né?

      Indo além, na SSC 56, Rusty Burke disse o seguinte: “Uma vez que o processo da Gnome Press ainda estava pendente, os conselheiros legais de Camp pediram que ele criasse mais histórias da saga, para fortalecer a posição legal dos herdeiros e a dele própria.” Esse processo com a Gnome envolvia o editor Martin Greenberg, da Gnome, então detentor dos direitos de publicação. Camp queria levar as histórias para a Lancer, mas não queria pagar a fatia do bolo de Greenberg (o que ele teve de fazer mais tarde, em juízo). O que aconteceu é que, na Gnome, Camp era um mero freelancer, worked-for-hire, e não tinha o direito de vender o personagem para outra editora. Mas, quando o acordo foi selado, ele levou o cimério para a Lancer com plenos poderes.

      Nesse meio-tempo, temos Glenn Lord, verdadeiro agente dos herdeiros de Howard e responsável pelo espólio. Ele era uma voz menor na discussão, tentando se fazer escutar, mas era quem estava com a razão. Chegou a publicar pela Berkley três livros nos anos 1950 com os textos originais, e atacava Camp publicamente, chamando-o de desonesto. Mas, nessa época, Camp teve uma jogada de gênio.

      Quando Hollywood despertou pela primeira vez o interesse de fazer um filme do cimério, as negociações chafurdaram ao descobrirem que havia duas facções brigando pelos direitos do personagem. Foi quando Camp criou a Conan Properties, sendo ele próprio detentor de 1/3 das ações da empresa. Ele passou a regular TUDO que era publicado no mundo e, claro, nunca mais saiu permitiu que nada original fosse lançado, pois se um livro saísse apenas com o nome de Howard na capa, ele não receberia royalties. Desculpe, mas o cara era um crápula e não é coincidência que a Conan Properties só tenha entrado nos eixos após ele se afastar da empresa e seu posterior falecimento, em 2000. Foi quando começaram a surgir as coleções que embasam toda e qualquer edição das aventuras de Howard no mundo hoje, corrigindo décadas de injustiça com um escritor do calibre de Howard.

      No ensaio “Fantastic Worlds of RHE”, Rusty Burke publica parte de uma carta de Camp, em que ele confidencia que sua motivação para editar as histórias de Howard foi mesmo a grana, e não alguma pretensão artística. Robert E. Howard foi um gigante da literatura, injustiçado durante anos ao ter sua obra mutilada por um escritor inferior, mas bem-relacionado, que lucrou sobremaneira com um personagem que não lhe pertencia.

      • Pedro Bouça

        Incidentalmente, você sabe que teve um cara que reescreveu Reinações de Narizinho, agora que o Sítio está em domínio público, suprimindo completamente o Pedrinho, né?

        • Pois é, sempre tiveram releituras, podem até que saiam coisas boas, outro detalhe, traduções do Lobato para Tarzan e o Livro da Selva também entraram no domínio público, O Livro da Selva também já é DP aqui, logo, dá pra publicar um livro com traduções dele sem pagar direitos autorais, nem tradução.

  • Leonardo Angelucci

    Ontem ao chegar do trabalho fiquei de boca aberta ao ver no meu feed o ep do Confins sobre o Conan, que divide com o Justiceiro o posto de personagem de HQ favorito.

    Me lembro de quando entrei em uma banca de revistas na minha cidade natal e me deparei com a edição número 5 da ESC da Abril, com a história A Maldição da Lua Crescente. Demorei uns dias para conseguir juntar a grana para comprar a ediço afinal tinha somente 9 anos e precisei pegar o dinheiro do lanche para pegar a revista.

    A partir dali fiquei fã e colecionei tudo que saia do Cimério durante anos, cheguei a ter a coleção completa mas precisei me mudar para outro país e as HQs ficaram mal acondicionadas na casa da minha mãe e quando voltei ao BR vi que havia perdido praticamente 90% da coleção.

    Voltei a comprar, inclusive cheguei a adquirir 120 edições por a impressionante quantia de R$ 20,00 há uns 3 anos rsrs … Estou assinando a edição encadernada da Panini, mas ainda continuo completando minha coleção clássica kkk

    O episódio foi excelente. parabéns a todos.

  • Falam muito do Frazetta, mas houve uma capa de um livro, The Return of Conan, pelo Wally Wood, um romance de Björn Nyberg e L. Sprague de Camp publicado em 1957, ele já usa uma tanga, embora ainda não tenha a imagem definitiva, mas deixou de ser um soldado romano.
    .

    Dois textos interessantes:
    https://www.raiolaser.net/home//2016/12/a-trajetoria-da-imagem-de-conan-o.html
    http://www.iniciativanerd.com.br/conheca-verdadeiro-conan-cimeria/

    Em 1973, o conto A Fênix sobre a Espada foi publicado na revista Planeta.
    https://corsaria.com.br/blog/2017/09/16/conan-na-revista-planeta-031973/

    Minami e Cunha foi fundada pelo Minami Keizi e Carlos da Cunha, anteriormente, o Minami tinha trabalhado na Pan Juvenil do Salvador Bentivegna, de acordo com o Gonçalo Junior, a Gráfica Bentivegna foi uma das gráficas que prestava serviços para a La Selva, Minami foi sócio dele na EDREL, segundo o Minami disse em entrevista ao Elydio dos Santos Neto, Salvador Bentivegna ficou até pagar as dívidas da Pan Juvenil, depois fundou a Kultus e a Roval, e Grauna acontecia dessas editoras publicarem anúncios uma das outras. Tem livros esotéricos do Minami Keizi pelas editoras Bentivegna e IGB (Industrias Gráficas Bentivegna), acredito que até hoje os herdeiros continuam lançando coisas, já vi revistas de atividades da editora.

    Kull já foi chamado de Koll pela Roval.

    Crossovers com Tarzan eu já vi, mas não eram oficiais.
    O Lin Carter de fato tinha os direitos, primeiro ficou com o pai, depois foi passando de mãos até parar na mão deles.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Legacy_of_Robert_E._Howard

    Conan é domínio público, mas nos Estados Unidos tem essa malandragem de marca registrada, ele morreu há mais de 70 anos, essas marcas são contestadas mesmo nos Estados Unidos, isso com Zorro, Tarzan, Buck Rogers (esse também está no Brasil, já que o autor morreu há mais de 70 anos)…

    A Red Dragon lançou um financiamento coletivo e publicou um Conan italiano, iria se chamar Rei Cimério, mas saiu como Rei Bárbaro e promete publicar até adaptações brasileiras.

    Uma editora americana tentou publicar o Conan italiano, mas as empresas impediram. AS cópias do Conan são chamadas de conanesque. Mozart Couto tinha o Hakan também. Ele também desenhou Zamor, o selvagem do Franco de Rosa, que era um guerreiro na Atlântida com uma faca tecnológica, também teve desenhos do Watson Portela e do Gustavo Machado, saia em revistas eróticas da Grafipar e teve um único Almanaque.

    Fiz um post sobre esse Crom, uma editora chegou a publicar a Boardman Books publicou Lurid Little Nightmare Makers #2, misturando com outras histórias de bárbaros, dá pra achar na Amazon.

    https://highcomics.blogspot.com/2017/01/os-quadrinhos-mexicanos-de-conan.html

    Também fiz um post do bárbaro Crom do Gardner Fox:
    https://quadripop.blogspot.com/2019/04/crom-o-barbaro-de-gardner-fox.html

    O filme da Sonja não tem o Conan por terem separados ela em uma outra empresa, a Red Sonja LLC, por isso ela acabou indo parar em outra editora e chegou a ter processo por ela ser derivada da Era Hiboriana.

    A Mattel conta outra história, diz que depois de recusar um contrato de bonecos de Star Wars, surgiu um projeto de linha de action figures, que um dos concepts era justamente um bárbaro de cabelo preto, feito pelo Mark Taylor, em coleções clássicas, esse bárbaro se chama Vikor.

    Depois veio a linha de action figures do Conan, houve até um processo de plágio, mas a Mattel ganhou. Falando no He-Man, a Netflix anunciou duas séries de animação, uma do Kevin Smith continuando a original e outra por outra equipe, fora o filme, que talvez saia por lá, a releitura de She-Ra foi bem-sucedida.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Masters_of_the_Universe

    • Alexandre Callari

      Amigo, quem conta a história do filme da Sonja é o próprio Arnold, em sua biografia. Mas ele não menciona nada sobre esse processo.

      • Pedro Bouça

        Alguma coisa com certeza rolou, tanto que Conan e Sonja têm proprietários diferentes hoje em dia. E, injustamente, o da Sonja não é o Roy Thomas.

  • Esqueci de outro pastiche, mas literário, o Rubens Francisco Lucchetti assumiu a autoria de um livro de bolso chamado O Senhor da Espada Feiticeira, publicado pela Opera Graphica, ele usou o pseudônimo King Sherman, o livro teve capa assinada por Mozart Couto e Alexandre Jubran.

  • Pedro Bouça

    Também porque nos EUA o “autor” é quem paga pela criação da obra e a maioria desses “autores” são corporações, que não têm tempo de vida…

    • Exato, o Edgard Rice Burroughs é um exemplo, era um autor tentando a sorte nos pulps, quando conseguiu uma grana, montou uma empresa, passou a licenciar em várias mídias e hoje os herdeiros administram a empresa, a Dynamite tentou publicar Tarzan e John Carter sem usar as marcas registradas, até que veio um processo, mas entraram em acordo e viraram publicações oficiais.

      • Pedro Bouça

        Tentou e conseguiu, na prática. Aliás, o cara que está tentando publicar o Conan da Glénat na Ablaze é um veterano da Dynamite.

        • Verdade, mas corria o risco de cancelamento e sanções penais, acabaram assinando uma licença.

          • Pedro Bouça

            Risco muito fugaz, tanto que publicaram por anos e não foram barrados. O mais complicado aí são mesmo processos judiciais longos e dispendiosos, o que os levou a fazer um acordo.

          • Agora a Ablaze anunciou Red Nails para abril, veremos o que vai rolar até lá.

  • Nao foi mencionada no podcast o trabalho da Red Dragon, que publica Conan com o nome “O Rei Bárbaro”, por aqui.

    • Pedro Bouça

      É a série italiana do Conan, incidentalmente. Cai em uma situação similar à da Glénat.

  • Salve! Esbarrar com conteúdo brasileiro falando sobre Conan ou Robert E. Howard é sempre complicado. Sempre acabam misturando o desenvolvimento do personagem com a vida pessoal do autor, o que acaba quase sempre caindo num monte de factoides que nem criador nem criatura merecem ser alvos.

    Nesse ponto o Confins do Universo acertou em cheio ao chamar o Alexandre Callari, um dos poucos profissionais que tratam o assunto com a atenção que merece, respeitando o peso do trabalho do Robert Howard tanto na literatura quanto na cultura pop, além do cuidado ao tratar sobre a vida do autor com seriedade ao invés de aumentar o circo sobre sua condição mental complicada.

    Só para acrescentar, queria pontuar duas informações:

    – Atualmente existe um RPG baseado na Era Hiboriana de Conan sendo publicado pela editora inglesa Modiphius, “Robert E. Howard’s Conan Adventures in an Age Undreamed of”. O jogo tem vários suplementos, inspirados principalmente no trabalho apresentado por Howard e conta com ilustrações de artistas consagrados que retrataram o bárbaro cimério, como Brom, Mark Schultz, Tomas Giorello, Esteban Maroto, Simon Bisley, etc.

    – Em algum momento da década dos anos 2000 foi anunciado uma animação em longa metragem baseada na história Red Nails, Na época foram divulgadas várias imagens da produção (que ainda podem ser encontradas na internet), mas (até onde eu me lembro) infelizmente nunca foi lançada.

    • Pedro Bouça

      Acho que o projeto da animação não chegou a ir longe, infelizmente. É muito difícil fazer animação não infantil nos EUA, mesmo hoje!

      Há muitos RPGs do Conan, na verdade. Eu me recordo de ao menos três versões antes desse, mas talvez existam mais. Ele foi até um dos primeiros universos “externos” licenciados para o D&D original, junto com Lankhmar.

      • Sim, antes do jogo atual publicado pela Modiphius (lançado em 2017), também foram publicados RPGs de Conan pela TSR (1985), Steve Jackson Games (1988) e Mongoose (2004). Inclusive, os livros digitais da Steve Jackson (para o sistema GURPS) ainda estão à venda na loja da editora americana.

        • Pedro Bouça

          São os que eu me lembrava também. Até achava que o Conan ainda estava com a Mongoose…

          • Modiphius também está com a licença de John Carter, esse é o segundo, o primeiro saiu em 1978, também tem de Príncipe Valente (de 1991, que foi relançado recentemente via financiamento coletivo) e Flash Gordon (um em 1977 e outro pra Savage Worlds em 2018).

      • Foi na época dos filmes dele e da Sonja, o Gary Gygax sempre admitiu que o Howard era uma das inspirações, embora muita gente reclame que o bárbaro em D&D, introduzido pelo próprio Gygax, ajudou a difundir a imagem do bárbaro burro, mas esteticamente, era baseado nas artes do Conan pós-Frazetta.

  • Márcio dos Santos

    00:38:25 Esse episódio relatado pelo Highlander do Conan atirando uma rocha foi publicado recentemente na A Espada de Selvagem de Conan – A Coleção nº. 2, na história “Sombras de Ferro ao Luar” (Iron Shadows in the Moon), publicada originalmente em The Savage Sword of Conan #4.

    01:16:14 Howard criou a religião de Mitra baseado na religião mitraísta originária da Antiga Pérsia, que teve bastante penetração no Império Romano e foi concorrente do cristianismo por causa que as duas religiões tinham muitos pontos convergentes. Alguns historiadores dizem que se o cristianismo não tivesse predominado, hoje a nossa religião seria provavelmente o mitraísmo. Até hoje existem praticantes dessa religião, inclusive no Brasil.